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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Noite na taverna - Paulo Filho Dantas

“Enchi corpo da amargura
Que teu beijo doce hoje
Só me infla de prazer,
Amanhã aos quatorze
Fusos passados em agonia
Meu corpo somente a ti
Reclama também o teu
Calor que negas ao partir

Meus vícios e paixões em dois
Seres separados por olhares
Diferentes entre si opcionais,
Afogados em tempestuosos mares
Inquietos, insanos e vulgares,
Declamar seu nome em perdição
Mais afiado como ponta de punhal
Branco, frio, aço da traição

E a noite passa sem pressa
Cada segundo hei de procurar
Seus olhos em busca dos meus,
Enlouquecidos ao teu não chegar
Para sufocar minha boca
Como o vinho que resseca
Os lábios sedentos de beijo,
A cabeça ao sombrio arremessa

Á taverna noturna e prostíbula
Que envenena à todos e a mim,
Que mata aos poucos nossos sonhos,
Desodorizando das rosas o carmim
Marcado nas minhas roupas rotas
Pelo seu batom negro-violeta
Algo avítico dum além-túmulo,
Cavando uma corva na sarjeta

Escura, fétida, úmida e enevoada
Pelo frio infernal das madrugadas
Repetitivas, iguais e sem graça,
Te vejo em frente toda enfeitada
Esperando um falso amor,
Para sentir um félico orgasmo,
Por mais uma noite convencer
O sem-sentido da vida, marasmo

E assim mais uma noite perdida,
Passa aos sons confusos misturados
De homens, mulheres e bebidas
Em noites sensíveis de céus estrelados
Ao primeiro ósculo de raio solar
Que toca de leve a fácie ébria
Do desgraçado e da perfídia ao acordar’’.

"Caminhos do Meu Ser"
Paulo Dantas Magno Filho 

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