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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Estarei deitado ao lado de iguais como agora estou em pé - Lucas Maurílio

Sempre que passo por ali
olho para eles.

As pessoas agradecem por estarem vivas,
não considero errado,
mas elas esquecem de olhar para os mortos.

Todos passam por problemas e prazeres
para, enfim, chegar lá.
Alguns vão por vontade própria.
Outros aguentam firme e levam a sabedoria para a terra fofa.
E tem aqueles que nem percebem que foram.

Aquele lugar está repleto de amigos, namorados,
amantes,
que merecem atenção pelo menos por um minuto.

Devemos ama-los e não sentir medo, repúdio.
A vida continua
mas no final
todos se encontram ali.
Então, não faz sentindo ter medo,
desviar o olhar, fazer sinal da Cruz.
Apenas olhe se não quiser dar o seu amor,
compaixão.

Eu respeito os mortos,
eles recebem minha atenção, amor,
pois ele já foram iguais a mim.
E também porque eles sabem o que é morrer.
Por conta disso, tenho até certa inveja,
admito,
por eles saberem a resposta desse grande mistério,
mas não quero descobrir essa resposta agora.
Vou aguentar firme.
E estou aguentando.

Lucas Maurílio
@l.maurilio_

domingo, 13 de janeiro de 2019

Só eu posso tirar a minha dor - Lucas Maurílio

Me arrependi amargamente 
de ter lhe abandonado.
Se pudesse resolveria tudo.
Faria tudo voltar ao normal.

Nunca pensei
que a minha ida 
fosse lhe abalar tanto.
Você me desprezou a olhar para mim 
desde o início.
Passei anos carregando a culpa por algo que não tive nada a ver.
Fui apenas o resultado de um acontecimento horrível.
Por isso fui embora.

E estando de volta agora,
sou eu que espero você voltar e me abraçar
pela primeira vez,
mesmo sabendo
que eu é que tenho 
que ir ao seu encontro
onde quer que você esteja,
e sentir o seu abraço
que, provavelmente, é quente.

Me disseram
que todas elas tem o abraço quente.

Lucas Maurílio 
@l.maurilio_

sábado, 12 de janeiro de 2019

Dissertação: Relatos sobre o massacre de 70 índios na Serra de Portalegre/RN: argumentação em discursos de liderança indígena e alunos do Ensino Fundamental.

Dissertação: Relatos sobre o massacre de 70 índios na Serra de Portalegre/RN: argumentação em discursos de liderança indígena e alunos do Ensino Fundamental.
Autor(a): Maria Mônica de Freitas
Curso: Mestrado Profissional de Letras
Instituição: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN
Publicação: 2018
Fonte do artigo: Repositório UERN
Clique para ver ou baixar

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Não me reconheço em um duplo só - Lucas Maurílio

Andando pelas ruas
não conheço
ninguém a minha volta.
Milhares de cabeças desconhecidas
que não sei contar.

E eu estou no meio delas
vagando com a sensação
de que todos se conhecem,
e eu sou o único estranho
nesse lugar.

Não me admiro se alguém olhar para mim
com cara feia
ou por desconfiança,
se é que alguém tem olhos,
digo tempo,
para me olhar
no meio do caos.

Para perder o medo,
caminho com o pensamento de que todos também estão com medo.
E penso que aqui do meu lado
pode ter alguma pessoa com identidade falsa
fugindo da polícia
por roubo.

Só que do meu lado tem uma parede espelhada.
E eu sou a pessoa com identidade falsa
que está fugindo da polícia
por roubo.
E não a mais como sentir medo
pois sei que não adianta
fugir do reflexo dos policias parados atrás de mim.


Lucas Maurílio
@l.maurilio_