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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Dossiê Perímetros Irrigados é lançado como denúncia e motivo para a resistência

Foto: Jânio Duarte
Texto de Camila Paula Comunicadora Popular do CF8 

O lançamento do Dossiê Perímetros Irrigados que aconteceu hoje pela manhã. O auditório lotado do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Apodi mostra a importância do momento. O documento com mais de 600 páginas que denuncia os projetos de perímetros irrigados da região da Chapada do Apodi, revela os impactos negativos sofridos pelas comunidades desapropriadas e pelas que ainda convivem no entorno desses grandes projetos de irrigação nas regiões do: Jaguaribe-Apodi (CE), Tabuleiro de Russas (CE), Baixo Acaraú (CE), Baixo Assú (RN) e Santa Cruz do Apodi (RN). 

Estavam presentes no lançamento do Dossiê Perímetros Irrigados e a expansão do agronegócio no campo: quatro décadas de violação de direitos no semiárido, organizadores do documento, movimento 21, grupo de pesquisadores e pesquisadoras das universidades federais e estaduais do Ceará, Ser-tão de assessoria jurídica popular da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, diversos movimentos sociais e agricultores e agricultoras da Chapada. 

Depois de tantas lutas e conquistas, o projeto do Perímetro Irrigado de Santa Cruz surge como uma grande ameaça à vida dos agricultores e agricultoras locais. Além da retirada do povo do local, a degradação do solo e da água, o projeto prevê entregar as terras para empresas do agronegócio, colocando em risco a vida dos trabalhadores e trabalhadoras que vão trabalhar diretamente com os agrotóxicos como a população, de um modo geral, que consumirá alimentos envenenados. 

Depois de um rico debate, ficou no ar a pergunta: qual o próximo passo? Bernadete, professora e pesquisadora que contribuiu na confecção do dossiê, responde que “o projeto de Perímetro Irrigado é um problema de todos e de todas. Por uma questão de saúde pública, especialmente, este debate precisa ganhar também os espaços urbanos, pois os alimentos que consumimos também são contagiados pelos agrotóxicos, e o desenvolvimento do projeto acarreta problemas estruturais e sociais para a cidade. Nosso desafio é unir o campo e a cidade nesta luta por direitos, nesta luta pela vida”. E encerra a fala cantando: “A chapada é nossa. A chapada é do povo. É só lutando que será nossa de novo”. 

Ainda respondendo a pergunta sobre a continuidade da resistência ao perímetros, Raquel Rigotto afirma a importância da luta que se tornou nacional e até internacional, mencionando as ações da Marcha Mundial das Mulheres que – em mais de 64 países – dizem #SomosTodasApodi e reforça que a terra e a água, os investimentos do dinheiro público devem ser para a agricultura familiar e para uma melhor convivência com o semiárido. Edilson Neto, presidente do STTR de Apodi, encerra a manhã do lanamento com a esperança de unir as lutas e lutar até a vitória. O auditório se anima e todos e todas gritam fortemente: Lutar e resistir pela Chapada do Apodi! 

Fonte: Blog do Centro Feminista 8 de Março.

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