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domingo, 24 de maio de 2015

Um imprescindível marco regulatório para o potencial hídrico do Apodi


É incontestável e atual a corriqueira afirmativa de que a minha amada terrinha Apodi é a "Capital da Água" do estado. A assertiva prende-se às qualidades de pureza da água, beirando o grau da nossa apreciada água mineral, bem como ao fato de que está sendo o principal polo fornecedor do precioso líquido, para quase todas as cidades do médio e alto Oeste potiguar. Ao mesmo tempo que nós apodienses inflamos o peito, com justificado orgulho, por sermos detentor desse importante perfil aquífero, ficamos entregues a uma silente concepção no que consiste a interrogação da nossa estranha esquiva em gerirmos com competência e sobriedade técnica o nosso reconhecido e tão louvado potencial hídrico. Espanta-nos o fato de que, conforme dados extra-oficiais, cerca de 150 caminhões-pipa saem, diariamente, abastecidos com a apreciada água apodiense para abastecer e sanear a escassez da água de cidades localizadas nas regiões do médio-oeste e alto Oeste potiguar.

Diante a incontestável realidade de que estamos vivendo um triênio das famosas "secas-verdes" - que são aquelas em que há uma formação de pastagens para consumo dos nossos animais, porém, sem enchimento de nossos açudes, barreiros e lagoas, não há como negar que nosso orgulho bairrista da ostentação de nosso potencial hídrico está literalmente "banhando" nosso amado rincão com um indiferentismo doentio, que se espraia com raios de luz perseguindo a escuridão de nossa ignorância. Essa injustificada indiferença é aproveitada pelo oportunismo dos vendedores da nossa água. Simplesmente perfuram pequenos poços artesianos, onde alcançam o lençol freático em pouca profundidade, cerca de 150/200 metros, e passam a venderem, de forma aleatória e sem controle, somente ávidos em auferirem recursos econômicos, sem a necessária preocupação e precaução para um iminente exaurimento do lençol freático.

É preciso que, não somente nós apodienses, mas todas as autoridades constituídas do estado e do país, atentem para esse consumo não-controlado do nosso conhecido Aquífero-Assu, uma vez que a sua principal fonte de recarga que é a nossa Mãe-Lagoa de Apodi está totalmente seca, por omissão voluntariosa das ex-governadoras Wilma de Faria e Rosalba Ciarlini, bem como dos prefeitos Pinheiro, Gorete Pinto e o atual Flaviano Monteiro, que não envidaram esforços no sentido de reconstruírem a ombreira direita da barragem construída no leito do rio Apodi, destruída na enchente do ano 2008. Essa pequena barragem faz o represamento da água oriunda da comporta aberta da barragem Santa Cruz, que com o refluxo abastece a lagoa via comportas da ponte da Br-405.

Somente em Dezembro de 2014 é que houve um grito de protesto pela calamitosa situação da lagoa de Apodi, quando a Colônia de Pescadores Z-48 por seu profícuo presidente fez a apresentação de projeto para representantes do governo do estado/ Secretaria de Recursos hídricos e sociedade apodiense, contendo números, custos e dificuldades para a recuperação da referenciada barragem.
O que ocorre é a falta de conhecimento e conscientização de nossas reais potencialidades hídricas, como componente da área do famoso Aquífero-Assu. Há que nos preocuparmos com a iminente queda no nível do nosso lençol freático. É preciso que o Sr. Prefeito do município de Apodi envie, de forma célere, um Decreto-Normativo à Câmara Municipal estabelecendo um marco regulatório quanto ao consumo e venda do nosso indispensável líquido, inclusive fixando a cobrança de Royalties para consumidores e compradores via carros-pipa. Assim penso e tenho dito.

Por Marcos Pinto(24.05.2015)

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