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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Lúcio Fogueteiros

Lúcio Agostinho da Silva, Seu Lúcio ou simplesmente Lúcio Fogueteiro, descendia de uma estirpe de mulatos, aqui mesmo da ribeira do Apodi. Faleceu aos 85 anos de idade, depois de haver criado uma numero família – 21 filhos. Calmo, honesto, respeitador, nunca teve maiores vexames com a vida. Sempre foi uma pessoa bem humorada. 
Como soltador de fogos, esteve tradicionalmente ligados aos festejos religiosos tributados aos padroeiros do Apodi, durante mais de sessenta anos. 

Relembrar as festas dos padroeiros da terra, sem evocar a figura de Seu Lúcio, não tem sentido. Em todos os momentos, nas missas, novenas, procissões, alvoradas, lá estava o velho fogueteiro, ponta, prazeroso, pronto para o perigoso serviço, animando as festividades, nos bons tempos, quando os costumes e as diversões era menos profanos. 
Evocar esse passado longínquo, provocado de tantas recordações, é ter presente aquelas figuras que, intimamente estiveram ligadas aos acontecimentos da terra, que viveram os mos momentos marcantes da nossa história. 
Num desses dias de festa do padroeiro, animada, cheia de alegria, era enorme a quantidade de fogos aos redor da velha timbaúba, ao lado da igreja. Seu Lúcio era o vigilante atento daqueles explosivos, ali colocados perigosamente, como de costume, para serem queimados dentro de instantes. 
Em dado momento dá-se uma terrível explosão. Um fumante imprudente teria atirado, involuntariamente, um cigarro nos fogos ali guardados. Momentos de pânico, gritos de medo, enquanto uma densa nuvem de fumaça cobria toda a praça. 

Calmamente, impassível, Lúcio Fogueteiro observava o lamentável acontecimento, do qual resultava, pela primeira vez, uma missa solene sem animação de fotos, em festa de São João Batista. 

Emocionado, nervoso, o vigário da paróquia corre até seu Lúcio, e pergunta: “Como aconteceu isto? Quem é o responsável pela tragédia?”.
Calmo, sereno, o velho fogueteiro pediu para repetir a frase, pois era surdo. Após entender as palavras do padre, respondeu: “Não sei como aconteceu nem quem é o responsável, seu vigário, Sei que os fogos e foguetões se foram antes do tempo. Agora, só outros”. Não havia mais tempo.  

Fonte: Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985)

Papai - José Leite

Talvez fosse melhor nada escrever,
se não há palavras que possam traduzir,
o que sempre refleti pra te dizer,
há tanto tempo e não cheguei a definir.

Tudo o que sinto de veneração por ti,
começou muito cedo em minha vida
e, eu não posso expressar o que senti,
com relação à tua alma tão querida.

Velho Lino, pai amigo e carinhoso,
as lembranças guardadas no meu peito,
me acompanham e me fazem mui ditoso.

Pois, mesmo noutra vida onde hoje estais,
demoras junto a mim, alegre e satisfeito,
ajudando este filho em tudo quanto faz.

Brasília, 28 de maio de 1989 
José Leite 

Nota: Lembranças do meu pai, Lino Leite.

Flagrantes das Várzeas do Apodi - José Leite(Separata de Pré-Lançamento) 

domingo, 29 de junho de 2014

Dadinho

Dadinho era o nome popular de um apodiense muito acreditado e que exercia a profissão de carregador e recadista. 

O Dadinho era muito estimado, porém quando algumas vezes se embriagava, dava trabalho extra para os quatro ou cinco soldados da Polícia Militar, encarregados de manter a ordem no Apodi, os quais passavam muitas horas lutando para levá-lo até a cadeia pública da cidade. Ele era m tipo indomável quando bebia e não respeitava, de modo algum, uma meia dúzia de pessoas. 

Dadinho morreu tragicamente, no bairro do Paredões, em Mossoró/RN, quando caiu de um caminhão e quebrou o pescoço. Deus o guarde. 

Fonte: Flagrantes das Várzeas do Apodi - José Leite(Separata de Pré-Lançamento). 

Natércia Leite - José Leite

Tetércia, minha bondosa professora,
não te esqueci jamais te olvidarei;
guardo no peito a saudade imorredoura
do tempo em que contigo eu estudei.

Os argumentos chatos, os bolos que levei
a licença de pedra e a tua palmatória...
As preces semanais e os cânticos que entoei,
são marcos a enfeitarem toda a minha história.

De tudo o que aprendi, aqui vai um pouquinho,
da minha gratidão, num preito acalorado,
de amor, veneração, grande carinho.

Não perdeu tua lembrança, o aluno dedicado,
e, na sua alma, num recôndito escaninho,
guarda o teu rosto, lindo e seu pecado

Fonte: Flagrante das Várzeas do Apodi - José Leite(Separata de Pré-Lançamento). 

sábado, 28 de junho de 2014

O homem que não ofendia ao próximo

A Coluna Prestes surgiu de um movimento, entre os anos de 1924 e 1927, contra o governo de Artur Bernardes. 
Organizada nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, a Coluna Prestes atravessou o Nordeste Brasileiro, internando-se no interior do Mato Grosso. 

No seu itinerário pela região nordestina, algumas cidades tentaram resistir aquele movimento de revolta, levantado por militares, com mais de mil soldados do Exército Brasileiro, com armas de guerra. 
Apodi não fugiu à regra: e tratou de preparara reação, convocando seus habitantes e distribuindo armas, para mostrar que esta terra não concordava com aquela ameaça. Por sorte a Coluna Prestes não passou em Apodi. 

Dentre os apodienses convocados, para defender os brios da pátria e a integridade do regime, estava a figura popular de Chico Brabo, músico na época, um dos pistonistas de sopro mais forte que a região já conheceu. 

Colocado numa das trincheiras da cidade, juntamente com outros, o altivo voluntário aguardava momento de perigo, como patriota, pronto para cumprir o seu dever – entrar em combate. 
Certa noite houve uma tropelia de animais perto da trincheira, motivando disparos por parte de atiradores, menos avisados. Assustado com o tiroteio, Chico Brabo resolveu abandonar a trincheira, numa autêntica prova de medo, receoso de que algo grave pudesse acontecer-lhe. 

Ao apresentar-se ao Capitão Jacinto Tavares, comandante daquela operação de guerra, Chico Brabo manifestou aquele militar, o desejo de manejar uma arma menos pesada, no que foi prontamente atendido. Diversas armas lhe foram apresentadas, mas nenhuma lhe agradou. 
Notando que o Capitão estava conhecendo os motivos de sua presença ali, Chico Brabo tentou justificar-se usando esta expressão: “Não é falta de coragem, seu capitão. Tenho coragem até para emprestar! Mas não posso contrariar um sentimento que possuo desde â infância: não ofender o próximo! Por isso, não volto à trincheira”. 

Era noite alta. O militar achou graça da desculpa de Chico Brabo, e, virando-se para um soldado, ali presente ordenou: “Vá deixar este homem em casa!”. 


Fonte: Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985). 

Caminhos da saudade - José Leite

À noite, vendo o céu todo estrelado,
lembro os amores que não voltam mais
e, recordo silente o meu passado,
ouvindo o sabiá nos mufumbais.

Guardo dentro do peito torturado,
o mais átenazante dos espinhos,
porque vivo tristonho e abandonado,
e vou perde-me à margem dos caminhos.

E, as manhãs de luz tão coloridas,
da minha pobre e bem feliz infância,
sumiram-se de vez da minha vida,
infelizmente perdidas na distância.

Já não posso suportar o sofrimento,
de viver tão distante do Apodi,
e, aqui deixo, bem vivo o meu lamento,
com as saudades e as lágrimas que verti.

Fonte: Flagrantes das Várzeas do Apodi - José Leite(Separata de Pré-Lançamento). 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Chico Targino, o matador de Onças

Dentro da paisagem humana de Apodi, já desaparecida, vamos arrancar do passado, a figura rústica do velho Chico Targino, caboclo nascido nos lageiros da Soledade, onde aprendeu a conviver com onças e outros bichos. 

Chico Targino(o velho) pertenceu a uma estirpe de caçadores e lenhadores, afeitos à rústica do meio ambiente, em contato permanente com as matas e com as furnas, onde o encontro com a onça perigosa era para ele uma diversão, um passatempo. 
Ainda muito novo, aprendeu a rastejar onça de toda espécie, tornado isto para ele uma agradável atração. Onde houvesse onça estragando miunças, lá estava Chico Targino de clavinote na mão, para eliminá-las. E o fazia só, também penetrando na furna com a coragem que Deus lhe deu, onde se sentia mais seguro, como ele próprio declarava. 

Chico Targino tornou-se famoso da Ribeira do Apodi ao Ceará, pelas suas façanhas no combate às onças. Contam dele histórias de extraordinária coragem e sangue frio, matando e arrancando furnas, feras que até mortas faziam gente correr com medo.  

Fonte: Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985). 

Mossoró - José Leite

Mossoró! Terra do Sol!
Mossoró! Carnaubal!
Mossoró! Terra de escol!
Mossoró! Terra do sal!

Mossoró! Várzea e Chapada!
Terra de Santa Luzia!
Uma terra abençoada,
crescida com altanaria.

Mossoró! Terra feliz!
Terra onde Souza Machado
plantou a sua raiz
em um chão abençoado.

Mossoró! De água profunda!
Mossoró! Do clima quente!
Terra onde o petróleo abunda!
Terra onde a água é fervente!

Mossoró! Bela cidade!
Mossoró! Terra querida!
Mossoró! Da liberdade!
Onde a escravidão foi banida.

Mossoró! De oitenta e três!
Mossoró! Que em mutirão,
em setembro, e de uma vez,
proclamou a abolição

Mossoró! Vento Nordeste!
Que aparece toda tarde
e fustiga o calor agreste
que açoita toda cidade.

Mossoró! Um simples rio!
Mossoró! Poeira e pó!
Mossoró! Calor e frio!
Mossoró! Mossoró! Mossoró!

Brasília/DF, 30 de setembro de 1986 
José Leite 

Nota: Homenagem à querida cidade de Mossoró, no 103º aniversário da libertação dos escravos.

Fonte: Flagrantes das Várzeas do Apodi - José Leite(Separata de Pré-Lançamento) 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Mestre Profírio - José Leite

Seu Profírio, solteirão,
era um grande comilão,
Comia o que aparecia
e gostava do que engolia,
apreciava veado,
e gosta de peixe assado,

Nosso mestre era peitudo,
comia mesmo, de tudo,
tinha fome de verdade,
e grande capacidade,
para tudo de comer,
com ganâncias de morrer,

Em festa da Padroeira,
ao levantar-se a bandeira,
ele sonhou com comida
e, a bandeira foi erguida,
sob ordem especial,
com os músicos a tocarem,
“o Tatu Subiu no Pau”.

E, de outra vez, no São João,
o velho errou na ação,
e, mandou que se tocasse,
pra que a bandeira arriasse,
sem se poder evitá-lo,
“O Golpe do Cavalo”

Nota: Lembranças do Mestre Profírio Dantas, da Banda de Música de Apodi, nos anos de 1937 a 1942.

Fonte: Flagrantes das Várzeas do Apodi - José Leite( Separata de Pré-Lançamento) 

Adrião Bezerra, um homem teimoso

Evoco, com emoção, neste pequeno relato, a figura de Adrião Bezerra de Menezes, meu avô materno, há muito falecido, com 93 anos de idade. Homem honesto, sério, viveu sem aspirações de riqueza ou de grandezas, morrendo pobre, porém, estimado por todos que privaram de sua amizade. 
Quem o conheceu de perto, há de afirmar e exaltar a grandeza dos seus sentimentos e de suas qualidades morais. 

Em Apodi, exerceu o cargo de Prefeito, Delegado de Polícia, Fiscal e Procurador da Prefeitura, com exemplar desempenho. 

Durante anos foi o médico ortopédico da cidade, emendado braços e pernas quebradas, e usando para essas delicadas operações, gema de ovo e talo de carnaúba. E executava esses trabalhos com perícia admirável, com perfeição, sem deixar defeitos. E sem cobrar qualquer importância pelos serviços prestados. Era o encanador de braços e pernas da região, competente e prestativo. 
Mas, como não há bom sem falta, Adrião Bezerra também tinha a sua. Tinha a fama de homem teimoso, mas teimava sem deixar ressentimentos ou queixas. Sabia protestar sem magoar. E, às vezes, o fazia com sabor de piada ou brincadeira.  

Certa ocasião, ouvia uma conversa entre três pessoas, sobre coisas que incomodam à gente à noite, na hora de dormir. A primeira dizia, que a pior coisa é uma goteira em cima da rede; a segunda opinava, que uma criança choramingando incomoda mais; sustentava a terceira, que pior do que o choro da criança e a goteira, juntos, é um grilo cantando. 

Vendo que o velho observa atentamente aquela conversa, um dos participantes lhe perguntou: “Qual das três coisas Seu Adrião considera a pior?” Ele respondeu: 
“Quanto às duas primeiras, acho que incomodam um pouco. Quando a terceira, não. Só durmo bem, à noite, com um ou mais grilos cantando ao lado da minha rede”. 

Fonte: Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985) 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Lagoa do Apodi - José Leite

Tanta água reunida
é difícil encontrar
tanta água e tanta vida,
só vendo pra acreditar.

Vocês já adivinharam
do que estou falando aqui?
Certamente nem sonharam
Com a Lagoa do Apodi.

Pois é assim, minha gente,
uma lagoa tão linda,
não se vê constantemente,
não se encontrou outra ainda

As vazantes no seu leito,
tão grandes e admiráveis,
fazem o povo satisfeito
e, os homens mais amáveis.

Ali se vive tranquilo,
não falta arroz nem batata,
não se pesa peixe em quilo
e nem seu preço maltrata

As margens dessa lagoa,
dão vida a um carnaubal
que dá cera muito boa
e madeira especial

O luar que ali brilha,
é um luar diferente,
pois a água o esmerilha
e a torna mais luzente.

Vivi tempos na lagoa,
gozei da tranquilidade,
dos passeios de canoa,
cheios de felicidade.

Flagrantes das Várzeas do Apodi - José Leite(Separata de Pré-lançamento). 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Minha terra - José Leite

Minha terra, o Apodi
é terra de muita terra;
e e eu não vejo por aqui,
a terra onde o pé se enterra.

A areia do Apodi
é tão gostosa e fofinha;
por estes lagos não vi,
qualquer terra igual à minha.

E os cururus do Apodi
são bonitinhos, de fato;
por aqui ainda não vi,
iguais no lago ou no mato.

Os grilos da minha terra,
e as cigarras do Apodi,
quando cantam lá na serra,
não se comparam aos daqui.

Aquelas serras bonitas,
que circundam o Apodi,
têm belezas infinitas,
como não há por aqui.
Meu protetor João Batista ,
minha mãe da Conceição,
não deixem que eu resista,
em voltar pra meu sertão

Quero ver a Soledade
quero voltar à lagoa,
quero mata a saudade,
que em meu peito rebôa.

Quero o aroma do aguapê
penetrando em meu pulmão,
quero percorrer a pé,
as terras do meu rincão.

Quero apanhar Umari
lá nas margens da lagoa,
e, olhar ao sol do Apodi,
passeando de canoa.

Quero ver o Poço Fundo,
lá no Córrego do Despejo,
e mergulhar naquele mundo,
que há tanto tempo não vejo.

Quero ver a flor de pau-branco,
e vagens de jatobá,
ver mufumbo de barranco,
no Córrego do Carcará.

Quero ver meu Juazeiro,
lá na Ladeira das Varas,
quero ver o Taboleiro,
com suas belezas raras.

Desejo ver o ervanço,
florando no Taboleiro,
e quero ficar em descanso
em sombra de umarizeiro.

A canoa de Vida mansa,
na qual tanto passei,
nunca me sai da lembrança,
jamais eu a esquecerei.

Quero ver uma vez mais,
o sítio do Jatobá,
percorrer seus areiais,
ver flores de Manacá.

Quero comer tribo assado,
em braseiro de aroeira
E ficar um tempo sentado
num pé de tamarineira.

Quero voltar pra Apodi,
voltar para aquele chão,
quero voltar para ali
mesmo morto e num caixão.

Fonte: FLAGRANTES DAS VÁRZEAS DO APODI - José Leite Separata de Pre-lançamento

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Projeto "Corrente do Bem" da Escola Municipal Isabel Aurélia Torres



Trabalho elaborado pelos alunos do 9º ano da Escola Municipal Isabel Aurélia Tôrres (Córrego - Apodi/RN) sobre o poder das boas ações para a nossa vida, apresentado na disciplina de Ensino Religioso

O baile que não se realizou

Manoel Gomes Pinto ou Manoel Paulino foi agricultor dos mais prósperos da região de Melancias. Sabia aproveitar as primeiras chuvas do ano e madrugava no roçado. Razão do seu razoável sucesso nas atividades agrícolas, sem contar naquela época com técnicas agrárias nem financiamento bancário. Possuidor das melhores qualidades morais, caráter firme, Manoel Paulino – o homem que falava alto sem ser briguento, respeitava e era respeitado por todos. 

Desfrutando de um dilatado fruto de amizades, e com auxílio de numerosa família, conseguiu eleger-se vereador pelo Partido Social Democrático – PSD, em 1952. 
Arredio às diversões, desde à infância, por questão de temperamento, sempre viveu equidistante dos folguedos de sua época, principalmente de bailes. 

Certo dia, numa comemoração de casamento, pediram-lhe o salão da casa para dançar um pouco, animando aquele acontecimento. Não houve resistência. O pedido foi prontamente atendido. 
O tocador já havia chegado, momento em que o Paulino chamou os jovens e explicou: 
“O salão está à disposição de todos, porém, com a seguinte condição: rapazes dançam com rapazes; e moças com moças”. 

“Com essa eu vou embora”, queixou-se um rapaz que desejava dançar. “O caminho está aberto”, concluiu Manoel Paulino. 
Se foi grande a surpresa, maior foi a decepção. Manoel Paulino era assim, intransigente no que ele considerava certo ou errado. Não ia admitir na sua casa aquela liberdade, que para ele podia provocar outros desejos. Ninguém dançou. 

Fonte: Livro HISTÓRIAS E VULTOS DE MINHA TERRA  - Válter de Brito Guerra. Coleção Mossoroense. Série C – Volume CCCXIII. Apodi – RN – 1985. 

Espetáculo Auto de São João Batista emociona milhares de fieis em Apodi/RN







Artistas apodienses realizaram neste domingo, 22 um grande espetáculo, no patamar da igreja matriz de Apodi/RN, um espetáculo realizado por atores apodienses da Fundação Raimunda Dantas, que atraiu nas duas noites de apresentação milhares de pessoas que aplaudiram o show dos artistas, como parte da programação da festa de São João Batista, padroeiro da cidade.

Segundo a direção da Fundação foram mais de 80 pessoas envolvidas, entre crianças, jovens, que se doaram em horas e horas de ensaio o que levou ao êxito da apresentação, com um figurino, iluminação impecável, emocionando a multidão que lotou a frente da igreja matriz.

“Muita gente não acredita no potencial dos nossos artistas, mas a Fundação Raimunda Dantas acredita, é por isso que apostamos nesses valores e temos tanto êxito” disse Marcos Magalhães diretor da Fundação.

Retratos de saudades(IV) - O emblemático "Pau dos Amor" 01 - Por Marcos Pinto


Madrugada chegando e eu aqui ruminando saudades, num salutar e gostoso regurgitamento de pedaços de sonhos e ilusões, que um dia povoaram a cabeça de um rapazote provinciano. São imagens oriundas das esquinas do tempo, me espreitando pela janela do enlevo. Num colorido de sublime emoção, revejo o aprazível "Pau do Amor 01", palco de imensuráveis momentos de aconchegos incendiários da libido. Nessa espécie de território sentimental, os adolescentes do meu tempo espraiavam seus anseios e desejos nos ardentes beijos e abraços da ninfeta amada.

Esse Oásis sentimental era representado pelo espaço físico da calçada acolhedora, construída com a altura de meio metro, nas laterais e parte traseira daquele prédio situado logo atrás da nossa amada e sagrada Igreja-Matriz de São João Batista e Nossa Senhora da Conceição. São raros os adolescentes que, durante as décadas de 60 (1960-1969) e 70 (1970-1979) não tenha tido sua aula inaugural de namoro nesse reduto do amor.

Nessa memorável calçada (infelizmente já demolida) sentia-se um quê de mistérios e vulnerabilidades emotivas. Os encontros descambavam invariavelmente para a sensualidade incentivadora do que conhecemos popularmente como sendo um "sarro", que nada mais é do que o frenesi de dois corpos grudados "se roçando" assanhadamente. Não raro, essa caliente pressão emocional e física passava a constituir prática do cotidiano, logo na primeira semana decorrida. O que no início era timidez, em pouco tempo tornar-se-ia em fogo e paixão.

Predominava uma atmosfera reinante impregnada de perfumes e odor oriundo de suores, elementos instigantes da sensualidade dos corpos colados, em voluptuoso frenesi. O papel do olfato, em seres humanos, é inegável. Basta olharmos a milionária indústria dos perfumes. Entretanto, parece claro que as relações humanas são governadas por muito mais do que sinais químicos. Assim, o papel dos feromônios nas relações entre homens e mulheres tem sido alvo de grande controvérsia entre os pesquisadores. 
Nas jovens, desenrolavam-se emoções perturbadoras e conflitantes com as severas recomendações dos pais, preocupados com a manutenção da virgindade até o matrimônio, resquícios de arraigado conservadorismo. Muitas jovens se repreendiam intimamente diante a sensação da violenta excitação
que percorria seus corpos arfantes e carentes.

Ali, naquele palco de emoções nasceram muitos casamentos, mostrando aos enamorados que, tanto o medo quanto a desconfiança no entregamento total eram infundados. Quando não se tinha uma visão clara dos objetivos do rapaz, observavam-se olhos e olhares marcados por profundas inquietações. Muitas vezes os pais das moçoilas flagravam-nas em intensos "amassos", trazendo expressões graves no rosto, como uma espécie de advertência e reprovação. A franqueza e a honestidade do compromisso estavam entre as qualidades que granjeavam afeição, rumo a um iminente e célere matrimônio. Raramente ocorriam casos particularmente vexatórios, em que o desvirginamento não era seguido e reparado através do competente casório. O prédio do "Pau do Amor 01" sempre pertenceu ao nobre Apodiense e líder político Francisco Paulo Freire (Sêo Chico Paulo), e depois sediou a lojinha comercial denominada de "Apodi Center".
A estadia no "Pau do amor 01" era apenas um preâmbulo, uma vez que, terminada a missa noturna, os namorados desciam no rumo do "Jardim" (Atual Praça Getúlio Vargas), situado no largo defronte à Igreja-Matriz. Nesse desiderato, havia sempre referência metafórica a um segredo.

Por Marcos Pinto - historiador apodiense.

O cio da tarde - Aluísio Barros

Uma água no cio
enfrenta risos estranhos, nervosos
numa rua providencialmente repleta.

O cio da água entontece
e enrubesce olhares virgens
prazeirosamente dispersos na janela.

Uma égua no cio
libera a libido do poeta
entontece – loucamente entontece – as crianças
e molhas as calcinhas donzelas das janelas.

O cio da égua
escorre nas pernas da tarde
e, num turbilhão de risos, desaparece.

"Anjo Torto" - Aluísio Barros de Oliveira 

domingo, 22 de junho de 2014

XI Balancê da EMIAT

No dia (13/06), sexta-feira, ocorreu o XI Balancê da Escola Municipal Isabel Aurélia Tôrres, na oportunidade foram realizadas apresentações culturais, desfiles para escolha da Princesinha, Rainha Junina, Miss, e Rei Matuto, uma animada quadrilha, sorteio de um balaio Junino, além de barraca de comidas típicas.

Contamos com a presença da vereadora Soneth Ferreira, o professor Caubí Tôrres, Kézia Cleana diretora da Escola Municipal Neval Machado, Ocelino diretor da Escola Municipal Francisco Targino da Costa, os que fazem a escola e toda a comunidade escolar.

O XI Balancê foi realizado na sede da escola, na qual estava muito bem enfeitada, todos a caráter, e as apresentações encantaram aqueles que prestigiaram a festa.










Insônia - Aluísio Barros

A rua dorme;
o olhar busca o último sinal da noite.

Sozinho durmo com a minha Lua
enquanto a puta agoniza
em seu leito de morte.

"Anjo Torto" - Aluisio Barros 

sábado, 21 de junho de 2014

Fugaz - Aluisio Barros

Teus olhos de ontem?
Que sei de teus olhos de ontem
de uma estrela cadente
ardente na calçada?

Não, minha retina esquece
agora,
a cor dos olhos:
Somente os riscos ficam guardados.

"Anjo Torto" - Aluisio Barros 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Patronos de Escolas de Apodi

Patronos das escolas do Município de Apodi/RN. 


ANTONIO FERREIRA PINTO – Patrono de Escola Estadual(cidade) 

ANTONIO LAURÊNIO DE FREITAS DANTAS(ANTÔNIO DANTAS) – Patrono de Escola Estadual(cidade)  

ANTONIA ALVES DE LIMA - Patrona de Escola Estadual no Distrito de Soledade

ALVANÍ DE FREITAS DIAS – Patrona de Escola Estadual  no  Bairro CAIC(cidade)  


FRANCISCO ALCIVAN PINTO - Patrono de Escola Municipal no Bairro Bacurau I 

FRANCISCO TARGINO DA COSTA – Patrono de Escola Municipal do Distrito de Soledade

GERSON LOPES GUERRA – Patrono de Escola Estadual, centro da cidade de Apodi

ISABEL AURÉLIA TORRES – Patrona de Escola Municipal do Sítio Córrego  

MARIA LINDAURA DA SILVA – Patrona de Escola Municipal, bairro Cohab 

MARIA DE LOURDES DE ACETO MOTA – Patrona de Escola Municipal (cidade) 

SEBASTIÃO GOMES DE OLIVEIRA – Patrono de Escola Estadual no Distrito de Melancias 

VALDEMIRO PEDRO VIANA  - Patrono de Escola Estadual no Sítio Santa Rosa I 

VERÍSSIMO MÁXIMO GAMA  - Patrono de Escola Municipal do Bairro Bico Torto 

OBS: Estamos fazendo uma pesquisa sobre a história dos patronos das Escolas de Apodi. Em breve postaremos aqui. 

Estranho olhar - Aluísio Barros

 
Olhem do menino pobre
O olho sangrando sangrando
do menino pobre o olho
olhem
a baia que cegou o olho do menino pobre
veio doida e com ódio do taurus oficial

olhem do menino
a cicatriz na garganta
na garganta a cicatriz
do menino olhem
as mãos que apertaram a garganta do menino pobre
esqueceram os afagos que outras mães ensinaram

olhem do homem da esquina
o sisudo o olhar
e contínuo sisudo
olhar e contínuo
do homem da esquina olhem
a segurança de meus dias perde-se naquele olhar
cada vez que tento ver a Lua e sonhar com as estrelas.

"Anjo Torto" - Aluísio Barros de Oliveira 

Mais de 70 famílias são capacitadas nos cursos GAPA em Apodi


Realizado nos dias 12, 13 e 14 de junho, o curso de Capacitação de Gestão de Água para Produção de Alimentos (GAPA) capacitou mais de setenta famílias entre as comunidades de Milagres, Moacir Lucena, Córrego I e II, Nova Descoberta, Aleixo, São Francisco, Floresta, Retiro, Urbano, Juazeiro II, Lagoa Amarela e Lagoa do Mato. Executado pelo Centro Terra Viva o curso faz parte do programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), coordenado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS).O programa visa atender as comunidades de Apodi, Severiano Melo e Rafael Fernandes levando um total de 303 tecnologias para as famílias com o objetivo de instruí-los sobre o uso da água de chuvas para o caráter produtivo e a garantia do alimento nos períodos de estiagem.

No GAPA, os agricultores e agricultoras tiveram a oportunidade de trocar experiências entre si e conhecer métodos e técnicas de captação e armazenamento de água, cuidados com a terra, além de esclarecimentos sobre a execução do projeto. Aconteceu um momento de abertura no caso da Comunidade do Córrego e comunidades vizinhas com a presença da Terra Viva (Cláudia Mota – Coordenadora do Projeto, Aldimar Fernandes – Animador de Campo e Stefanya Neves – Comunicadora Popular), Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi (Edilson Neto e Ivone Brilhante), COOPAPI (Mércia Torres de Queiróz,), Associação Comunitária (Caubi Torres) e Comissão Executiva Municipal – CEM (Irenilde Oliveira).

A programação do curso envolveu diversos temas a serem discutidos, dentre eles, a nova visão de semiárido, o uso das águas nas comunidades para o consumo e produção bem como houve um resgate do conhecimento em agroecologia e das sementes.

A agricultora Maria Helena, da comunidade do córrego II, apontou a iniciativa como sendo importante para o desenvolvimento da produção da sua comunidade. “Nós achávamos que as cisternas eram coisas distantes da nossa realidade, a maioria pensava até que não merecia essas tecnologias, mas essa água é para a produção e isso é direito de todos nós”, disse.


A agricultora Helena possui uma pequena produção no seu quintal apenas com a primeira água e é de lá que garante alimento o ano todo e ganha dinheiro para ajudar na renda da família: “Se com uma água eu já consigo produzir para meu consumo e ainda ganho dinheiro com isso, imagina com duas"?

Sendo assim, a atividade do GAPA é de extrema importância para as famílias se integrarem e conhecerem mais profundamente o programa, sendo também um momento de fortalecimento da ação no município contemplado.

Copiado do blog Apodiário

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Cuidar pra não acabar - Teresa Machado

Meu amigo hoje eu quero
De uma coisa lhe falar
É da nossa natureza
Que precisamos cuidar
Senão daqui a alguns anos
Ela pode acabar.
Deus fez um lindo planeta
Colocou o homem lá
Pra viver em harmonia
Na sua casa, no seu lar
Tirando da natureza
Somente o que precisar.
Mas por desobediência
Começou logo a pecar
Destruindo à natureza
Para poder enricar
E até o semelhante
Começou a massacrar.
Vou falar de linda terra
O nosso amado país
Gigante por natureza
O nome dele é Brasil
O homem que aqui vive
Considera-se feliz.
Mas também é conhecido
Pela tal corrupção
Políticos que ficam ricos
Tirando do pobre o pão
Roubam o dinheiro do povo
O perdão nunca terão.
Não precisamos correr
Pra buscar tanta riqueza
Pois quando o homem se vai
Pra Deus só leva a franqueza
Toda dinheiro que tem
Deixa aqui pra esperteza.
Observa meu país
Do Oiapoque ao Chuí
Arranha-céu tá subindo
Só se fala em construir
Cuidado humanidade
Poderás se extinguir.
Nosso solo era rico
Tudo se podia plantar
Hoje pouco ele germina
Transgênico foram inventar
E os grãos que matam a fome
Envenenados está.
O silêncio da floresta
Está sendo perturbado
Pelo som da moto-serra
E o toque do machado
O tesouro da Amazônia
Pro estrangeiro é levado.
Não vejo a Baleia Jubarte
Nadando no mar do sul
Os rios estão morrendo
Não tem mais Pirarucu
Procuro no horizonte
Cadê a Ararinha-azul?
Onde está o papagaio
Tucano, lobo-guará
E do jacaré a pele
Estão eles a arrancar
Pra fazer bolsa, sapato
Pras madames se amostrar.
Estão afetando até
A cadeia alimentar
Se cobra não come rato
Doença ele trará
Precisa ter a formiga
Pra tamanduá devorar.
O homem esburaca o solo
Procura ouro e rubi
E o mercúrio no rio
Faz o peixe inexistir
O pobre do ribeirinho
Muita fome vai sentir.
Tão acabando o minério
Prata, bauxita, metal
O cobiçado petróleo
É o mais essencial
Daqui a pouco eles vão
Acabar com o pré-sal.
Outrora o homem vivia
Sem luz, sem energia
E era o rádio de pilha
Que alegrava seu dia
Agora com internet
O passado repudia.
Por causa do aquecimento
Sentimos muito calor
O fumaceiro do cano
É o grande causador
Parece que cobriram a terra
Com um grande cobertor.
Onde estão nossas riquezas
À água, os mananciais
As frutas de nossas árvores
Muitas não existem mais
Aterraram nossos rios
Lixo acaba jamais.
Tem enchente no Nordeste
Ó que grande aflição
Tem o flagelo da seca
Que destrói a plantação
É a mudança do clima
Meu Deus que tribulação.
No sul agora é seca
No norte é temporal
Os dois castigam o nordeste
É o aquecimento global
O sofrimento do povo
É notório, é real.
Bom seria se o homem
Ao passado poder voltar
E a linda natureza
Começar a preservar
Tratar bem o planeta
A terra poder amar.
O que tenho eu com isso?
O que tenho eu a ver
Vou usar o meu bom senso
Pensar no que vou fazer
Lutar em prol do planeta
Pra não ver ele morrer.

Teresa Machado

Lucas Soares da Silveira

LUCAS SOARES DA SILVEIRA, nasceu em 21 de junho de 1876, sendo filho legítimo do Tenente-coronel Luís Soares da Silveira e de D. Maria Benedicta Beltrão da Silveira, ambos naturais de Itabaiana na Paraíba.  

Casou-se a 11 de setembro de 1897 com Zulmira Ferreira Pinto, filha do Cel. Antonio Ferreira Pinto e D. Claudina Maria de Oliveira Neves, que também se assinava como Claudina Pino. Ao casar-se Zulmira passou a assinar-se como Zulmira Pinto da Silveira. Dentre outros filhos, era pai do comerciante Rubens Pinto, radicado em Mossoró. Lucas Soares da Silveira faleceu em Apodi no dia 28 de janeiro de 1923. 

Fonte: Datas e Notas para a História do Apody (Livro I – Janeiro a Maio) -  Marcos Pinto

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Arraiá diferenciado da Escola Estadual Professor Antonio Dantas

No dia 13 de Junho de 2014, o Antônio Dantas promoveu um arraiá junino com todos os seus alunos e docentes, onde na ocasião, foi inaugurada a nova quadra dessa instituição. Lá foram formadas equipes dividas entre alunos e professores a fim de promoverem atividades e brincadeiras, em virtude da Copa do Mundo, esse ano foi diferenciado, o que não deixou a desejar. Com comidas típicas, quadrilha e também o casal matuto. Parabéns a todo o grupo desta escola que cuida e zela dela com tanto carinho. A participação dos pais, o encanto dos alunos e a dedicação dos que trabalham nesta escola é exemplar.






















Por Ariverton Costa no http://portaldoad.blogspot.com.br/