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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ode a morte - Paulo Filho Dantas

“Gélido corpo esfriado
Quem repousa em eterno
Sono porque foi levado
Pelo sopro mortal no inverno

Tua alma vaga noutro mundo
Sua matéria se desfaz
Nessa terra em profundo
Abandono por demais

Subitamente ela chega
Sem aviso ou recado
Sublima tal como seja,
Estando de pé o deitado

Esse passeio solitário
Por vales, montanhas e rincões
Transportando além do imaginário
Sobre – humano em depressões

Não há algo mais misterioso
Do que os segredos que a morte
Traz com o anjo vitorioso,
Negro, tranquilo e forte

Que morra toda humanidade
Sem laços e atribuições
Lendárias à insanidade
Com seus prazeres e paixões

Esse vento frio e pálido
Que fere o semblante tez,
Deixa-me maravilhoso, cálido
À voltar no ciclo que refez

Tivessem toda uma sombra
Que os seguissem ao dia,
À noite seria branca pomba,
À tarde úmida melancolia

Cemitérios me fascinam
Túmulos antigos nos permitem
Assombrações se reanimam
São mortos-vivos que exigem

Uma paz espiritual
Porque os corpos jazem
À terra criadora e imortal
Vultosa visão-imagem

Cantar à morte quiçá
Suicida em suspiro,
Último perto de lá
Tua vida agora retiro

Cala-te a boca em agonia
Chora olho em aflição
Pois não verás do novo dia
Sua luz pérfida em canção’’.

"Caminhos do Meu Ser"
Paulo Dantas Magno Filho

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