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terça-feira, 30 de abril de 2013

Alice Magno Pinto


ALICE MAGNO PINTO, natural de Apodi, nasceu no dia 22 de abril de 1926, filha de Miguel Ferreira Pinto e Joana Magno Pinto. Concluiu o ensino primário e foi lecionar na Escola Municipal de São Lourenço, no município de Felipe Guerra.

Trabalhou durante 30 anos na Prefeitura de Apodi. Dentre tantas atividades desenvolvidas, foi secretária e diretora da Câmara Municipal de Apodi, trabalhou na Maternidade Claudina Pinto e no Serviço de Alistamento Militar. Foi presidente da Associação do Sagrado Coração de Jesus e da festa da padroeira da paróquia de Apodi. Além de grande catequista.

Alice Pinto era admirada pela sua notável capacidade de organizar eventos e empresas, além, de ter uma caligrafia especial que hoje podemos ver através de pesquisas nos arquivos dos órgãos oficiais do município.
Alice Magno Pinto faleceu no dia 5 de março de 1990

Copiado do:Portal Oeste News.

De todas as cousas - Paulo Filho Dantas

“De todas as cousas que quero na vida
A minha preferida é ficar com você.
De todos os sonhos que busco na vida
Meu ideal é morar com você.

De todos os amores que tenho na vida
Qual eu mais cativo é amar você,
De todas as guerras que venci na vida
A maior vitória foi conseguir você.

De todos os problemas enfrentados na vida,
Sempre me fortalece estar com você,
De todas as mortes que eu morro na vida,
Sempre alguém me ressuscita
E esse alguém é você.

Na solidão do meu jardim
Uma saudade e’mi ardia,
Encontrei solitária rosa
E nunca mais brindamos a nostalgia’’.

Copiado do: Caminhos do Meu Ser

segunda-feira, 29 de abril de 2013

No ar - Paulo Filho Dantas

“Sessenta segundos e nada mais
É o que precisamos agora
Para nos entregarmos à aurora
De todo sentimento por demais

Nos carinhosos braços sentir
O aconchego de um amanhecer,
Esperar para a noite se viver
Sem pensar no nunca iludir.

Desejaria poder e abraçar
Sem demora teus lábios beijar.
Monotonia desespero ao fugir.

Ver-te de perto para conseguir
Uma chance de felizes fingir
Toque carinhoso promessas no ar’’.

Copiado do: Caminhos do Meu Ser

domingo, 28 de abril de 2013

Tua Falta - Paulo Filho Dantas

“Enquanto a lua sair
E minha triste noite iluminar,
Não há como de você fugir,
Pois estou só em ti a pensar.

As estrelas contemplo
Como se tu pensas em mim,
Bate contra meu corpo frio vento
Amar você é mesmo assim.

A noite será sempre iluminada
Pelo seu olhar de luar,
Sinto sua presença bem aproximada
Seduzindo meus desejos – a assanhar.

Melancólica noite que passo
Por que não apareces quando chamo
Perco essa batalha, fracasso,
Imploro por você aqui: te amo.

O crepúsculo está sumindo.
Conceitos voluptuosos se desterram
Enfim, estou-te consumindo
Meus ídolos já não mais me completam’’.

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

sábado, 27 de abril de 2013

Devaneio - Paulo Filho Dantas

“Se a existência implica dor,
Se desejo o teu existir
Sofro por vontade do amor
Liberto-me com teu luzir.

Astro iluminado pelo sol
Minha lua fico a contemplar.
Entontece com tua beleza, girassol
Me envenena com o teu olhar.

Várias estrelas formam constelação
No céu noturno que está sumindo.
Poesia louca dentro do coração
É chama candente me consumindo.

Nessa terra que ume deito
Para o teu cheiro respirar,
Seu corpo é fogo onde me queimo,
Sua boa é água de fonte e’mi desaguar.

Deuses e demônios nascem da mitologia,
Céu e inferno antagônicos como mortais
As diabinhas quentes e fogosas, tautologia
As deusas inteligentes e carinhosas nos satisfaz’’.

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

O local do mistério - Osório FIlho

A luz que se abre!
O sol que brilha!
As estrelas somem!
O mar soou...

A ilusão do mundo...
A vergonha do ser...
O temor de morrer...
As respostas sem sentido...

As verdades do meu interior...
Soluções imprecisas...
A mentira da consciência...

Ora vivo sonhando!
Ora estou sem pensamento!
A mente não compreendida!

(Soneto da minha adolescência de 16 anos).

sexta-feira, 26 de abril de 2013

É Por que - Paulo Filho Dantas

“É porque hoje não sei o que é solidão,
É porque hoje sinto que sou alguém,
É porque sinto o sangue nas minhas veias pulsar,
É porque hoje os mistérios da vida
Consegui com vocês desvendar.

É por querê-la só para mim,
É por venerar todo o seu jeito,
É por sentir dentro do peito,
É por deseja-la um bem assim,

É por não pensar noutra garota,
É por admirar a solidão da lua,
É por inalar teu cheiro em minha roupa,
É por vontade de esbarrar contigo na rua,

É para ter motivos para sorrir,
É para compartilhar minha loucura,
É para entregar toda a candura,
É para entender do universo o devir’’.

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

Retrospectiva histórica sobre a política do passado e do presente na cidade de Apodi - Osório Filho

Dramatização: Retrospectiva histórica sobre a política do passado e do presente na cidade de Apodi, através de uma dramatização.
Autor: José Osório de Lima Filho

Clique para ver ou baixar a dramatização

Envie sua dramatização para tudodeapodi@hotmail.com que postaremos no blog com todo prazer

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Apodiense Elequicina dos Santos é eleita vice-presidente do Fórum Nacional de Transporte

A secretária de Mobilidade Urbana de Natal, Elequicina Maria dos Santos, foi eleita a nova vice-presidente do Fórum Nacional de Transporte para gestão 2013/2014 na tarde desta terça-feira (23), durante Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, em Brasília (DF), que reuniu mais de 45 secretários de transporte do Brasil.

Além de Elequicina Maria dos Santos que focará a questão do trânsito nas grandes cidades, o Fórum Nacional de Transporte contará com o presidente Renato Gianolla, servidor de carreira da Urbes – Trânsito e Transporte desde 1989 e Secretário de Transporte de Sorocaba (SP) desde 2006; Vanderlei Luis Cappellari (secretário municipal de Mobilidade Urbana de Porto Alegre (RS) para assuntos relacionados ao transporte público; e Paulo Moretti, diretor de Transporte de Campo Limpo Paulista (SP), que tratará de assuntos sobre mobilidade urbana para pequenas cidades.

O Fórum reúne secretários e dirigentes de trânsito e transporte das cidades brasileiras. Anualmente, são realizadas de três a quatro reuniões com o objetivo de permitir que os secretários e dirigentes partilhem informações e experiências, conheçam novos conceitos e ideias sobre mobilidade urbana, transporte e trânsito e discutam e opinam sobre projetos de lei, normas e outros dispositivos legais com vistas a buscar esclarecimentos junto a autoridades ou mesmo sugerir alterações.

por Gerlane Lima

Copiado do Apodiario

O Pessoal do Tarará em Felipe Guerra e Janduís


 
O Grupo de Teatro O Pessoal do Tarará chega em Felipe Guerra e Janduís, com o espetáculo Sem Palavras. Nesta quinta-feira, 25, o grupo mossoroense apresenta espetáculo em Felipe Guerra, no Teatro de Arena, em praça pública, às 19h, numa parceria com o projeto Abelhar. Na sexta-feira, ainda em Felipe Guerra, O Pessoal do Tarará apresenta o espetáculo em uma comunidade. No sábado, 27, será a vez da população de Janduís assistir Sem Palavras, dentro da programação de aniversário da Companhia Ciranduís, de Janduís.

Sem Palavras é um espetáculo onde O Pessoal do Tarará dá prosseguimento ao seu projeto de pesquisa, em cima de uma dramaturgia do corpo, onde abre mão da linguagem verbal, sendo, para o grupo, a conclusão de uma pesquisa anterior, iniciada no espetáculo O Pulo do Gato (2009).

A montagem é feita para apresentação nos mais variados espaços, desde circos, rua, sala e até palco italiano. São vários quadros, onde O Pessoal do Tarará investe, desta vez, numa comédia com tom de desenho animado, sendo influenciado pelos desenhos do Pateta, do Tom e Jerry, e da revista em quadrinho, que pode ser percebida nos corpos dos atores.

O Pessoal do Tarará neste espetáculo abusa de seu dedicado e delicado trabalho de ator, já que tudo o que chega ao público, é produzido pelo próprio ator. Sem Palavras é um espetáculo onde O Pessoal do Tarará dispensou o uso da linguagem verbal, de elementos cênicos, mas que não perdeu uma de suas marcas, que é a verdade de seus atores. Portanto, o espetáculo não dispõe de um texto escrito, mas de um texto apropriado pelo ator, que se dá pela via corporal.

É deste desta pobreza de elementos cênicos, que nasce um espetáculo rico, a partir do corpo do ator. Durante o espetáculo, o roteiro que os atores cumprem levam o público a criar sua própria dramaturgia, à medida que as cenas acontecem.


Ficha Técnica:
Espetáculo Sem Palavras (ou Uzkra D’ku Nupal Kunu)
Direção: Dionízio do Apodi Elenco: Igor Moreira e Maxson Ariton

Nossos últimos tapuias

No ano de 1817, irrompeu a Revolução Republicana, liderada no Rio Grande do Norte pelo Cel. André de Albuquerque Maranhão (...). Os indígenas de Portalegre refugiaram-se nos Cariris cearenses. Na ausência dos tapuias, os moradores de Portalegre promoveram o aforamento das terras dos indígenas queimando suas palhoças.

Em 1820, chegava a Portalegre o Sargento-mor das ordenanças José Francisco Vieira Barroso líder da Revolução de 1817 naquela vila, libertado dos cárceres da Bahia. Reconhecendo as injustiças praticadas contra os índios, providenciou a libertação dos presos, concedendo terras aos que haviam sido espoliados.

No ano de 1825, os tapuias atacaram a Vila de Portalegre (...). Liderou o movimento o conhecido João do Pega, secundado por Luiza Cantofa, anciã indígena a quem o povo apontava como feiticeira. Derrotados, os tapuias foram presos e algemados. Na manhã de 03 de novembro de 1825, os ainda chamados “Índios de Apodi’’ partiram d Portalegre, seguindo escoltados para a cadeia de Natal. Comandava o contingente o alferes Reinaldo Gaudêncio de Oliveira.

Ao chegar ao pé da Serra de Portalegre, bem próximo ao Sítio Viçosa (hoje cidade do mesmo nome), determinou o alferes que dessem uma parada para descanso. Prosseguiriam a viagem no dia seguinte. Joaquim Cavalcante, que servia de guia para o grupo, determinou que os presos se agrupassem à sombra de uma imburana. Joaquim providenciou então a amarração do cabechila João do Pega no tronco da referida árvore. O alferes Reinaldo ordenou que providenciassem o preparo do jantar. Enquanto o fogo crepitava, uma ideia sinistra surgiu no meio dos condutores: o assassinato dos índios presos. Com acuidade auditiva própria da raça, João do Pega captou a conversa dos conspiradores. 

Dirigindo-se ao alferes Reinaldo, assim se expressou o tapuia: “Está ouvindo alferes? Daqui a pouco serei assassinado por aquela gente. Quero fazer-lhe um pedido, como cristão: na minha cintura está amarrado um lenço encarnado, com uma pataca presa em uma das ponta. Esse dinheiro é para mandar rezar uma missa de que sou devedor as Almas do Purgatório. Se o dinheiro não for suficiente, seu Reinaldinho promete inteirar? O alferes apesar de não dar crédito à denúncia de João do Pega, prometeu-lhe mandar celebrar a missa. Não se equivocara o velho indígena. Depois do jantar, rezou-se um terço, após o qual os presos foram mortos.

O alferes Reinaldo, por não concordar com o atentado e sendo impotente para contê-lo preferiu afastar-se do local. O alferes regressou ao local do crime, deparando-se com João do Pega estendido por terra, aparentemente morto. Reinaldo encontrou o lenço vermelho, a que se referia João do Pega, embebido de sangue. Desatando uma das pontas, encontro a pataca (320 réis) destinada a celebração de uma missa pelas Almas do Purgatório.

Alta noite, o cabecilha João do Pega, tendo recobrado os sentidos, levantou-se e olhou ao redor de si. Contemplou os cadáveres dos seus companheiros, molhados pela água da chuva. Os ferimentos não tinham sido graves, e ele escapara com vida. Com certa dificuldade, conseguiu-se livrar-se das cordas que o prendiam a imburana. Finalmente livre, correu em direção à Serra dos Dormentes (a mesma Serra do Regente ou de Santana) para se esconder nas grutas. No dia seguinte foi providenciado o sepultamento dos mortos, mas não foi percebido o desaparecimento de João do Pega. 

Já decorrido mais de um ano, alguns caçadores descobriram João do Pega, na Serra dos Dormentes (Serra de Portalegre). A notícia logo se espalhou na região. Posteriormente João do Pega foi perdoado pelo governo, o que ensejou seu regresso ao Sítio do Pega, voltando a morar em sua palhoça. Conta a tradição que achando João do Pega doente, perguntaram-lhe a sua idade. O velho indígena respondeu: ‘A minha idade está naquela bruaca’. Ao falecer João do Pega, encontraram no interior da referida bruaca 75 castanhas de caju, que indicavam os anos por ele vividos.

Quanto à velha Luiza Cantofa, gravou a tradição popular os seus últimos dias de existência. A exemplo de João do Pega, foi ela instigadora da revolta dos indígenas, por ocasião do ataque à Vila de Portalegre, em 1825. Presos diversos tapuias, inclusive João do Pega, a velha indígena Luiza Cantofa refugiou-se em companhia de sua neta Jandi, nas grutas da Serra de Portalegre. Outros indígenas mais afortunados haviam fugido para os cariris cearenses. 

Para sobreviverem, Jandi tirava alimentos nas roças e colhia cajus nos sítios da região. Certo dia foi reconhecida pelo proprietário de um sítio, que, juntamente com outras pessoas seguiu Jandi até o seu esconderijo. Descoberto o lugar, indivíduos armados encontraram Luíza Cantofa a dormir debaixo de um frondoso cajueiro. Despertada para morrer, a velha tapuia abriu um pequeno oratório, de joelhos aos pés da imagem do Cristo Crucificado e rezou o Ofício de Nossa Senhora. Jandi implorava ao povo presente, o perdão para a sua avó.

Um dos perseguidores aproximou-se de Cantofa, enterrando o punhal no peito da vítima. No momento do golpe do punhal, a indígena acabara de pronunciar a o trecho do Ofício de Nossa Senhora que rezava: ”Deus vos Salve. Relógio, que andando atrasado serviu de sinal’’. No dia seguinte foram dar sepultura a Luíza Cantofa não sendo mais encontrada a jovem Jandi; cujo destino ficou para sempre ignorado.

Segundo a tradição popular, o local da morte de Luíza Cantofa corresponde àquele local onde hoje existe a chamada Fonte da Índia distante cerca de 400 metros do centro da cidade de Portalegre. Afirma a tradição popular que, durante muitos anos, o lugar do falecimento da velha Luíza Cantofa ficou mal-assombrado. Algumas pessoas que dali se aproximavam, ouviam claramente uma voz a rezar o Ofício de Nossa Senhora. E assim, foram estes os últimos registros sobre os tapuias de Apodi (GUERRA, 1991, p.28-35).

Fonte: Apodi - Um Olhar em sua Diversidade - Cleudia Pacheco e J. Carlos Baumman

Cor de luar - Paulo Filho Dantas

“Até a lua teima em esconder
O seu mais belo brilhar
E os meus olhos chorar
Estão pela saudade sentida
Da tua voz tão carinhosa,
Da pele sua macia e pomposa
Que me reanima e traz vida.

Até a lua teima em esconder
Minha cabeça não consegue lembrar,
As palavras se teimam negar
Os versos que eu tinha outr’ora,
Mesmo assim sinto cheiro teu
Que quiça no universo perdeu
O prazer vivido com ti, senhora.

Até a lua teima em esconder
Aquela palavra inda pronunciada,
Pela boca sensível e encarnada
Embelezada de encanto em flor
Dela mil juras poderia fazer,
Por ela não há como escolher
É só viver, sentir, respirar, amar

Até a lua teima em esconder
A velha infância sem sofreres,
Fantasiada por criaturas, seres
Magníficos sem ímpar comparar,
Grãos fantasmas foram sumindo
E chegando o sorriso lindo
De bela moça, noite à sonhar.

Até a lua teima em esconder
Os negros olhos que conspiram
Iluminar estrelas que deliram,
Investir contra quem cruzá-los
Nem o mar azul ousa contemplar
Diretamente seu hipnótico olhar
E os lábios que invitam beijá-los.

Até a lua teima em esconder
Tua aura de extrema candura,
Sua fascinação ínvia, pura
Que põem paixão ao regro
Dos ditames loucos da emoção,
Sentimentos emanados do coração
Rendidos pelo fito, olhar negro

Até a lua teima em esconder
A boca que chama o desejo,
Selando o convite com beijo,
Atiçando todo corpo em calor,
Mil pensamentos assanham minha
Razão de ser assim em linha
Dou-te doce vida como penhor.

Por que a lua quer esconder?
De mim toda sublime beleza
Se sem ela tudo é só tristeza
E em meu peito palpita a dor?
Quero vê-la na fria madrugada
Para fazer poemas de serenata
Iluminadas por tua luz, tua cor’’.

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

terça-feira, 23 de abril de 2013

O mistério do misterioso mistério - Osório Filho

O surgimento do mundo ...
Tem explicações distintas...
Por que este mistério é fruto de outro?
ora,o que é a verdade?

A compreensão é a fé?
Mas ela existe ou é fantasia?
E se existe ,como é que vou sentir?

Os seres são verdadeiros?
Ou são falsos?
A hora vai chegar?

Os homens são eternos?
De espírito ou não?
E se forem,como irão viver?

(Soneto da minha adolescência de 16 anos...depois que passei pela faculdade e estudei a doutrina espírita encontrei todas as respostas para as perguntas que fiz...)

De repente amor - Paulo Filho Dantas

“Ainda que tente agora,
Ainda que a vida leve
Fazendo sol ou neve
Meu coração, mole implora.

Pelo sorriso belo, inocente,
Pela vida breve passada,
Pelo vento da emboscada
Atirado em lua carente,

Nossa luta está declarada,
Nosso emblema brasão silente
Em um dia de noite gelada.

Carrega uma luz candente
Entre mil destaca eloquente
Viva raiando a madrugada

Com ele vivemos a sonhar,
Há sempre um disto alguém
À procurar por um também
Que te sacie em necessidades,
Por dentro arde em carinhos
E como ele saber haver sozinhos
Seres ávidos de paixões, vontades.

Sem o amor não haveria vida
E para que, sem desejos viver?
A memória talvez sempre esquecida
Não recordaria o passado prazer,
É o fogo transbordando emoção
É pira louca devorando coração
Dando a humanidade um sentido,
Pois quem não amor, não vivei,
A sua vida passou, se perdeu
Só vegetou, nunca correu perigo.

O amor é risco que corremos,
É o desconhecido que a pena
Tem valor, jamais esquecemos,
Tornar-se belo, primorosa cena,
Dois seres ofegantes de prazer,
Querendo, desesperadamente, viver
Estonteante olho mirando brilhar,
A vida é o amor que floresce
Em jovem tarde se entristece
Pela certeza de alguém esperar’’.

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A morte é a passagem para a vida? - Osório Filho

Após o descanso o que nos espera?
Um paraíso?
Um inferno?
Ou um nada?

Iremos saber?
Por que isso?
Um dia iremos descobrir?
O espírito será permanente?

A carne é uma transição?
A vida é um problema?
o mundo é uma bola?
Os seres estão vivendo?
A separação entre a vida e a morte há?
O centro entre as extremidades é uma chance?

(Produção da minha adolescência...O título do cordel sem regras é: abstração paranoica)

A vida é o amor - Paulo Filho Dantas

“É o amor, esse sentimento
Que nos faz, ardentes, devorar,
Sem ele a vida é tormento

Você é linda demais
Desafia até a natureza,
Nada iguala teus sinais
Nem tua impar beleza.

Você é demais bela,
Princesa do livre amor,
Tua pele tão singela
Combina com a flor.

De lótus asiática
Deixando na lunática
Esperança de ti

Meu eu em pedaços,
Procuro-te por passos
Quem dera você aqui’’.

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

domingo, 21 de abril de 2013

Apodi e apodienses na história da abolição mossoroense

A historiografia potiguar, atinente ao pujante processo que culminou com a abolição da escravidão negra em terras mossoroenses, aponta para o relevantes papéis desempenhados por Apodienses radicados naquelas plagas. Nesta saga de sangue, suor e lágrimas destacam-se os Srs. CLEMENTINO DE GÓIS NOGUEIRA, opulento e respeitado comerciante, e EUSÉBIO BELTRÃO, dono do Iate denominado de ”APODI”.

Quando os notáveis abolicionistas mossoroenses começaram a campanha em prol da libertação negra, numa trajetória de lutas e de glórias, que começou no final de Janeiro de 1883 e terminou na heróica data de 30 de Setembro do mesmo ano, Eusébio Beltrão fazia o trajeto marítimo Porto Franco (imediações da cidade de Grossos-RN) ao porto da cidade de Recife-PE, conduzindo mercadorias compradas por comerciantes da praça de Mossoró.

EUSÉBIO era o mestre no intercâmbio de idéias do CLUBE DO CUPIM,com os abolicionistas mossoroenses. Este Clube foi criado por abolicionistas Recifenses, para angariação de fundos que eram aplicados na compra de alforrias de escravos, bem como de proporcionar acolhida aos que vinham fugidos e perseguidos pelos temidos e famosos Capitães-do-Mato.

Na busca pela consolidação da luta pela libertação negra em Mossoró, criaram o CLUBE DOS ESPARTACUS, com a notável contribuição dos referidos Apodienses.

O Presidente do CLUBE DO CUPIM era o rico comerciante pernambucano JOSÉ MARIA CARNEIRO DA CUNHA, primo legítimo do pai de Eusébio – o Prof. JOAQUIM MANOEL CARNEIRO DA CUNHA BLETRÃO, que foi o segundo professor de primeiras letras na então Vila do Apodi, em 1841, e que foi o proprietário do primeiro imóvel residencial totalmente construído em alvenaria em Apodi, que é aquele casarão senhorial onde durante muitos anos residiu a doceira e boleira mais famosa do Apodi, dona COTÓ, tia paterna do saudoso professor Raimundo de Tião Lúcio (Raimundo Pereira).

Apodi e o "Casarão de Dona Cotó" (reprodução)

Na sua árdua faina, EUSÉBIO BELTRÃO conduzia escravos fugitivos do Recife, escondidos no porão do Iate ”APODI”, remetidos por João Ramos, João Klapp e Dr. José Maria Carneiro da Cunha, Diretores do celebrado ”CLUBE DO CUPIM”.

O Eusébio conduzia cartas dirigidas aos componentes do CLUBE DOS ESPARTACUS.

Para burlar a vigilância dos senhores dos escravos, escreviam que seguiam tantas ”levas de abacaxis”. O contexto em que encontramos o Sr. CLEMENTINO DE GÓIS NOGUEIRA desempenhando a honrosa missão de acolhida e proteção aos escravos fugitivos, encontra-se nas páginas do livro ”SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA ABOLIÇÃO DO CATIVEIRO NO RIO GRANDE DO NORTE”. Autor: João Batista Galvão – Coleção Mossoroense – Vol. CCXI – Ano 1982), senão vejamos:

“Contava ROMUALDO GALVÃO que certa vez fugira um cativo da Província de Pernambuco e se homiziara sob a bandeira da ”LIBERTADORA MOSSOROENSE”. Com poucos dias, chega um Senhor de Engenho pedindo o escravo de sua propriedade. Romualdo quer adquirí-lo para alforriar e propõe a importância de Cr$ 2.00 atuais e a resposta foi esta:

- O senhor não tem dinheiro que pague uma surra que desejo dar em minha terra, nesse negro!.

Enfim, conduz o escravo garantido por lei.

Romualdo Galvão, Romão Filgueira e Durval Fiúza comissionam Rafael Mossoroense e mais outros ex-escravos mascarados e mandam retomar o negro, após os limites do município e em seguida dar no senhor de escravos umas pancadas, e esconder o cativo na propriedade denominada de ”Garrafa”, no Apodi, do tio de Romualdo, de nome Clementino de Góis Nogueira, já referido”.

Desse dia em diante, o lugar mais seguro e ermo para esconder os escravos fugidos passou a ser o sítio ”Garrafa”, onde os mesmos eram acolhidos com a recomendação de que fosse divulgado que eram de propriedade dele Clementino.

Este bravo apodiense tinha outra minudência histórica: Era amigo íntimo de JESUÍNO BRILHANTE, o famoso ”Cangaceiro Romântico”, a quem acolhia/escondia em seu suntuoso casarão com sobrado, quando este vinha a negócios em Mossoró.

CLEMENTINO era descendente direto de Antonia de Freitas Nogueira, fundadora do Apodi. Era, também, irmão de Bernardino de Góis Nogueira, bisavô materno do professor ROBSON LOPES, de saudosa e veneranda memória.

Por Marcos Pinto
Copiado do: Blog do Carlos Santos

Horizontal - Paulo Filho Dantas

“Ah, esse desconhecido horizonte
Que quanto mais olho
Sei da existência de algo mais.

Alguma coisa mexe com
O meu coração a convidá-lo
Incessantemente, atavicamente.

Junto forças e sozinho
Formo meu exército uno
Se preciso, vou...’’

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

A política do Apodi na época dos coronéis - Osório Filho

Artigo: A política do Apodi na época dos coronéis
Autor: José Osório de Lima Filho - Acadêmico de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

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sábado, 20 de abril de 2013

Artigo - Revolução Industrial: Progresso Econômico x Progresso Social - Osório Filho

Artigo: Revolução Industrial: Progresso Econômico x Progresso Social
Autor: José Osório de Lima Filho - Acadêmico de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

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Novo cd de Renário Forrozeiro - baixar

A flor do pecado - Paulo Filho Dantas

“Bela como a flor da laranjeira,
Equânime meu céu estrelado,
És aquela que flora na roseira,
Vós quem sonhos tem acalentado
Os mais loucos inatos sentidos,
Disfarçando enormes ganidos
Do meu ego forte que deseja
Um querer poder te abraçar
Em um instante somente beijar
A boca de uma dama sertaneja

Mas o meu coração não entende
Que o pensar não assim realiza,
Meu querer que além estende
De um sonho que me idealiza,
Se, um dia se mentalizou-te fugir
Para um paraíso contigo ir
O verso demora a ti chegar,
Quero, como quero, um sorriso,
Almejo, como almejo, preciso
Responda-me, somente, um olhar.

Meu Deus, será que é pecado?
Não controlar, por si só, o coração?
Se for, melhor tê-lo arrancado
Do peito inerte e não mais emoção,
Sentir, como se ama para sofrer
Por isso vivo sem ainda entender,
Por que o senhor nos fez assim
Quando se tem a fêmea amada
Jamais pensamos noutra indomada,
Madrugadas...necessito perto a mim.


Não hã vejo tantos longos dias,
A esperança fraca corói a cabeça,
Sinto tão distante o calor em frias
Noites solitárias onde mesmo esqueça
De minha personalidade fundo adentrar,
Minhas mágoas apenas vou aumentar
Afogando-me em um vil oceano
De amarguras e mélicas desilusões,
De embriaguez e félicas canções
Apenas por desejar amor cigano.

Não se pode brincar de gostar
Nem mesmo precisar de sentir
Ela vem em meus sonhos adentar,
Ela deixa longe um vago sorrir,
Posso, não posso, só sei reclamar,
Depende daquele triste cantar
Que me joga de encontro a saudade
Àquela solidão que não se sacia,
Fazendo-nos sonolentos no dia
Por jamais atingirmos tal realidade.

Melhor nunca procurar bela criatura,
Cuja natureza a encheu de encantos,
Bela és completa pompa de formosura,
Poderia cobrir-te d’ouros mantos,
És somente passagem, dona angelical
Beleza de cunho matrimonial
Morrerá o desejo agora distante
E mesmo que nunca tenha a ti
Repito incauto querendo você aqui
Não esquecendo-a um só instante’’.

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sertão - Paulo Filho Dantas

“É seca que fere
Corações lutadores,
É sol que escalda
Incansáveis sonhadores,
É ferro que ferra
A honra dos trabalhadores.

Sou filho da terra,
Vejo grandes plantações
E terá ardendo
Desde os tempos de menino
Em imensos mutirões
Vamos lutando, aos poucos morrendo
Êta sertão nordestino.

Convivi entre os guerreiros,
Vi choro, vi esperança,
Vi abraço, vi ternura,
Vi conflitos, vi crianças,
Vi gente precisando
De colo, de candura.

Se a chuva não vier?
O que lá em casa direi
Quando eu voltar?
Insistir? Desistir?
Quem sabe partirei,
Quem sabe vou sonhar.

Êta sertão nordestino
É terra seca,
É solo quente,
É chuva que não chega,
É povo carente.

Chuva, sol,
Inverno e verão,
Carregamos do passado a cicatriz
No Nordeste, o sertão
Tudo isso em significado
Êta povo marcado,
Êta povo feliz.

Nordeste de cabra macho,
De caboclo sonhador,
De sol quente escaldante,
De violeiro cantador,
De gente bonita e forte,
De homem que não teme morte
De povo valente, lutador.’’

Copiado do Livro: Caminhos do Meu Ser

A ocupação das terras do Apodi

O processo de ocupação da terra em Apodi, até o final do século passado, pouco mudara. Praticava-se a pecuária extensiva como atividade dominante, e motivadora do nosso povoamento. Prevalecia a ocupação de terrenos ao longo dos rios, e ao redor das lagoas, em função da água, ele-mento indispensável às necessidades da atividade pastoril. Desprezavam-se as áreas do sertão de pedra, caatingas e chapada, onde a água praticamente não existia, no período do verão.

Somente na primeira metade do século XX, com a atuação do DNOCS, perfurando poços a Chapada do Apodi, começou a ser povoada, ali se concentrando, atualmente, a maior parte dos rebanhos do município, pois seu solo é de primeira qualidade para a formação e pastagens e rama naturais. 

A construção de açude, na região de pedra, também iniciada nas primeiras décadas do século XX, por iniciativa particular e do governo, possibilitou, embora de maneira lenta, a ocupação das principais terras daquela região, principalmente por criadores. Embora enfrentando os desastres da seca, o criatório sempre se colocou como atividade econômica de grande valor no município.

A importância da pecuária em Apodi é atestada na ata da Câmara Municipal de vereadores datada de julho de 1853, enviada ao Presidente da Província, em que os representantes do povo reivindicavam para a terra alguns melhoramentos. Eis o pequeno tópico: “Outros produtos oferece o solo, como azeite de oiticica, etc. Todos são mais precários que o gado.

Conforme a mesma ata, já se extraia o pó da carnaúba para a fabricação de cera. Acrescente o antigo documento da Câmara Municipal: “A extração e a fabricação de cera de carnaúba, também muito im-perfeito ainda, vai constituindo uma indústria de algumas vantagens para a prosperidade do município’’. Pode-se deduzir, portanto, que a cera de carnaúba já se destinava a fins comerciais.

Somente a partir do inicio deste século o algodão se consolidou como produto de exportação em Apo-di, com a expansão de seu cultivo, colocando-se até bem pouco tempo em primeiro lugar, no quadro de produtos agrícolas do município, em valor de produção. Devido ao ataque da praga do inseto chamado “bicudo’’, os algodões foram quase totalmente destruídos.

Escreveu Manoel Antônio de Oliveira Coriolano, velho cronista da região, que em 1921, o município de Apodi possuía seis descaroçadores de algodão, tendo produzido naquele ano. 486.172 quilos de algodão em  pluma. Não menciona o destino da produção, Mas acreditamos que foi Mossoró.
Pelo registro acima, pode-se avaliar a expansão da cultura algodoeira em Apodi, no inicio do Século XX, quando nossa população não ia além dos sete mil habitantes.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guera

A colonização do território do Apodi

A descoberta e colonização de qualquer região da terra, em todos os tempos, sempre ocorreu em função de interesses de ordem econômica, sendo a água o fator principal de atração do homem, na formação dos aglomerados humanos.

Onde houvesse fartura desse precioso liquido, elemento indispensável à vida, para ai se deslocavam as correntes migratórias de povoamento, formando povoamentos, vilas, cidades. Portanto, não se pode ignorar o grande valor que a água representa para o homem. Sem ela, jamais se poderia pensar em progresso ou desenvolvimento, em vida animal ou vegetal.  

A região do Vale do Apodi, onde as reservas d’água representam sua maior riqueza não iria constituir uma exceção, no período em que se processava a colonização no Brasil. E assim, no século XVII, aqui chegavam os primeiros migrantes, atraídos pela grande quantidade d’água existente na lagoa, nos rios e no vale.

Este valioso território era habitado pelos índios Tapuais Paiacus, originários do grupo Tarairiú, disseminados por todo o Nordeste Brasileiro, na fase do Brasil Colonial. Foram os Tapuias Paiacus, portanto, os primitivos ocupantes do Vale do Apodi, vivendo nas margens da lagoa, nos rios e na chapada. Onde praticavam uma agricultura rudimentar, a caça e a pesca. É provável que praticassem, também de modo muito elementar, o artesanato de cerâmica de barro e outras, atividades semelhantes, pois possuíam, como outras tribos, sua cultura.

Originalmente, o índio paiacu era de índole pacata, tranquilo, porém sempre disposto a lutar quando necessário fosse. Como todo índio, possuía a noção de propriedade privada, julgando-se dono da terra onde trabalhava e vivia.

Como dissemos acima, no século XVII, por volta do ano de 1680, o território da antiga aldeia recebia os primeiros visitantes civilizados. Uma expedição oriunda da Paraíba, comandada por Manoel Nogueira Ferreira, tentava o primeiro contato com os índios do Apodi. Vinha com um objetivo: ocupar boas terras, na esperança de conseguir bons rendimentos, de progredir finalmente. E para isso vinham os irmãos Nogueira também dispostos a empregar a força, violência através do bacamarte e do clavinote boca-de-sino, caso não conseguissem seus intentos por meios pacíficos. Porque assim agiam os exploradores e colonizadores daqueles tempos, principalmente em relação ao índio, sujeito a exploração de toda ordem.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Socialistas utópicos - Osório Filho

Corrente de Pensamento que se posicionava a favor da construção, de uma sociedade sem desigualdades sociais, assim sendo, era um teoria que criticava a exploração dos trabalhadores e as injustiças sociais da sociedade industrial. 

Os pensadores Saint-Simon, Proudhon, Fourier e Owem, receberam o rótulo de socialistas utópicos e/ou românticos, pois apresentavam em suas teorias uma crítica a sociedade de sua época. Além do mais, os mesmos mostravam os princípios de uma sociedade futura ideal. Para isso, era preciso deixar de existir a espoliação do homem pelo homem. Eles procuravam materializar suas ideias, partindo da proposição de que o homem possui uma natureza boa, mas o capitalismo contamina a mesma. 

Contudo, segundo eles, os homens poderiam eliminar as influências destrutivas do capitalismo através da justiça, razão e solidariedade humana. Para tanto, era indispensável a realização de reformas na sociedade, tais como: socialização dos meios de produção, extinção do direito de herança, leis sociais para proteção dos indivíduos, supressão da moeda, produção sem objetivo de lucro,organização do trabalho e direitos iguais para homens e mulheres. 

Portanto, era necessário a extinção das diferenças entre as classes sociais, pois a propriedade privada era um roubo, sustentado pela exploração do trabalho alheio. Com isso, a desumana exploração dos capitalistas sobre os trabalhadores, era fundamental a construção de uma sociedade em que os sujeitos fossem livres e iguais, para tanto esta harmonia era para existir sem a presença da força do estado, conforme os utópicos.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A emancipação política de Apodi - Osório Filho

A EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DE APODI: UMA ANÁLISE PANORÂMICA SOBRE A POLÍTICA DO PASSADO E DO PRESENTE ¹

JOSÉ OSÓRIO DE LIMA FILHO²

A vila e município de Apodi foi legalmente reconhecida pela lei nº 18 de 23 de março de 1835.
Assim sendo, esse novo município adquiriu uma relativa, autonomia do Estado e passou a ter um prefeito e uma Câmara de Vereadores próprios para a realização das atividades executivas e legislativas sobre a circunscrisão apodiense. Nesse sentido, o novo município era um povoado de categoria superior a aldeia, arraial e freguesia e inferior a cidade, pois somente em 5 de março de 1887, através da lei nº 988, o Apodi foi elevado a categoria de cidade. Para isso, a mesma, apresentava um complexo demográfico formado por importante concentração populacional.

Entretanto, não podemos esquecer que, o município de Apodi nasceu no período regencial, e nesse contexto histórico o voto era censitário. Só para exemplificar podemos dizer que, para ser um eleitor de paróquia, o mesmo precisava possuir uma renda anual de 100 mil – réis.

Por outro lado, com a instalação do regime republicano em 1889, o voto censitário foi substituído pelo voto de cabresto, quer dizer, o direito ao voto não estava mais limitado a uma renda pré-estabelecida.
Com isso, o voto era um direito dos homens maiores de 21 anos, todavia, as mulheres, os frades, os mendigos, os analfabetos e os soldados eram excluídos do processo eleitoral. Contudo, mesmo os homens livres e alfabetizados, não escapavam, na sua maioria, do poder econômico e político dos coronéis, ou seja, havia a liberdade constitucional de votar, mas não existia a liberdade real de escolher, desta forma, “Substituir-se-ia a farsa eleitoral monárquica pela farsa eleitoral republicana, com a mesma unanimidade (FAORO, 2001, p. 701.). 

Por último, na atual estrutura política brasileira e apodiense, o voto é secreto e universal, isto é, todos tem o direito de votar e ser votado, mas apesar dessa liberdade constitucional e real, não há uma consciência política dos eleitores e dos candidatos sobre a função da política na cidade de Apodi. Já que, a compra de votos é uma prática ilícita, mas perdura nas eleições apodienses. Assim, o poder delegado a sociedade civil para a escolha dos representantes públicos, não é exercido de forma libertadora e sim alienadora.


1. Artigo Científico sobre a política de Apodi.
2. Graduado em História.

Apodi destrói seus monumentos - Artigo

O antigo município de Apodi, pioneiro no desbravamento da região oeste do estado, tornou-se campeão de uma estranha competição; a de destruir seus monumentos históricos. E a gloria dessa invejável proeza, lamentavelmente, coube a nossa querida e respeitável paróquia.

Não vemos nenhum motivo que justifique esses atentados ao nosso patrimônio de coisas do passado; sejam de Apodi  sejam de outras cidades. Principalmente em em se tratando de obras sacras. É preciso acabar, de uma só vez por todas, com essa mania absurda. 

Primeiro foi o antigo cruzeiro, demolido na década de 50, com autorização do vigário. Monumento que tinha sua história. A história de um milagre alcançado. Segundo a lenda, em virtude de uma promessa feita, para erguê-lo em frente á igreja matriz, caso cessasse uma epidemia que atacava terrivelmente a população, em época distante. 

Foi esse motivo da construção do cruzeiro em Apodi, no século passado. Testemunha de gerações que o contemplaram e  ali rezaram, buscando socorro e alívio para os seus sofrimentos. Símbolo sagrado, traduzindo na grandeza e na infinita beleza do seu significado, o poder milagroso da fé. Depois, da década de 60, foi a vez dos lindos altares da velha matriz, também destruídos por ordem de um padre. Eram ornamentos de rara beleza arquitetônicas.

Ao notar a falta dos altares, uma mulher que viera de natal visitar seus familiares, emocionada, teve uma crise de choro. Perguntaram lhe então, porque tanta lágrima. Ela respondeu: ''Você não esta vendo? Mutilaram nossa igreja! Violaram o templo sagrado! As lágrimas que chorei é muito pouco para tamanho crime''. Naquele gesto emocional, o seu protesto.  Agora a vítima foi o marco do bicentenário da paróquia, assinalando os 200 anos de vida religiosa, completados no ano de 1966, quando se comemorava com festa monumental o magnifico evento. A golpes de alavanca e picareta o monumento tombou, aos pedaços, feridos pela ação de um ato impensado. Como se em vez de simbolizar um fato histórico importante, evocasse algo de maléfico. 

Tal como a mulher, que derramou lágrimas pela destruição dos altares, uma adolescente chorou ao presenciar a derrubada do monumento. Fiquei admirado, confesso, ao ver naquela jovem tão sublime e emocionante sentimento de pena, diante da cena destruidora daquele símbolo, construído com tanto carinho e espírito de religiosidade pelo povo católico de Apodi. Não era aquele o marco definitivo do bicentenário da paróquia. Estava incompleto. Inacabado. Não se tratava de uma construção improvisada, sem sentido. Havia uma planta, concebida segundo nosso passado, o nosso começo, as nossas tradições. Alguém tinha o dever de conclui-lo. Não de derruba-lo.

Fonte: Apodi, Sua História - Valter de Brito Guerra

terça-feira, 16 de abril de 2013

A história na sua vida - Osório Filho

A HISTÓRIA NA SUA VIDA¹

 JOSÉ OSÓRIO DE LIMA FILHO²

Nos dias de hoje, estamos dentro do mundo capitalista, isso significa dizer que existem pessoas que têm muito dinheiro e outras que têm pouco, enquanto outras não tem. Assim, as pessoas precisam trabalhar para sobreviver, isto é, o trabalho é uma forma de ganhar o pão de cada dia, para uns; Enquanto para outros é a forma de acumular riquezas e, por sua vez, “luxar’’, através do consumo exagerado de bens materiais.

Assim sendo, existe um estado que regula as relações das pessoas na sociedade capitalista, ou seja, os bens das pessoas são protegidos através das leis e dos militares. Para isso, o estado precisa da ajuda das escolas para manter as coisas como estão, quer dizer uns pobres e outros ricos. Dessa maneira, o ensino nas escolas mostra que todos têm a oportunidade, assim basta querer e se consegue. Todavia, o ensino de história colabora na manutenção dessa sociedade injusta, pois o ensino não contribui para a mudança dessa situação, ou seja, o aluno, na sua maioria, não vê as causas da preservação da miséria.

Portanto, apesar de tudo isso, podemos ver uma luz no fundo do poço, quer dizer, as pessoas que através do ensino; na educação escolar, buscam melhorar e transformar as coisas, a partir do momento em que demonstra os caminhos para transformar a realidade vivida, ou seja, a maneira de pensar e/ou agir. Contudo é por meio desse ensino que adquirimos conhecimento, e conhecimento é poder.

1. Texto básico para jovens do 8º e 9º ano.
2. Graduado em História pela UERN.

Marcelo Nunes - ganhador da Vaqueijada Porcino Parque



Representando o Leite ILA de Apodi o apodiense Marcelo Nunes ganhou o primeiro lugar na maior vaquejada do Porcino Parque Center em Mossoró/RN, com mais de 150 mil reais em prêmios. O Vaqueiro Marcelo ganhou mais de 15 mil reais na categoria profissional.

Marcelo Nunes juntamente com seu companheiro Romário Nunes representaram o Leite ILA Apodi, do empresário Dalton Filho.

Copiado do blog do Erivan Morais.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Os Piaus Azuis do Apodi

Sobre a história dos piaus do Apodi, escreveu o nosso saudoso Antônio Campos e Silva, no seu estudo intitulado “Geografia e Geologia do Apodi no século XIX.’’

“Manoel Antônio de Oliveira Coriolano, velho cronista sertanejo da ribeira do Apodi, herdeiro do pioneirismo do padre Florêncio Gomes de Oliveira, escreveu em 1895, no Almanaque do Rio Grande do Sul, um artigo sobre a região. Não sabemos o conteúdo exato de sua colaboração, apenas sendo possível situá-la graças à informação de Nestor Lima (1937,58)

Dentre outras coisas referia-se Oliveira Coriolano aos curiosos piaus azuis, louvando-se na mencionada “Memória’’ do padre Florêncio. A citação foi objeto de criticas mordazes da parte de alguns missivistas daqui levando o cronista apodiense a escrever um artigo magoado, no qual transcreve trecho do trabalho do sacerdote objeto deste ensaio. O artigo foi publicado no “O comércio de Mossoró’’. (um jornal, na época).

Além de permitir a visão de mais um aspecto da obra do antigo vigário do Apodi, levanta um problema muito curioso, o desses peixes azulados (...) que morrem quando as águas secam, e se reproduzem quando elas se tornem a juntar.

Não conhecemos nenhuma referência posterior aos piaus azuis. Ignoramos mesmo se são, de fato, piaus, peixes do gênero Leporinus, muito comuns no Nordeste.

Ante a presença de cavernas e o surgimento dos piaus azuis na época das enchentes, é de se perguntar se serão eles uma espécie adaptada a vida cavernícola? A coloração azulada parece depor pela hipótese. Por outro lado, no período de chuvas, com o transbordamento das águas das cavernas, seriam lançados à superfície.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

Becos da Vida - Mônica Freitas

Andando por um caminho,
desses que o povo cria,
encontrei dois jovens tristes
com rostos em desalinho,
num beco estreito e sujo,
ao qual, chamamos de via.

Dei um bom dia sorrindo,
mas a resposta foi muda.
A jovem ainda olhou
como flor que vai se abrindo.
Mas o aspecto do olhar, 
mendigava uma ajuda

O jovem, seu companheiro,
tinha o olhar de cão
desses que guardam as casas
daqueles que têm dinheiro.
Casa bonita e segura, 
mas nada no coração

Eles passaram por mim
sem nem me dá atenção.
Continuaram o caminho
que parecia sem fim.
Fiquei olhando de longe
até faltar a visão

Alguém passou e me viu, 
naquela admiração.
Parou e me perguntou:
-Você tombou ou caiu?
Alguém lhe fez algum mal?
Ou perdeu algo no chão?

Respondi: Estou olhando
dois jovens que aqui passaram;
pareciam tão estranhos 
 e eu fiquei admirando.
Acho que nem perceberam
que algo em mim despertaram

O homem me olhou sorrindo
e disse sem timidez:
você parece que bebe,
e não vê o sol se abrindo?
Aqueles dois delinqüentes
Ninguém sabe de onde “vei”

Moram lá no fim da via;
num barraco de madeira;
abandonaram as famílias
pra viver na bebedeira;
o nome dela é Maria;
a mulher de fim de feira

Ele se chama José;
moleque algoz e safado.
Vive de beber cachaça
e fazer o que é errado;
apareceram aqui 
sem se saber o passado

Aquelas palavras soltas
só me fizeram pensar
no que havia causado
a amargura do olhar, 
da jovem quando passou 
que a mim não quis falar

Daquele dia em diante 
pus-me a raciocinar...
Como chegar aos dois jovens
sem que eles percebessem 
que o meu objetivo
era lhes investigar.

Fiquei muito tempo ainda
sentado em uma calçada;
depois resolvi andar 
como não quisesse nada;
fui andando pelo beco
que da vida é uma estrada

Chegando ao fim do beco
procurei com o olhar
para encontrar o barraco
que havia ouvido falar.
Quando achei, fiquei olhando
pensando em como chamar.

Bati palmas: -ô de casa!
E ninguém me respondeu.
Novamente falei alto
e o jovem apareceu,
disse:  que quer aqui?
Eu não peguei nada seu.

Eu olhei no rosto dele
e disse com paciência:
-Eu procuro um abrigo;
estou sem rumo e clemência,
fui acusado de roubo,
mas declaro inocência.

O jovem olhou para mim
com ar de desconfiado;
mas mesmo assim me falou:
- eu também sofro esse mal
nojento e desgraçado
sou vítima do meu passado.

Enquanto ele falava 
fui entrando devagar;
vi que dentro do barraco
nada havia pra sentar
apresentando a pobreza 
existente no lugar

Olhando aquela imagem
e escutando as palavras 
que o jovem me falava;
fui comparando a paisagem
à forma como olhou
a jovem quando passava.

O cômodo era um só 
com duas redes armadas;
não existiam os móveis,
as roupas amontoadas,
lá no fundo uma trempe
com carvão esfumaçava.

A jovem com um papelão
ao fogo, abanava,
um pote lá no cantinho
cheio de água estava;
no outro canto do cômodo
um enferrujado latão.

Sentei-me, mesmo no chão
e comecei a chorar;
a jovem se levantou
e veio a me observar;
os dois me olhavam tristes
querendo compreensão.

Me aproveitei da tristeza 
que neles a fiz brotar;
falei da angústia minha
em ter que me esconder;
eles logo se sentaram
e começaram a dizer:

A jovem falou do sonho
de casar e ser feliz;
com um jovem que amava.
O jovem falou da escola
que estudou no passado
pensando em ir a Paris.

Quando ouvi aqueles sonhos
também falei da minha vida
e dos sonhos que eu tinha 
de mudar a direção
da vida da juventude
de esperança perdida.

Maria não se conteve
e começou a chorar.
Lembrou da sua família 
do seu pai e do irmão,
disse com voz trêmula e falha
- Meu pai não tem coração

Hoje estamos nessa vida
por falta de amor de pai;
meu irmão é o único homem
que me faz sentir a paz.
Meu pai foi o causador
da minha vida perdida

Com doze anos de idade
ele me violentou.
Meu irmão por piedade
com coragem me adotou.
Fugimos da nossa casa
pra viver nessa cidade.

Hoje vivemos assim
Sem esperança de nada.
Largamos nossos estudos
e nos pusemos na estrada.
Lá em casa eu não podia
dormir sem ser acordada

Minha mãe morreu bem cedo
de ataque no coração.
Daí em diante o medo
passou a ser maldição.
Meu pai foi o homem mal
que me feriu sem perdão

Além de me deflorar,
batia-me com chicote,
me jurava todo dia, 
me ameaçava de morte,
ao meu irmão já dizia
que podia esfaquear.

Ao ouvir aquela história
comecei a refletir;
que a violência existe
sem termos pra se medir,
que o instinto animal
ainda se faz fluir

mesmo o homem tendo a história
da ciência em sua mão;
e ainda alcançando a glória
da tal globalização;
ainda vive em seu peito
as trevas da servidão.

Ele serve ao seu ego
como cão sem direção,
o pensamento é insano,
o corpo é matéria bruta,
a mão fere sem pensar,
amargo é seu coração

Quantas “Marias” não vivem
na nossa sociedade?
Quantos meninos são postos
A mercê da crueldade
dos homens, que só são homens,
pela lei da humanidade?

Para pensar no futuro
de uma nova pessoa;
temos que não escutar
a voz que forte ecoa,
o nosso coração duro
nós temos que controlar

Somos homens, ou mulheres,
com instinto animal,
mas também somos os seres
com ciência universal,
que nos permite o controle
de um pensamento mal

Uma criança estuprada, 
violentada e sofrida;
pode não ter no final
a esperança perdida,
mas pode sofrer o trauma
que dura o resto da vida.


Para Juan e Maria
a esperança morreu,
a história de suas vidas
é exemplo todo dia.
Precisamos combatê-las
evoluir nosso “eu”

A Biologia explica
o instinto animal,
Mas a Psicologia
veio para dar sinal
de que as nossas ações 
podem fazer muito mal.

A conscientização, 
é uma necessidade, 
assim como, a ação,
é a mão da liberdade
para denunciar falhas
que causam a violência
na nossa sociedade.

Andando em becos da vida
encontrei uma história.
Sei que também tem a sua,
guardada lá na memória.
Não se cale, traga à tona.
Faça jus à sua glória.

domingo, 14 de abril de 2013

Minha Terra (Apodi) - José Martins de Vasconselos

Vinha de longe, de outras terras vinha
Comando em ti, a luz d’um sol candente
Quando visei-te no tapiz florente,
Formosa e ativa, ó meiga terra minha.

Vi-te cingindo um arrebol que tinha
Uns nimbos de ouro sob o céu ridente;
Ria a teus pés um estendal virente
De um lago ameno, aonde o amor se aninha!...

Via a igrejinha de São João Batista,
Nosso patrono; e a capelinha antiga
Do cemitério, onde fui batizado..

Quanta saudade nesta tarde quista
Tive de ti, como da quadra amiga
De minha infância, ó meu torrão amado

Mossoró, 08 de agosto de 1903

José Martins de Vasconselos



Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

Lamento Poty - Mônica Freitas

Numa dessas tarde vagas;
que a gente põe-se a pensar;
caminhei até a margem
de um oásis potiguar
pra ver lá o pôr-do-sol
desse recanto Poty;
uma imagem sempre bela
da cidade do Apodi,
mas ouvi gritos e ecos
da lagoa a me pedir:

-Sei que estás a contemplar
minha beleza serena,
mas quero te implorar
por piedade divina,
escute-me, preste atenção!
Olhe para o meu estado;
veja se há condição
de deslumbrar seu olhar;
e causar-lhe inspiração?

Estou seca, soterrada,
esgotada e depenada
como inocente em prisão.
Pergunto-me: qual o crime
que me dá condenação?

Fui personagem marcante
Da história de Apodi
Que às minhas surgiu
Com o nome de Poty
Sinto saudades do povo
 Que sobreviveu aqui,
Dos nativos que banhei,
Alimentei e criei;
E sabiam retribuir.

Minhas águas já banharam
muitos que aqui cresceram.
Meus peixes alimentaram,
todos que aqui nasceram.
Meu pôr-do-sol deslumbrante;
quem viu pôde contemplar;
era uma rara beleza.
Fui princesa do lugar.

Hoje, vivo a chorar;
mergulhada em desespero;
as substâncias malignas;
derramadas no meio leito;
me maltratam, ferem o peito,
cravam o meu coração;
já não posso servir mais
a minha população.

Sinto vergonha do cheiro,
que as minhas águas exalam;
logo na porta de entrada;
e os que passam o inalam;
cada dia, vou morrendo,
perdendo a felicidade.
Peço socorro urgente!
Por que tanta crueldade?

Ao ouvir esse lamento
me senti envergonhada.
As lágrimas molharam o rosto
e se misturaram às águas
da lagoa em aflição.
Aquele lamento triste
tocou o meu coração.

Por muito tempo guardei;
aquela imagem sagrada;
da lagoa do Apodi,
chorando envenenada.

Agora transformo em versos;
integrantes das canções;
que despertam corações
e chamam as atenções;
dizendo que a natureza,
é viva, sorri e dança;
quando trocamos com ela
a alegria que alcança.

Mas quando não a amamos,
ela entristece e chora;
pode até não ser ouvida
por aqueles que não sentem;
que o amor traça a história;
dos que zelam pela vida.
E encontram em simples versos
a maneira mais sutil;
de resgatar a pureza;
de uma riqueza perdida.

sábado, 13 de abril de 2013

A Origem da Família Marinho

A Família marinho, no Apodi, tem sua origem, segundo uma tradição oral, num fugitivo da região amazônica, aqui chegando na primeira metade do século passado. A história, contada por pessoa da genealogia marinho, resume-se mais ou menos o seguinte:

No tempo em que o crime de sedução era unido com rigorosidade, e corria perigo à vida do criminoso, certa pessoa envolveu-se num desses crimes naquela região. Sabedora de um rigoroso plano de vingança contra sua pessoa, pela família ofendida resolveu fugir.

Depois de escapar de algumas ciladas, embarcou providencialmente num navio com destino a Fortaleza. Dali rumou para o Rido Grande do Norte, vindo para no Apodi, onde ficou salvo dos perigos aqui estava exposto.

Trocando de nome, como era natural, passou a se chamar-se Manoel Marinho. Este sobrenome Marinho, ele passou a usar, como uma reminiscência, uma recordação dos mares por onde iniciou a fuga, embarcada naquele navio. Esta é, de acordo com a tradição, a origem da família Marinho o tronco genealógico primitivo-Manoel Marinho.

Numerosíssima, tradicionalmente composta de agricultores e comerciantes, radicados nas várzeas do Apodi, a família Marinho tem tido posição de destaque nos pleitos eleitorais. Aqui estão os exemplos: Júlio Marinho foi eleito vice-prefeito em Apodi em 1952, Isauro Camilo de Oliveira, que não usa sobrenome Marinho, mas é neto de Pedro Marinho, elegeu-se vice-prefeito em 1958 e prefeito em 1962, para depois, em 1962, novamente chegar à prefeitura, através de outra eleição. Hélio Marinho foi vereador, vice-prefeito, em 1982 foi eleito prefeito pela legenda do PDS. Sua esposa foi eleita vice-prefeita com o prefeito Simão Nogueira Neto. E seu filho Marcondes Marinho já foi o presidente da Câmara Municipal de Apodi

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra.

Rosas que falam - Mônica Freitas

Tímidas cores caladas;
ou vibrantes cores que falam.
São rosas, são flores, e sonham.
O cheiro, às vezes suave;
ou forte... que sempre exalam.

As pétalas da rosa-mãe;
macias sempre.
Prometem acariciar
A pele dos seus renascentes.
Se tristes, sofrem e choram,
Murcham sem seu acalento,
morrem sem seu alimento.

Em mar de alegria se envolvem;
nos evasivos momentos;
que o amor revela a vida,
a paz e a alegria
e abatem seus sofrimentos.

Ornam os diversos sonhos;
colorem os espaços sombrios
avivam os olhos dos homens
com suas belas magias.
Mas também embalam a morte;
se esmeram para renascer
diante dos desafios.

Revivem-se em botões
para se tornarem flor.
Se desmancham em pedaços
Para andar junto ao amor.
Por isso, logo refazem
tudo que o mal matou.

Não são plantas, são raízes
de todas as gerações.
São mães, são filhas, são flores;
São rosas e são mulheres
Que ajudam a despertar
O amor nos corações

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Um Voluntário do Apodi na Guerra do Paraguai - Por Raimundo Nonato

Nos momentos revolucionários, nas lutas políticas e eleitorais sempre se notou a presença e a participação dos apodienses. Até para a guerra do Paraguai o Apodi deu a sua parcela de contribuição valiosa, andando vários de seus filhos para combater Lopez. A propósito desta notícia, transcrevemos do escritor e historiador Raimundo Nonato da Silva o seguinte e interessante relato:

“O Apodi com muitos dos seus recrutas, agarrados no mato a dente de cachorro, para a guerra do Pa-raguai. E não foram poucos os caboclos dali que seguram para matar Lopez: deles, pobres patriotas, não resta uma notícia ao menos. Todos desaparecidos, no anonimato dos chacos paraguaios, sem uma inscrição , sem uma cruz... Contudo, depois de inúmeras e infrutíferas pesquisas que vinha pro-movendo, o posta Cosme Lemos descobriu um roteiro. E por ele, articulando os dados de uma tradição oral, quase desaparecida, conseguiu arrancar do seu esquecimento o caboclo João, que de volta da campanha todos chamavam João Mãozinha, patriota humilde, obscuro, filho de gente sem nome, ali mesmo da várzea. 

As afirmações adiantaram que o mestiço do Córrego das Missões apresentou-se de as própria vontade, para seguir para a guerra, enquanto os outros eram recrutados à força e amarrados. O major Barra, residente em Malhada Vermelha, que prestava aqueles esclarecimentos era sertanejo da velha guarda, desconfiado de humor sarcástico, a duvidar, a levantar objeções sobre qualquer coisa... 

Por isso, à pergunta se o voluntário de Apodi chegara mesmo a entrar em combate, respondeu: “Que ele andou metido em batalha não afirmo. Não resta dúvida que estava em guerra. Quando o cabra apareceu era uma desgraça. Menti de fazer pena; só falava em nome de gente grane, em lugares importantes e não tirava da boca os nome de Ozório, Caxias, Polidoro e Argóllo, ou Curuzu, Passo da Pátria, Homaitá, Curupaiti. Mas a verdade é que, o caboclo João voltou arrastando de uma perna, com um braço de menos e o corpo todo esburacado de bala.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

Sentidos Incompletos

Existem coisas que vemos,
Porque os olhos enxergam;
Mas não produzem no ser
O encanto da paisagem
Ao olhar, fazem sentir
Que estamos vendo à frente
O terror de uma visagem.

Há coisas que o tato sente
Mas não gosta de sentir
Diferente do carinho
As sensações que produzem
Arrepiam de temor
Sentimos porque vivemos
Mas não nos fazem sorrir.

Há palavras que são ditas
Porque temos dicção
Elas saem pela boca
Parecendo um furação
Mas não produz em quem ouve
O som perfeito do amor
Do fundo do coração.

Há também o que se ouve
Porque o ouvido escuta
Mas até o tom de voz
Produz a música astuta
Que tenta levar o ouvinte
A viver grandes conflitos
Que pra sair, é uma luta.

Já as roupas que vestimos,
Às vezes não são bem próprias;
Mas somos nus, precisamos!
Encobrir o natural
Mas esses panos nojentos
Parecem nos fazer mal.

Às vezes o que comemos
Não nutre nem alimenta
É engolido à força
Que nem gosto de pimenta
Mas comemos pra mostrar
Que somos civilizados
E que podemos usar.

Já as nossas diversões
Com o tempo escorregam
Só promovem a alegria
De uma alma em trevas.
É por isso que às vezes
nos esvaímos em lágrimas
quando lembramos momentos
na existência tardia.

Outras vezes construímos
Só os sonhos absurdos
Não combinamos com a alma
Pra fazer os sonhos puros
Precisamos sentir dor
Como suporte alegórico
Para encontrar a calma.

Oh vida cheia de curvas!
Diz a nossa humanidade.
Na verdade ela é fútil
Quando não produz bondade.
Viver no mundo dos sonhos
É se esconder da verdade.

Mentir que não é errado
é sonhar em ser perfeito.
Escolher a perfeição
é sonhar sem ter direito,
pois só um homem na história
trouxe o dom de ser direito;
mesmo assim foi açoitado,
morto e crucificado
pra redimir nossos feitos.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A Briga por São Miguel - Por Raimundo Nonato

A causa de uma antiga rivalidade que existiu entre Apodi e Caraúbas, é relatada pelo historiador Raimundo Nonato da Silva da seguinte maneira: 

“Entre Apodi e Caraúbas sobreviveu uma velha rivalidade, nascida ao que diziam; por causa de uma imagem de São Miguel, que estivera na capela do cemitério desta última cidade, ale pelo ano de 1866. 
O fato, é conhecido e relatado pelos mais velhos, resume-se mais ou menos no seguinte: 

Um dos troncos da genealogia da família Cachoeira, o seu velho patriarca, capitão Leandro Bezerra, que foi também o fundador de Caraúbas, era homem religioso e fez levantar uma capela em terras de sua fazenda, sob a invocação de São Miguel, cuja imagem mandou buscar na cidade de Recife. 

Para o dia do batismo, que seria feito pelo Padre Faustino, do Apodi, o capitão Leandro preparou uma festa. O vigário ali presente, verificando então o tamanho da imagem para um oratório particular, aconselhou o chefe daquela gente, a mandar colocá-lo na matriz do Apodi, no que foi atendido. 

E os tempos se passaram... até que foi criada a freguesia de Caraúbas. Ali os herdeiros do capitão Leandro apareceram, levantando a questão sobre o direito da imagem, que segundo eles afirmavam, era deles e não dos apodienses. 

A situação chegou a se complicar tomando o caráter d briga. Os do lado de Caraúbas ameaçaram de vir buscar o santo à força e a gente do Apodi, tratou de preparar as armas para a reação. 

Estavam as coisas nesta altura quando o bom senso retornou. Entraram em entendimento. Voltaram às boas e fizeram as pazes. Mas resquícios do desentendimento não se apagaram, e entre os habitantes de Apodi e Caraúbas ficou a sombra daquela incompreensão, uma desconfiança sem ódio, sem animosidade’’. 

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

O Nascimento da Poesia - Mônica Freitas

Era um dia de calma.
O homem adentra sua alma;
no espírito, brilha a luz;
e assim, surgem as palavras
dentro do ser que o conduz.

Fecunda em seu coração
sementes em turbilhão;
crescem no útero mãe
e geram a inspiração.

Nasce assim a poesia;
menina, mãe da magia;
que do amor canta os traços;
da tristeza, os entre laços;
da solidão, é os braços,
que carrega com hilários
os poetas solitários.

Do amor, é o sentimento
cantando o seu momento.
Das mulheres, a pureza,
que o homem vê na beleza.
Também encanta com salmos
a melodia suave
do canto da natureza.

És tu, bela poesia
Que canta e encanta o canto...
Da tristeza, do amor,da paz e da alegria.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Santa do Naufrágio - Por Nonato Mota

Segundo o nosso cronista Nonato Mota, a imagem de Nossa Senhora da Conceição do Apodi teria vindo de Portugual, a pedido do português Antônio de Mota Ribeiro, aqui residente e primeiro procurador da freguesia. 

Outro historiador, Manoel Antônio de Oliveira Coriolano, nos seus relatos sobre a história do Apodi, mercionava que a verenda imagem fora adquirida por Miguel Rodrigues da Silva, em Portugal, e custara na quela época, ano de 1765, a quantia de cem mil réis. 

Adianta ainda Coriolano, escrevendo sobre os acontecimentos do passado, haver naufragado nas costas do municipio de Touros, o navio que conduzia o vulto da santa. Encontrando o caixão pela barra do rio Açu fora o mesmo encontrado por um pescador. Verificando-se o distico Várzea do Apodi, foi o fato comunicado ao cura das Missões de São João Batista do Apodi, padre João da Cunha Paiva. 

Ao ter Ciência do acontecimento, o povo do Apodi organizou uma comitiva, para trazer em procissão até o altar de sua igreja, a padroeira do lugar, o que foi feito, realizando-se na ocasião a benção litúrgica da imagem. 

O fato de haver salvado-se do naufrágio a imagem vinda de Portugal, sem sofrer nenhum estrago, foi considerado pelos habitantes do Apodi, como um acontecimento realmente milagroso. Por esta razão, a partir daquela época, o apodiense dedica á sua padroeira, fervoroso culto. 

Conta a história, que do acidente ocorrido há duzentos anos, resultara apenas um pequeno defeito nas cores do nariz da imagem, símbolo de fé e devoção da gente católica da terra.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

Canto à Minha Terra - Mônica Freitas

Ai querida Apodi, das terras dos tapuias-paiacus
Apodi de um tempo árido, mas de riquezas profundas
De muitas águas no sertão, formando oásis azuis.
Minha Terra tão amada, tão sofrida, mal cuidada,
de séculos de caminhada, inércia, num sono inunda.

Apodi minha cidade, das saudades de um lugar
em que se possa viver na terna sociedade
onde a vida aperta a tecla e corre a funcionar.
Ver-te assim adormecida em valentes confusões
faz brotar fortes desejos de vê-la como a CIDADE.

Terra de imagens fascinantes
dos povos, dos ritmos, dos sonhos e da história:
de um Lajedo Cultural que guarda a primitividade
de uma lagoa imensa com sentimento materno
de crença profunda no Deus que merece a glória.

Eu te gosto MINHA TERRA!
Amo-te igual a paixão da vida que dedico a mim,
mas não posso escurecer-te a guerra,
os fatos que a tornam inércia, das falhas de uma história
que fazem a nossa gente ver tudo chegando ao fim.

Apodi de muitas falas, de muitas honras cultuadas
de paisagens e figuras, de culturas e imagens
e de histórias que urgem serem redesenhadas
É agora a Terra Querida, que se não tratada assim
perderá as esperanças, tantas vezes renovadas.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Reversão - Mônica Freitas

  
Tem dias que o mundo chora;
E não sabe o porquê;
Mas chora, sem ter consolo
Tem dias que a vida parece ser a morte;
Perde-se na chamada sorte
A sorte dos seres.
Nesses dias o sol não brilha;
Ele chora.
Tudo o que rege um sonho alegre
Agora é triste
Parece até que o amor já não existe;
Foi abolido dos sonhos
Pelas atitudes dos homens sórdidos.

Mas o que é o homem sem o amor?
Apenas um trapo de seu próprio ego.
Não anda, não pensa, não sonha;
Não vive para ser, um ser.
Não cuida do mundo e dos outros seres;
Não cuida da vida, nem mesmo da sua;
Seu mundo é vazio, seu brilho é cego.
Seus membros trabalham para mal fazer;
Este homem sórdido, que não tem amor.
Envergonha a vida da humanidade;
Destrói as florestas, os rios e os mares,
Explode montanhas e joga aos ares
Não pensa na vida do seu semelhante.

Este mesmo homem;
Também não respeita o sonho guardado;
Não sabe escutar a voz do vizinho;
Impõe sua vontade no meio da rua.
Troca o som sereno de rara beleza
Pelo grito forte de um vulcão ativo.
Seus braços não sabem;
Guardar o abraço.
Seus lábios traduzem os sons da maldade.

É isso que o mundo precisa saber;
A razão do pranto dos seus dias tristes.
Repensar a vida dos seres terrenos,
Replantar o amor e deixa-lo crescer;
Estender-se a todos sem se exceder;
Reverter o quadro cruel e maldito das sociedades,
Transformá-lo em campo de plena beleza,
Ambiente claro, onde não há tristeza,
Concertar a tempo os seus precipícios,
Ou será perdido nos seus próprios vícios.

Os Jesuítas no Apodi

Sobre a fundação da Aldeia dos índios do Apodi, registra o Pe. Serafim Leite, na sua História da Companhia de Jesus no Brasil, terem sido os Padres Jesuítas João Guincel e Felipe Bourel, alemães, os primeiros missionários catequistas, aqui chegados em janeiro de 1700.

O Padre Bonifácio Teixeira veio depois. Foi tragicamente morto pelos índios, os quais travaram violenta luta contra uma tropa de soldados que veio impor a ordem, face às perturbações provocadas pelos selvagens. O Padre Felipe Bourel, segundo a mesma fonte histórica, era considerado santo e sábio. Conta a história que ressuscitara uma criança que morrera sem batismo. Vendo a mãe chorar, mandou desenterrar a criança que ainda durou algum tempo. Uma pintura desse fato ocorrido na Aldeia do Apodi, foi conservada durante certo período.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Informação biográfica do fundador do Apodi

Manoel Nogueira Ferreira nasceu na cidade de Nossa Senhora das Neves, atualmente João Pessoa, na Paraíba, no dia 15 de maior de 1655, filho legítimo de Matias de Freitas Nogueira e sua mulher Antonia Nogueira Ferreira. Casou-se com Antonia de Oliveira Correia natural de Pernambuco.

Faleceu na sua fazenda Outeiro, no município de Apodi, em 17 de janeiro de 1715, era pai de Margarida de Freitas, mulher que ficou famosa e muito conhecida na Ribeira do Apodi, pela grande quantidade de terras que possuía na região, casada com o português Carlos Vidal Borromeu, que veio morar em Portalegre na primeira metade do século XVIII.

Fonte: Apodi, Sua História -Válter de Brito Guerra

Os habitantes primitivos do Apodi

Quais foram os primeiros habitantes do Apodi? 

Os primeiros habitantes do Apodi foram os índios Tapuias Paiacus, pertencentes ao grupo étnico cultural TARAIRIÚ. 

Quantas famílias indígenas habitavam em Apodi, quando Manoel Nogueira Ferreira chegou a este território, em 1680?

Não há registro para uma informação exata. Entretanto, com base num documento publicado, posteriormente pode-se estimar que quando Manoel Nogueira Ferreira chegou a este território em 1680, havia entre 120 e 150 o número de famílias aqui residindo em Apodi. 

Como eram os índios, seus costumes, hábitos? 

Alguns historiadores afirmam que o paiacu era de estatura alta, enquanto as mulheres eram de estatura baixa, gordas e de boa aparência. 
Os homens era fortes, robustos e possuidores de muita força, tinham cabelos pretos e pele trigueira. Andavam inteiramente nus. Os homens colocavam um cendal nas partes genitais e as mulheres usavam um avental confeccionado de folhas. Usavam sandálias feitas de casca de uma árvore que chamavam de caraguá. Pintavam-se com tinta de jenipapo e urucu. 

Quantos anos vivia, em média, um índio da tribo paiacu? 

Segundo os historiadores cronistas, o tapuia paiacu podia viver até 200 anos, ainda lúcido, e capaz de transportar nos ombros, razoável peso. 

Quando adoecia um paiacu, como os demais da tribo para conseguir a cura? 

Algumas providências eram tomadas. Defumações com tabaco, introdução de folhas de certos vegetais na garganta do enfermo, para provocar vômitos, aplicação de salivas, e outros recursos sempre valendo-se da flora medicinal. Quando o doente era considerado incurável, a própria tribo o matava com golpes de clava, a fim de evitar o sofrimento do paciente. Matadores e condenado congratulavam pelo ritual macabro. 

Como era feito o casamento entre os índios? 

A moça tapuia casava-se muito jovem. Aos primeiros sinas da puberdade, a mãe a levava ao conhecimento do rei da tribo. A moça era então guardada na casa dos pais. Uma vez conseguido o noivo, o rei autorizava o casamento, o qual era realizado com festas, cânticos e festas. Caso não aparecesse um noivo para determinada donzela, esta era levada à presença do rei que, conforme os costumes da tribo a desvirginava. Os índios paiacus eram polígamos.Isto é podiam possui várias mulheres. 

O adultério era tolerado pelo homem? 

Não. A índia que fosse falsa ao seu marido podia ser punida até com a morte. Registram os cronistas que o adultério entre os índios era coisa rara. 

Quando um índio matava outro da mesma tribo, o que acontecia? 

O matador ficava responsável pela esposa e os filhos do morto. 

Como eram os instintos dos Tapuias Paiacus? 

Segundos os historiadores que se preocuparam em relatar os costumes, hábitos e vida da nação tapuia, era esta temida pelas demais tribos. O tapuia tinha o semblante ameaçador, era feroz e cruel. Para atacar o inimigo usava a surpresa, a emboscada. Possuía o instinto de guerrear, de matar e de fazer sangue, exercitado nas mortes das caças e das feras. 
Morava em tocas feitas de pau, cobertas de palhas ou ramos, Por ocasião das secas, emigravam para outras regiões, retornando quando as chuvas voltavam. Tinham os hábito fazer grandes fogueiras à noite, onde estendiam suas redes, para se aquecerem. 

Como se alimentavam os Tapuias Paiacus? O que comiam? 

A alimentação básica do Tapuia Paiacu era a caça, peixes, mel de abelha, alguns produtos de roça, tais como milho, mandioca, jerimus e frutas. Apreciavam cobras e lagartos. Eram fortes, saudáveis e possuidores de grande apetite. Não tinham o costume de guardar alimentos para o dia seguinte. Comiam tudo no mesmo dia. Registra um cronista que um índio tapuia consumia de uma vez, alimentos que saciaria a fome de cincos brancos. 
Outro hábito estranho, praticado pelos Tapuias Paiacus era o endocanibalismo, que consistia em comer os membros da própria tribo, inclusive os ossos dos falecidos, que depois de secos eram pulverizados, depois de torrados e ingeridos com bebidas. Também era comum entre os paiacus, a antropofagia contra os inimigos da tribo, os quais eram dilacerados por feroz vingança e comidos pelos silvícolas. 
No ano de 1683, vendo a invasão de suas terras pelos brancos, em virtude das sesmarias que iam sendo concedidas, os índios tapuias, na defesa de suas terras, a posse, pois tinham consciência desse direito adquirido, rebelaram-se contra os curraleiros em todo o Rio Grande do Norte. Houve um extenso período de lutas, que tiveram seu final 40 anos depois. 
A essa revolta deu-se o nome de Guerra dos Bárbaros. Milhares de índios foram mortos durante o levante. Muitos foram salvos pelas missões religiosas, como foi o caso dos Tapuias Paiacus de Apodi, que estavam aldeados pelos missionários, inicialmente pelos jesuítas, aqui chegados em janeiro de 1700.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra