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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Padre "Barra" - uma figura antológica e curiosa na história de Apodi (II) - Por Marcos Pinto

Analisando minuciosamente a história da Paróquia de Apodi, constatei que alguns sacerdotes que aportaram em Apodi, foram pródigos em manterem relacionamentos amorosos com escravas e moças de tradicionais famílias deste rincão. Conforme documentos oficiais como testamentos e inventários, verificamos proles de 04 padres que foram Curas na Igreja-Matriz de Apodi: PADRE MANOEL CORRÊIA CALHEIROS PESSOA, que foi Vigário no período 1785/13.07.1802, dia em que faleceu. Este Padre era natural de Igarassu-PE, onde nasceu no ano de 1729. Quando aqui chegou trazia consigo um filho, o qual repetia o nome paterno. Este filho do padre casou em Apodi com Ana Catharina de Morais, e são tronco inicial da conhecidíssima família CALHEIROS, mais conhecida como sendo a família dos "CAIEIRA".

O segundo Vigário que deixou filhos foi o Padre FAUSTINO GOMES DE OLIVEIRA, que curou a Paróquia de Apodi no período 1813-1856, e o terceiro foi o Padre ANTÔNIO DIAS DA CUNHA, que foi Vigário Colado da Paróquia no período 1866-1900, sendo certo que este sacerdote manteve relacionamento amoroso com uma bela escrava que tinha o apelido de "Bulandinha", de quem nasceu PETRONILA PASTORA DO PATROCÍNIO, que veio a casar com o Sr. HERMINO TOLENTINO ALVES DE OLIVEIRA, que por sua vez são os avós paternos de Sêo Altino Dias e avós maternos do velho Lalá. O quarto Padre que deixou descendência em Apodi foi o Padre ANTONIO MANOEL DE SOUZA, que curou a Paróquia de Apodi no período 1802-1809. Estes virtuosos sacerdotes serão objeto do próximo artigo.

Quanto ao nosso biografado PADRE JOAQUIM MANOEL DE OLIVEIRA COSTA (Padre Barra), nasceu por volta do ano de 1825 e faleceu no ano de 1888. Dirigiu a Paróquia de Pau dos Ferros-RN no período 1859-1860, tendo administrado a Paróquia de Apodi durante alguns meses do ano de 1864 e do ano de 1868. Ainda hoje é objeto de interessantes comentários, nos alpendres dos sítios e fazendas do município de Apodi. Manteve longo relacionamento amoroso com uma bela escrava do Capitão Vicente Ferreira Pinto, de nome IGNÁCIA ISABEL DO E. SANTO, que nasceu no ano de 1835. Namorava ostensivamente, sem decoro e sem segredo. 

Deste conúbio amoroso nasceram: F.01- EVARISTO MANOEL DE OLIVEIRA, conhecido popularmente como EVARISTO BARRA, que residia no sítio "Ipueira Cavada”, e que casou com sua parente AVELINA GOMES PINTO, e foram pais de Catharina, que faleceu solteirona. Depois nasceram THEODORICO MANOEL DE OLIVEIRA (Theodorico Barra), ISABEL, JOAQUIM, LUÍZA SANCHA DE OLIVEIRA, que faleceu solteira em 11.09.1909, aos 27 anos de idade, e MARIA ÚRSULA DE SALOMÉ, que veio a casar com o viúvo Tenente-Coronel da Guarda Nacional LUÍS SOARES DA SILVEIRA, avô paterno de Dona Gizinha Pinto (Esposa do Cel. Lucas Pinto) de quem teve os filhos ROSA, MARIINHA e FRANCISCO (Pai de Janúncio Soares da Silveira, que foi Vereador em Mossoró). LUÍS SOARES faleceu no sítio "Melancias" às 14:hs. do dia 03 de Fevereiro de 1917, de problemas cardíacos, aos 76 anos de idade.

O Padre "BARRA" era tio paterno de SENHOR BARRA, conhecido líder político em Itaú-RN, onde foi eleito Vice-Prefeito e líder político durante muitos anos. A concupiscência do Pe. Barra ainda hoje rende comentários quanto à complacência e deferência que lhe rendiam os seus superiores eclesiásticos, particularidade que pode ter origem no fato de que era um dos componentes da tradicional família PINTO. Após a morte do Padre "Barra" em 1888, a sua amásia ainda teve duas filhas de nomes JOANA, que faleceu solteira, e FRANCISCA IGNÁCIA, que veio a casar com o Sr. JOÃO SIMÃO, morador no sítio "Soledade". (FONTES: Inventário do Padre "Barra" - 1888, e PORTAL OESTENEWS).


Por Marcos Pinto - historiador apodiense 
Do blog ApodDiário 

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