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terça-feira, 8 de abril de 2014

O beco-pomar - Aluísio Barros

Não que tema esgueirar-me
pela podridão do beco das frutas
e encontrar o riso fácil de Francisca
olhando para os abacaxis
que arranhou na vida
e agora desfruta na porta do tempo:
Indesfrutável posso vê-la toda todo santo dia
e ela a falar
dos amores
com dissabores mil
de todas as frutas
que jazem feito cascas
na rua podre do beco
de frutas e verduras.
Necessariamente não temo encontrá-la.
Também tenho raras lembranças de lá:
Minha noite de núpcias
passei-a entre o mijo
e a sujeira do beco-pomar.
Preguiçosamente prefeito ser
a exceção das regras do meio:
Dificilmente sonho
ir ao beco
preguiçosa a mente
vive
as lembranças
nas notícias dos que
passam por lá.
O riso falho
a lágrima fácil
o chão encardido
o coentro e o mijo
são coisa de lá.
- Pera aí, menino. Vou ali no Coimbra
e volto já
a rapidez da menina
para ir num piscar
aos cantos demorados de chegar,
é coisa que existe por lá.
A vida flui na verdura
do beco das frutas
mesmo que lá não vá.

"Anjo Torto"
Aluísio Barros de Oliveira

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