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sábado, 27 de abril de 2013

O local do mistério - Osório FIlho

A luz que se abre!
O sol que brilha!
As estrelas somem!
O mar soou...

A ilusão do mundo...
A vergonha do ser...
O temor de morrer...
As respostas sem sentido...

As verdades do meu interior...
Soluções imprecisas...
A mentira da consciência...

Ora vivo sonhando!
Ora estou sem pensamento!
A mente não compreendida!

(Soneto da minha adolescência de 16 anos).

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Apodiense Elequicina dos Santos é eleita vice-presidente do Fórum Nacional de Transporte

A secretária de Mobilidade Urbana de Natal, Elequicina Maria dos Santos, foi eleita a nova vice-presidente do Fórum Nacional de Transporte para gestão 2013/2014 na tarde desta terça-feira (23), durante Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável, em Brasília (DF), que reuniu mais de 45 secretários de transporte do Brasil.

Além de Elequicina Maria dos Santos que focará a questão do trânsito nas grandes cidades, o Fórum Nacional de Transporte contará com o presidente Renato Gianolla, servidor de carreira da Urbes – Trânsito e Transporte desde 1989 e Secretário de Transporte de Sorocaba (SP) desde 2006; Vanderlei Luis Cappellari (secretário municipal de Mobilidade Urbana de Porto Alegre (RS) para assuntos relacionados ao transporte público; e Paulo Moretti, diretor de Transporte de Campo Limpo Paulista (SP), que tratará de assuntos sobre mobilidade urbana para pequenas cidades.

O Fórum reúne secretários e dirigentes de trânsito e transporte das cidades brasileiras. Anualmente, são realizadas de três a quatro reuniões com o objetivo de permitir que os secretários e dirigentes partilhem informações e experiências, conheçam novos conceitos e ideias sobre mobilidade urbana, transporte e trânsito e discutam e opinam sobre projetos de lei, normas e outros dispositivos legais com vistas a buscar esclarecimentos junto a autoridades ou mesmo sugerir alterações.

por Gerlane Lima

Copiado do Apodiario

O Pessoal do Tarará em Felipe Guerra e Janduís


 
O Grupo de Teatro O Pessoal do Tarará chega em Felipe Guerra e Janduís, com o espetáculo Sem Palavras. Nesta quinta-feira, 25, o grupo mossoroense apresenta espetáculo em Felipe Guerra, no Teatro de Arena, em praça pública, às 19h, numa parceria com o projeto Abelhar. Na sexta-feira, ainda em Felipe Guerra, O Pessoal do Tarará apresenta o espetáculo em uma comunidade. No sábado, 27, será a vez da população de Janduís assistir Sem Palavras, dentro da programação de aniversário da Companhia Ciranduís, de Janduís.

Sem Palavras é um espetáculo onde O Pessoal do Tarará dá prosseguimento ao seu projeto de pesquisa, em cima de uma dramaturgia do corpo, onde abre mão da linguagem verbal, sendo, para o grupo, a conclusão de uma pesquisa anterior, iniciada no espetáculo O Pulo do Gato (2009).

A montagem é feita para apresentação nos mais variados espaços, desde circos, rua, sala e até palco italiano. São vários quadros, onde O Pessoal do Tarará investe, desta vez, numa comédia com tom de desenho animado, sendo influenciado pelos desenhos do Pateta, do Tom e Jerry, e da revista em quadrinho, que pode ser percebida nos corpos dos atores.

O Pessoal do Tarará neste espetáculo abusa de seu dedicado e delicado trabalho de ator, já que tudo o que chega ao público, é produzido pelo próprio ator. Sem Palavras é um espetáculo onde O Pessoal do Tarará dispensou o uso da linguagem verbal, de elementos cênicos, mas que não perdeu uma de suas marcas, que é a verdade de seus atores. Portanto, o espetáculo não dispõe de um texto escrito, mas de um texto apropriado pelo ator, que se dá pela via corporal.

É deste desta pobreza de elementos cênicos, que nasce um espetáculo rico, a partir do corpo do ator. Durante o espetáculo, o roteiro que os atores cumprem levam o público a criar sua própria dramaturgia, à medida que as cenas acontecem.


Ficha Técnica:
Espetáculo Sem Palavras (ou Uzkra D’ku Nupal Kunu)
Direção: Dionízio do Apodi Elenco: Igor Moreira e Maxson Ariton

Nossos últimos tapuias

No ano de 1817, irrompeu a Revolução Republicana, liderada no Rio Grande do Norte pelo Cel. André de Albuquerque Maranhão (...). Os indígenas de Portalegre refugiaram-se nos Cariris cearenses. Na ausência dos tapuias, os moradores de Portalegre promoveram o aforamento das terras dos indígenas queimando suas palhoças.

Em 1820, chegava a Portalegre o Sargento-mor das ordenanças José Francisco Vieira Barroso líder da Revolução de 1817 naquela vila, libertado dos cárceres da Bahia. Reconhecendo as injustiças praticadas contra os índios, providenciou a libertação dos presos, concedendo terras aos que haviam sido espoliados.

No ano de 1825, os tapuias atacaram a Vila de Portalegre (...). Liderou o movimento o conhecido João do Pega, secundado por Luiza Cantofa, anciã indígena a quem o povo apontava como feiticeira. Derrotados, os tapuias foram presos e algemados. Na manhã de 03 de novembro de 1825, os ainda chamados “Índios de Apodi’’ partiram d Portalegre, seguindo escoltados para a cadeia de Natal. Comandava o contingente o alferes Reinaldo Gaudêncio de Oliveira.

Ao chegar ao pé da Serra de Portalegre, bem próximo ao Sítio Viçosa (hoje cidade do mesmo nome), determinou o alferes que dessem uma parada para descanso. Prosseguiriam a viagem no dia seguinte. Joaquim Cavalcante, que servia de guia para o grupo, determinou que os presos se agrupassem à sombra de uma imburana. Joaquim providenciou então a amarração do cabechila João do Pega no tronco da referida árvore. O alferes Reinaldo ordenou que providenciassem o preparo do jantar. Enquanto o fogo crepitava, uma ideia sinistra surgiu no meio dos condutores: o assassinato dos índios presos. Com acuidade auditiva própria da raça, João do Pega captou a conversa dos conspiradores. 

Dirigindo-se ao alferes Reinaldo, assim se expressou o tapuia: “Está ouvindo alferes? Daqui a pouco serei assassinado por aquela gente. Quero fazer-lhe um pedido, como cristão: na minha cintura está amarrado um lenço encarnado, com uma pataca presa em uma das ponta. Esse dinheiro é para mandar rezar uma missa de que sou devedor as Almas do Purgatório. Se o dinheiro não for suficiente, seu Reinaldinho promete inteirar? O alferes apesar de não dar crédito à denúncia de João do Pega, prometeu-lhe mandar celebrar a missa. Não se equivocara o velho indígena. Depois do jantar, rezou-se um terço, após o qual os presos foram mortos.

O alferes Reinaldo, por não concordar com o atentado e sendo impotente para contê-lo preferiu afastar-se do local. O alferes regressou ao local do crime, deparando-se com João do Pega estendido por terra, aparentemente morto. Reinaldo encontrou o lenço vermelho, a que se referia João do Pega, embebido de sangue. Desatando uma das pontas, encontro a pataca (320 réis) destinada a celebração de uma missa pelas Almas do Purgatório.

Alta noite, o cabecilha João do Pega, tendo recobrado os sentidos, levantou-se e olhou ao redor de si. Contemplou os cadáveres dos seus companheiros, molhados pela água da chuva. Os ferimentos não tinham sido graves, e ele escapara com vida. Com certa dificuldade, conseguiu-se livrar-se das cordas que o prendiam a imburana. Finalmente livre, correu em direção à Serra dos Dormentes (a mesma Serra do Regente ou de Santana) para se esconder nas grutas. No dia seguinte foi providenciado o sepultamento dos mortos, mas não foi percebido o desaparecimento de João do Pega. 

Já decorrido mais de um ano, alguns caçadores descobriram João do Pega, na Serra dos Dormentes (Serra de Portalegre). A notícia logo se espalhou na região. Posteriormente João do Pega foi perdoado pelo governo, o que ensejou seu regresso ao Sítio do Pega, voltando a morar em sua palhoça. Conta a tradição que achando João do Pega doente, perguntaram-lhe a sua idade. O velho indígena respondeu: ‘A minha idade está naquela bruaca’. Ao falecer João do Pega, encontraram no interior da referida bruaca 75 castanhas de caju, que indicavam os anos por ele vividos.

Quanto à velha Luiza Cantofa, gravou a tradição popular os seus últimos dias de existência. A exemplo de João do Pega, foi ela instigadora da revolta dos indígenas, por ocasião do ataque à Vila de Portalegre, em 1825. Presos diversos tapuias, inclusive João do Pega, a velha indígena Luiza Cantofa refugiou-se em companhia de sua neta Jandi, nas grutas da Serra de Portalegre. Outros indígenas mais afortunados haviam fugido para os cariris cearenses. 

Para sobreviverem, Jandi tirava alimentos nas roças e colhia cajus nos sítios da região. Certo dia foi reconhecida pelo proprietário de um sítio, que, juntamente com outras pessoas seguiu Jandi até o seu esconderijo. Descoberto o lugar, indivíduos armados encontraram Luíza Cantofa a dormir debaixo de um frondoso cajueiro. Despertada para morrer, a velha tapuia abriu um pequeno oratório, de joelhos aos pés da imagem do Cristo Crucificado e rezou o Ofício de Nossa Senhora. Jandi implorava ao povo presente, o perdão para a sua avó.

Um dos perseguidores aproximou-se de Cantofa, enterrando o punhal no peito da vítima. No momento do golpe do punhal, a indígena acabara de pronunciar a o trecho do Ofício de Nossa Senhora que rezava: ”Deus vos Salve. Relógio, que andando atrasado serviu de sinal’’. No dia seguinte foram dar sepultura a Luíza Cantofa não sendo mais encontrada a jovem Jandi; cujo destino ficou para sempre ignorado.

Segundo a tradição popular, o local da morte de Luíza Cantofa corresponde àquele local onde hoje existe a chamada Fonte da Índia distante cerca de 400 metros do centro da cidade de Portalegre. Afirma a tradição popular que, durante muitos anos, o lugar do falecimento da velha Luíza Cantofa ficou mal-assombrado. Algumas pessoas que dali se aproximavam, ouviam claramente uma voz a rezar o Ofício de Nossa Senhora. E assim, foram estes os últimos registros sobre os tapuias de Apodi (GUERRA, 1991, p.28-35).

Fonte: Apodi - Um Olhar em sua Diversidade - Cleudia Pacheco e J. Carlos Baumman

terça-feira, 23 de abril de 2013

O mistério do misterioso mistério - Osório Filho

O surgimento do mundo ...
Tem explicações distintas...
Por que este mistério é fruto de outro?
ora,o que é a verdade?

A compreensão é a fé?
Mas ela existe ou é fantasia?
E se existe ,como é que vou sentir?

Os seres são verdadeiros?
Ou são falsos?
A hora vai chegar?

Os homens são eternos?
De espírito ou não?
E se forem,como irão viver?

(Soneto da minha adolescência de 16 anos...depois que passei pela faculdade e estudei a doutrina espírita encontrei todas as respostas para as perguntas que fiz...)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A morte é a passagem para a vida? - Osório Filho

Após o descanso o que nos espera?
Um paraíso?
Um inferno?
Ou um nada?

Iremos saber?
Por que isso?
Um dia iremos descobrir?
O espírito será permanente?

A carne é uma transição?
A vida é um problema?
o mundo é uma bola?
Os seres estão vivendo?
A separação entre a vida e a morte há?
O centro entre as extremidades é uma chance?

(Produção da minha adolescência...O título do cordel sem regras é: abstração paranoica)

domingo, 21 de abril de 2013

Apodi e apodienses na história da abolição mossoroense

A historiografia potiguar, atinente ao pujante processo que culminou com a abolição da escravidão negra em terras mossoroenses, aponta para o relevantes papéis desempenhados por Apodienses radicados naquelas plagas. Nesta saga de sangue, suor e lágrimas destacam-se os Srs. CLEMENTINO DE GÓIS NOGUEIRA, opulento e respeitado comerciante, e EUSÉBIO BELTRÃO, dono do Iate denominado de ”APODI”.

Quando os notáveis abolicionistas mossoroenses começaram a campanha em prol da libertação negra, numa trajetória de lutas e de glórias, que começou no final de Janeiro de 1883 e terminou na heróica data de 30 de Setembro do mesmo ano, Eusébio Beltrão fazia o trajeto marítimo Porto Franco (imediações da cidade de Grossos-RN) ao porto da cidade de Recife-PE, conduzindo mercadorias compradas por comerciantes da praça de Mossoró.

EUSÉBIO era o mestre no intercâmbio de idéias do CLUBE DO CUPIM,com os abolicionistas mossoroenses. Este Clube foi criado por abolicionistas Recifenses, para angariação de fundos que eram aplicados na compra de alforrias de escravos, bem como de proporcionar acolhida aos que vinham fugidos e perseguidos pelos temidos e famosos Capitães-do-Mato.

Na busca pela consolidação da luta pela libertação negra em Mossoró, criaram o CLUBE DOS ESPARTACUS, com a notável contribuição dos referidos Apodienses.

O Presidente do CLUBE DO CUPIM era o rico comerciante pernambucano JOSÉ MARIA CARNEIRO DA CUNHA, primo legítimo do pai de Eusébio – o Prof. JOAQUIM MANOEL CARNEIRO DA CUNHA BLETRÃO, que foi o segundo professor de primeiras letras na então Vila do Apodi, em 1841, e que foi o proprietário do primeiro imóvel residencial totalmente construído em alvenaria em Apodi, que é aquele casarão senhorial onde durante muitos anos residiu a doceira e boleira mais famosa do Apodi, dona COTÓ, tia paterna do saudoso professor Raimundo de Tião Lúcio (Raimundo Pereira).

Apodi e o "Casarão de Dona Cotó" (reprodução)

Na sua árdua faina, EUSÉBIO BELTRÃO conduzia escravos fugitivos do Recife, escondidos no porão do Iate ”APODI”, remetidos por João Ramos, João Klapp e Dr. José Maria Carneiro da Cunha, Diretores do celebrado ”CLUBE DO CUPIM”.

O Eusébio conduzia cartas dirigidas aos componentes do CLUBE DOS ESPARTACUS.

Para burlar a vigilância dos senhores dos escravos, escreviam que seguiam tantas ”levas de abacaxis”. O contexto em que encontramos o Sr. CLEMENTINO DE GÓIS NOGUEIRA desempenhando a honrosa missão de acolhida e proteção aos escravos fugitivos, encontra-se nas páginas do livro ”SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA ABOLIÇÃO DO CATIVEIRO NO RIO GRANDE DO NORTE”. Autor: João Batista Galvão – Coleção Mossoroense – Vol. CCXI – Ano 1982), senão vejamos:

“Contava ROMUALDO GALVÃO que certa vez fugira um cativo da Província de Pernambuco e se homiziara sob a bandeira da ”LIBERTADORA MOSSOROENSE”. Com poucos dias, chega um Senhor de Engenho pedindo o escravo de sua propriedade. Romualdo quer adquirí-lo para alforriar e propõe a importância de Cr$ 2.00 atuais e a resposta foi esta:

- O senhor não tem dinheiro que pague uma surra que desejo dar em minha terra, nesse negro!.

Enfim, conduz o escravo garantido por lei.

Romualdo Galvão, Romão Filgueira e Durval Fiúza comissionam Rafael Mossoroense e mais outros ex-escravos mascarados e mandam retomar o negro, após os limites do município e em seguida dar no senhor de escravos umas pancadas, e esconder o cativo na propriedade denominada de ”Garrafa”, no Apodi, do tio de Romualdo, de nome Clementino de Góis Nogueira, já referido”.

Desse dia em diante, o lugar mais seguro e ermo para esconder os escravos fugidos passou a ser o sítio ”Garrafa”, onde os mesmos eram acolhidos com a recomendação de que fosse divulgado que eram de propriedade dele Clementino.

Este bravo apodiense tinha outra minudência histórica: Era amigo íntimo de JESUÍNO BRILHANTE, o famoso ”Cangaceiro Romântico”, a quem acolhia/escondia em seu suntuoso casarão com sobrado, quando este vinha a negócios em Mossoró.

CLEMENTINO era descendente direto de Antonia de Freitas Nogueira, fundadora do Apodi. Era, também, irmão de Bernardino de Góis Nogueira, bisavô materno do professor ROBSON LOPES, de saudosa e veneranda memória.

Por Marcos Pinto
Copiado do: Blog do Carlos Santos

sábado, 20 de abril de 2013

Artigo - Revolução Industrial: Progresso Econômico x Progresso Social - Osório Filho

Artigo: Revolução Industrial: Progresso Econômico x Progresso Social
Autor: José Osório de Lima Filho - Acadêmico de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Clique para ver ou baixar o artigo

Envie seu artigo científico para tudodeapodi@hotmail.com e postaremos no blog.

Novo cd de Renário Forrozeiro - baixar

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A ocupação das terras do Apodi

O processo de ocupação da terra em Apodi, até o final do século passado, pouco mudara. Praticava-se a pecuária extensiva como atividade dominante, e motivadora do nosso povoamento. Prevalecia a ocupação de terrenos ao longo dos rios, e ao redor das lagoas, em função da água, ele-mento indispensável às necessidades da atividade pastoril. Desprezavam-se as áreas do sertão de pedra, caatingas e chapada, onde a água praticamente não existia, no período do verão.

Somente na primeira metade do século XX, com a atuação do DNOCS, perfurando poços a Chapada do Apodi, começou a ser povoada, ali se concentrando, atualmente, a maior parte dos rebanhos do município, pois seu solo é de primeira qualidade para a formação e pastagens e rama naturais. 

A construção de açude, na região de pedra, também iniciada nas primeiras décadas do século XX, por iniciativa particular e do governo, possibilitou, embora de maneira lenta, a ocupação das principais terras daquela região, principalmente por criadores. Embora enfrentando os desastres da seca, o criatório sempre se colocou como atividade econômica de grande valor no município.

A importância da pecuária em Apodi é atestada na ata da Câmara Municipal de vereadores datada de julho de 1853, enviada ao Presidente da Província, em que os representantes do povo reivindicavam para a terra alguns melhoramentos. Eis o pequeno tópico: “Outros produtos oferece o solo, como azeite de oiticica, etc. Todos são mais precários que o gado.

Conforme a mesma ata, já se extraia o pó da carnaúba para a fabricação de cera. Acrescente o antigo documento da Câmara Municipal: “A extração e a fabricação de cera de carnaúba, também muito im-perfeito ainda, vai constituindo uma indústria de algumas vantagens para a prosperidade do município’’. Pode-se deduzir, portanto, que a cera de carnaúba já se destinava a fins comerciais.

Somente a partir do inicio deste século o algodão se consolidou como produto de exportação em Apo-di, com a expansão de seu cultivo, colocando-se até bem pouco tempo em primeiro lugar, no quadro de produtos agrícolas do município, em valor de produção. Devido ao ataque da praga do inseto chamado “bicudo’’, os algodões foram quase totalmente destruídos.

Escreveu Manoel Antônio de Oliveira Coriolano, velho cronista da região, que em 1921, o município de Apodi possuía seis descaroçadores de algodão, tendo produzido naquele ano. 486.172 quilos de algodão em  pluma. Não menciona o destino da produção, Mas acreditamos que foi Mossoró.
Pelo registro acima, pode-se avaliar a expansão da cultura algodoeira em Apodi, no inicio do Século XX, quando nossa população não ia além dos sete mil habitantes.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guera

A colonização do território do Apodi

A descoberta e colonização de qualquer região da terra, em todos os tempos, sempre ocorreu em função de interesses de ordem econômica, sendo a água o fator principal de atração do homem, na formação dos aglomerados humanos.

Onde houvesse fartura desse precioso liquido, elemento indispensável à vida, para ai se deslocavam as correntes migratórias de povoamento, formando povoamentos, vilas, cidades. Portanto, não se pode ignorar o grande valor que a água representa para o homem. Sem ela, jamais se poderia pensar em progresso ou desenvolvimento, em vida animal ou vegetal.  

A região do Vale do Apodi, onde as reservas d’água representam sua maior riqueza não iria constituir uma exceção, no período em que se processava a colonização no Brasil. E assim, no século XVII, aqui chegavam os primeiros migrantes, atraídos pela grande quantidade d’água existente na lagoa, nos rios e no vale.

Este valioso território era habitado pelos índios Tapuais Paiacus, originários do grupo Tarairiú, disseminados por todo o Nordeste Brasileiro, na fase do Brasil Colonial. Foram os Tapuias Paiacus, portanto, os primitivos ocupantes do Vale do Apodi, vivendo nas margens da lagoa, nos rios e na chapada. Onde praticavam uma agricultura rudimentar, a caça e a pesca. É provável que praticassem, também de modo muito elementar, o artesanato de cerâmica de barro e outras, atividades semelhantes, pois possuíam, como outras tribos, sua cultura.

Originalmente, o índio paiacu era de índole pacata, tranquilo, porém sempre disposto a lutar quando necessário fosse. Como todo índio, possuía a noção de propriedade privada, julgando-se dono da terra onde trabalhava e vivia.

Como dissemos acima, no século XVII, por volta do ano de 1680, o território da antiga aldeia recebia os primeiros visitantes civilizados. Uma expedição oriunda da Paraíba, comandada por Manoel Nogueira Ferreira, tentava o primeiro contato com os índios do Apodi. Vinha com um objetivo: ocupar boas terras, na esperança de conseguir bons rendimentos, de progredir finalmente. E para isso vinham os irmãos Nogueira também dispostos a empregar a força, violência através do bacamarte e do clavinote boca-de-sino, caso não conseguissem seus intentos por meios pacíficos. Porque assim agiam os exploradores e colonizadores daqueles tempos, principalmente em relação ao índio, sujeito a exploração de toda ordem.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Socialistas utópicos - Osório Filho

Corrente de Pensamento que se posicionava a favor da construção, de uma sociedade sem desigualdades sociais, assim sendo, era um teoria que criticava a exploração dos trabalhadores e as injustiças sociais da sociedade industrial. 

Os pensadores Saint-Simon, Proudhon, Fourier e Owem, receberam o rótulo de socialistas utópicos e/ou românticos, pois apresentavam em suas teorias uma crítica a sociedade de sua época. Além do mais, os mesmos mostravam os princípios de uma sociedade futura ideal. Para isso, era preciso deixar de existir a espoliação do homem pelo homem. Eles procuravam materializar suas ideias, partindo da proposição de que o homem possui uma natureza boa, mas o capitalismo contamina a mesma. 

Contudo, segundo eles, os homens poderiam eliminar as influências destrutivas do capitalismo através da justiça, razão e solidariedade humana. Para tanto, era indispensável a realização de reformas na sociedade, tais como: socialização dos meios de produção, extinção do direito de herança, leis sociais para proteção dos indivíduos, supressão da moeda, produção sem objetivo de lucro,organização do trabalho e direitos iguais para homens e mulheres. 

Portanto, era necessário a extinção das diferenças entre as classes sociais, pois a propriedade privada era um roubo, sustentado pela exploração do trabalho alheio. Com isso, a desumana exploração dos capitalistas sobre os trabalhadores, era fundamental a construção de uma sociedade em que os sujeitos fossem livres e iguais, para tanto esta harmonia era para existir sem a presença da força do estado, conforme os utópicos.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A história na sua vida - Osório Filho

A HISTÓRIA NA SUA VIDA¹

 JOSÉ OSÓRIO DE LIMA FILHO²

Nos dias de hoje, estamos dentro do mundo capitalista, isso significa dizer que existem pessoas que têm muito dinheiro e outras que têm pouco, enquanto outras não tem. Assim, as pessoas precisam trabalhar para sobreviver, isto é, o trabalho é uma forma de ganhar o pão de cada dia, para uns; Enquanto para outros é a forma de acumular riquezas e, por sua vez, “luxar’’, através do consumo exagerado de bens materiais.

Assim sendo, existe um estado que regula as relações das pessoas na sociedade capitalista, ou seja, os bens das pessoas são protegidos através das leis e dos militares. Para isso, o estado precisa da ajuda das escolas para manter as coisas como estão, quer dizer uns pobres e outros ricos. Dessa maneira, o ensino nas escolas mostra que todos têm a oportunidade, assim basta querer e se consegue. Todavia, o ensino de história colabora na manutenção dessa sociedade injusta, pois o ensino não contribui para a mudança dessa situação, ou seja, o aluno, na sua maioria, não vê as causas da preservação da miséria.

Portanto, apesar de tudo isso, podemos ver uma luz no fundo do poço, quer dizer, as pessoas que através do ensino; na educação escolar, buscam melhorar e transformar as coisas, a partir do momento em que demonstra os caminhos para transformar a realidade vivida, ou seja, a maneira de pensar e/ou agir. Contudo é por meio desse ensino que adquirimos conhecimento, e conhecimento é poder.

1. Texto básico para jovens do 8º e 9º ano.
2. Graduado em História pela UERN.

Marcelo Nunes - ganhador da Vaqueijada Porcino Parque



Representando o Leite ILA de Apodi o apodiense Marcelo Nunes ganhou o primeiro lugar na maior vaquejada do Porcino Parque Center em Mossoró/RN, com mais de 150 mil reais em prêmios. O Vaqueiro Marcelo ganhou mais de 15 mil reais na categoria profissional.

Marcelo Nunes juntamente com seu companheiro Romário Nunes representaram o Leite ILA Apodi, do empresário Dalton Filho.

Copiado do blog do Erivan Morais.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Os Piaus Azuis do Apodi

Sobre a história dos piaus do Apodi, escreveu o nosso saudoso Antônio Campos e Silva, no seu estudo intitulado “Geografia e Geologia do Apodi no século XIX.’’

“Manoel Antônio de Oliveira Coriolano, velho cronista sertanejo da ribeira do Apodi, herdeiro do pioneirismo do padre Florêncio Gomes de Oliveira, escreveu em 1895, no Almanaque do Rio Grande do Sul, um artigo sobre a região. Não sabemos o conteúdo exato de sua colaboração, apenas sendo possível situá-la graças à informação de Nestor Lima (1937,58)

Dentre outras coisas referia-se Oliveira Coriolano aos curiosos piaus azuis, louvando-se na mencionada “Memória’’ do padre Florêncio. A citação foi objeto de criticas mordazes da parte de alguns missivistas daqui levando o cronista apodiense a escrever um artigo magoado, no qual transcreve trecho do trabalho do sacerdote objeto deste ensaio. O artigo foi publicado no “O comércio de Mossoró’’. (um jornal, na época).

Além de permitir a visão de mais um aspecto da obra do antigo vigário do Apodi, levanta um problema muito curioso, o desses peixes azulados (...) que morrem quando as águas secam, e se reproduzem quando elas se tornem a juntar.

Não conhecemos nenhuma referência posterior aos piaus azuis. Ignoramos mesmo se são, de fato, piaus, peixes do gênero Leporinus, muito comuns no Nordeste.

Ante a presença de cavernas e o surgimento dos piaus azuis na época das enchentes, é de se perguntar se serão eles uma espécie adaptada a vida cavernícola? A coloração azulada parece depor pela hipótese. Por outro lado, no período de chuvas, com o transbordamento das águas das cavernas, seriam lançados à superfície.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sentidos Incompletos

Existem coisas que vemos,
Porque os olhos enxergam;
Mas não produzem no ser
O encanto da paisagem
Ao olhar, fazem sentir
Que estamos vendo à frente
O terror de uma visagem.

Há coisas que o tato sente
Mas não gosta de sentir
Diferente do carinho
As sensações que produzem
Arrepiam de temor
Sentimos porque vivemos
Mas não nos fazem sorrir.

Há palavras que são ditas
Porque temos dicção
Elas saem pela boca
Parecendo um furação
Mas não produz em quem ouve
O som perfeito do amor
Do fundo do coração.

Há também o que se ouve
Porque o ouvido escuta
Mas até o tom de voz
Produz a música astuta
Que tenta levar o ouvinte
A viver grandes conflitos
Que pra sair, é uma luta.

Já as roupas que vestimos,
Às vezes não são bem próprias;
Mas somos nus, precisamos!
Encobrir o natural
Mas esses panos nojentos
Parecem nos fazer mal.

Às vezes o que comemos
Não nutre nem alimenta
É engolido à força
Que nem gosto de pimenta
Mas comemos pra mostrar
Que somos civilizados
E que podemos usar.

Já as nossas diversões
Com o tempo escorregam
Só promovem a alegria
De uma alma em trevas.
É por isso que às vezes
nos esvaímos em lágrimas
quando lembramos momentos
na existência tardia.

Outras vezes construímos
Só os sonhos absurdos
Não combinamos com a alma
Pra fazer os sonhos puros
Precisamos sentir dor
Como suporte alegórico
Para encontrar a calma.

Oh vida cheia de curvas!
Diz a nossa humanidade.
Na verdade ela é fútil
Quando não produz bondade.
Viver no mundo dos sonhos
É se esconder da verdade.

Mentir que não é errado
é sonhar em ser perfeito.
Escolher a perfeição
é sonhar sem ter direito,
pois só um homem na história
trouxe o dom de ser direito;
mesmo assim foi açoitado,
morto e crucificado
pra redimir nossos feitos.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os Jesuítas no Apodi

Sobre a fundação da Aldeia dos índios do Apodi, registra o Pe. Serafim Leite, na sua História da Companhia de Jesus no Brasil, terem sido os Padres Jesuítas João Guincel e Felipe Bourel, alemães, os primeiros missionários catequistas, aqui chegados em janeiro de 1700.

O Padre Bonifácio Teixeira veio depois. Foi tragicamente morto pelos índios, os quais travaram violenta luta contra uma tropa de soldados que veio impor a ordem, face às perturbações provocadas pelos selvagens. O Padre Felipe Bourel, segundo a mesma fonte histórica, era considerado santo e sábio. Conta a história que ressuscitara uma criança que morrera sem batismo. Vendo a mãe chorar, mandou desenterrar a criança que ainda durou algum tempo. Uma pintura desse fato ocorrido na Aldeia do Apodi, foi conservada durante certo período.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Informação biográfica do fundador do Apodi

Manoel Nogueira Ferreira nasceu na cidade de Nossa Senhora das Neves, atualmente João Pessoa, na Paraíba, no dia 15 de maior de 1655, filho legítimo de Matias de Freitas Nogueira e sua mulher Antonia Nogueira Ferreira. Casou-se com Antonia de Oliveira Correia natural de Pernambuco.

Faleceu na sua fazenda Outeiro, no município de Apodi, em 17 de janeiro de 1715, era pai de Margarida de Freitas, mulher que ficou famosa e muito conhecida na Ribeira do Apodi, pela grande quantidade de terras que possuía na região, casada com o português Carlos Vidal Borromeu, que veio morar em Portalegre na primeira metade do século XVIII.

Fonte: Apodi, Sua História -Válter de Brito Guerra

Os habitantes primitivos do Apodi

Quais foram os primeiros habitantes do Apodi? 

Os primeiros habitantes do Apodi foram os índios Tapuias Paiacus, pertencentes ao grupo étnico cultural TARAIRIÚ. 

Quantas famílias indígenas habitavam em Apodi, quando Manoel Nogueira Ferreira chegou a este território, em 1680?

Não há registro para uma informação exata. Entretanto, com base num documento publicado, posteriormente pode-se estimar que quando Manoel Nogueira Ferreira chegou a este território em 1680, havia entre 120 e 150 o número de famílias aqui residindo em Apodi. 

Como eram os índios, seus costumes, hábitos? 

Alguns historiadores afirmam que o paiacu era de estatura alta, enquanto as mulheres eram de estatura baixa, gordas e de boa aparência. 
Os homens era fortes, robustos e possuidores de muita força, tinham cabelos pretos e pele trigueira. Andavam inteiramente nus. Os homens colocavam um cendal nas partes genitais e as mulheres usavam um avental confeccionado de folhas. Usavam sandálias feitas de casca de uma árvore que chamavam de caraguá. Pintavam-se com tinta de jenipapo e urucu. 

Quantos anos vivia, em média, um índio da tribo paiacu? 

Segundo os historiadores cronistas, o tapuia paiacu podia viver até 200 anos, ainda lúcido, e capaz de transportar nos ombros, razoável peso. 

Quando adoecia um paiacu, como os demais da tribo para conseguir a cura? 

Algumas providências eram tomadas. Defumações com tabaco, introdução de folhas de certos vegetais na garganta do enfermo, para provocar vômitos, aplicação de salivas, e outros recursos sempre valendo-se da flora medicinal. Quando o doente era considerado incurável, a própria tribo o matava com golpes de clava, a fim de evitar o sofrimento do paciente. Matadores e condenado congratulavam pelo ritual macabro. 

Como era feito o casamento entre os índios? 

A moça tapuia casava-se muito jovem. Aos primeiros sinas da puberdade, a mãe a levava ao conhecimento do rei da tribo. A moça era então guardada na casa dos pais. Uma vez conseguido o noivo, o rei autorizava o casamento, o qual era realizado com festas, cânticos e festas. Caso não aparecesse um noivo para determinada donzela, esta era levada à presença do rei que, conforme os costumes da tribo a desvirginava. Os índios paiacus eram polígamos.Isto é podiam possui várias mulheres. 

O adultério era tolerado pelo homem? 

Não. A índia que fosse falsa ao seu marido podia ser punida até com a morte. Registram os cronistas que o adultério entre os índios era coisa rara. 

Quando um índio matava outro da mesma tribo, o que acontecia? 

O matador ficava responsável pela esposa e os filhos do morto. 

Como eram os instintos dos Tapuias Paiacus? 

Segundos os historiadores que se preocuparam em relatar os costumes, hábitos e vida da nação tapuia, era esta temida pelas demais tribos. O tapuia tinha o semblante ameaçador, era feroz e cruel. Para atacar o inimigo usava a surpresa, a emboscada. Possuía o instinto de guerrear, de matar e de fazer sangue, exercitado nas mortes das caças e das feras. 
Morava em tocas feitas de pau, cobertas de palhas ou ramos, Por ocasião das secas, emigravam para outras regiões, retornando quando as chuvas voltavam. Tinham os hábito fazer grandes fogueiras à noite, onde estendiam suas redes, para se aquecerem. 

Como se alimentavam os Tapuias Paiacus? O que comiam? 

A alimentação básica do Tapuia Paiacu era a caça, peixes, mel de abelha, alguns produtos de roça, tais como milho, mandioca, jerimus e frutas. Apreciavam cobras e lagartos. Eram fortes, saudáveis e possuidores de grande apetite. Não tinham o costume de guardar alimentos para o dia seguinte. Comiam tudo no mesmo dia. Registra um cronista que um índio tapuia consumia de uma vez, alimentos que saciaria a fome de cincos brancos. 
Outro hábito estranho, praticado pelos Tapuias Paiacus era o endocanibalismo, que consistia em comer os membros da própria tribo, inclusive os ossos dos falecidos, que depois de secos eram pulverizados, depois de torrados e ingeridos com bebidas. Também era comum entre os paiacus, a antropofagia contra os inimigos da tribo, os quais eram dilacerados por feroz vingança e comidos pelos silvícolas. 
No ano de 1683, vendo a invasão de suas terras pelos brancos, em virtude das sesmarias que iam sendo concedidas, os índios tapuias, na defesa de suas terras, a posse, pois tinham consciência desse direito adquirido, rebelaram-se contra os curraleiros em todo o Rio Grande do Norte. Houve um extenso período de lutas, que tiveram seu final 40 anos depois. 
A essa revolta deu-se o nome de Guerra dos Bárbaros. Milhares de índios foram mortos durante o levante. Muitos foram salvos pelas missões religiosas, como foi o caso dos Tapuias Paiacus de Apodi, que estavam aldeados pelos missionários, inicialmente pelos jesuítas, aqui chegados em janeiro de 1700.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra