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terça-feira, 7 de junho de 2011

Um dia, uma bolsa, uma aliança - Jotta Paiva

Não sei por que a mulher tem tanta fascinação por bolsas. Elas gostam tanto desse artefato que agora as fábricas de móveis estão colocando no mercado, armários específicos para guardar bolsas femininas, porque os guarda-roupas nunca têm espaço suficiente.
 
A Microsoft também decidiu investir no ramo. Preocupada em concorrer com o Google, a empresa de Bill Gates disponibilizará no seu próximo software, pastas de arquivamento de documentos em formatos diversos, desde as pastas amarelinhas comuns, até as executivas para homens e pelo menos 100 mil modelos de pastas femininas. A multinacional explica, para acalmar a mulherada, que esse será apenas um teste e que no suporte seguinte, estarão disponíveis pelo menos um milhão de opções.
 
As mulheres gostam tanto de bolsa que usam uma para cada objeto. Existe uma bolsa mãe, aquela que mais parece um alforje, e dentro dela uma subseqüente e nesta outras bolsas menores disponíveis para o absorvente, a roupa íntima extra que ela nunca vai usar, para o dinheiro, para as moedas, para a chave do carro, para a chave da casa, para a chave da bolsa do dinheiro e para as chaves das bolsinhas subseqüentes do dinheiro, sejam as moedas ou as notas separadas por valor.
 
É muito importante saber que quando se vai ligar para o celular de uma mulher é preciso discar ao menos três vezes, para dar tempo de ela ouvir o chamado do aparelho, abrir a bolsa mãe, a bolsa subseqüente, a dos aparelhos eletrônicos, a bolsa dos celulares e a bolsa onde está o celular que está tocando.
Com tudo isso, a dica que dou é que nunca tente esconder um presente para a mulher amada dentro de sua própria bolsa. Você pode repetir o erro do meu amigo Leonardo, lá de Santo Antônio da Boa Esperança. 
 
Ele estava apaixonado por Dora, sua namorada há dois anos e esperava a hora certa de pedi-la em casamento. Ela de ser pedida. Na cautela do romantismo, decidiu deixar a aliança, comprada ao custo de seis meses de economia, na bolsa que ela mais gostava - uma que ela comprou com o dinheiro que faria sua primeira viagem internacional: uma semana inteira em Cancun. Colocou a jóia no bolsinho interno que tinha o maior zíper e ficou esperando. Esperou que cansou. Casou-se um ano e meio depois com uma pessoa que conheceu pela internet dois meses antes.
 
Dora, revoltada com o abandono, resolveu pegar dinheiro emprestado ao banco, a 30% de juros, para fazer aquela tão sonhada viagem ao México. Foi quando descobriu, ao usar pela segunda vez a bolsa que havia comprado há quase dois anos, a aliança caríssima enrolada em um bilhete apaixonado, convidando-a para um jantar romântico no hotel mais caro da cidade, onde costumam fazer festas especiais, regadas a champanha e caviar, para noivados.Dora depreciou-se tanto com a decepção que nunca mais comprou uma bolsa em sua vida. O problema é que, por conta disso, perdeu todas as suas amigas.

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