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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Dissertação de Gildevan Holanda: A representação do espaço rural e dos povos do campo no livro didático de história: uma imagem sob a ótica da Educação do Campo ou da Pluralidade rural?

Dissertação: A representação do espaço rural e dos povos do campo no livro didático de história: uma imagem sob a ótica da Educação do Campo ou da Pluralidade rural? 
Autor(a): Francisco Gildevan Holanda do Carmo
Programa: Pós-Graduação em Ciências Sociais e Humanas
Instituição: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN
Publicação: 2016
Fonte do artigo: UERN


Resumo: 
A presente pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de captar as representações sobre o rural e os povos do campo em uma coleção de livros didáticos de história, direcionada aos anos finais do ensino fundamental. Em que medida os manuais escolares refletem a complexidade e heterogeneidade do rural em suas narrativas? Livro didático, configuração, rural e representação são alguns dos conceitos-chave da análise. O primeiro apreendido como um artefato complexo, objeto cultural envolto em uma gama de influências, discursos, saberes de mundo e ideologias de uma determinada época; portanto, o manual escolar reflete os conflitos de representação. Esta é caracterizada pela diversidade de discursos dos diferentes grupos que buscam impor seus valores e concepções de mundo aos demais. A análise da configuração social, por sua vez, permite pensar esta mesma diversidade de atores sociais e seus conflitos, mas também as relações de interdependência estabelecidas entre os mesmos através das trocas de influência e informação. O fenômeno também permite apreender as influências mútuas entre os diferentes lugares que compõem o espaço; campo e cidade, por exemplo. O rural, portanto, é compreendido como elemento em constante transformação, devido às influências que recebe por meio da sua relação de interdependência com as áreas urbanas. A análise, destarte, foi construída com base em uma perspectiva interdisciplinar, dando voz a historiadores, geógrafos, sociólogos e pedagogos, que contribuem para a análise não só do objeto de pesquisa em questão, o livro didático, mas também para o entendimento da complexa configuração socioespacial onde o mesmo é produzido e consumido, influente e influenciado. Para a coleta de dados, foi realizada uma leitura analítica das narrativas textuais, abordagens pedagógicas, trabalho com documentos e exercícios propostos pelo material. A análise permitiu captar a presença de quatro categorias de representação do rural: local destinado ao cultivo da terra e fornecedor de produtos primários; representação associada às adversidades econômicas e sociais; localidade de domínio político e econômico dos latifundiários; local de conflitos sociais entre proprietários e trabalhadores. Observa-se que a narrativa é dedicada, quase que exclusivamente, à descrição dos processos políticos e econômicos do passado, pouco incentivando a compreensão discente sobre a relação passado-presente. Como consequência, a obra em questão, utilizada em escolas de comunidades rurais do município de Apodi-RN, pouco contribui para a reflexão sobre a heterogeneidade e as novas configurações do rural, assim como não estimula a apreensão da influência mútua estabelecida entre o campo e os centros urbanos. As conclusões apontam ainda para a necessidade de abordagens interdisciplinares no livro didático de história, o que contribuiria para a problematização do campo, captação da sua dinamicidade e complexidade por parte do alunado.


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