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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Subsídios para a história da toponímia apodiense - Alto e ladeira de Teodora Beltrão - Por Marcos Pinto

Antiga Missão, e ao fundo o Alto de Teodora Beltrão

Pequena colina encravada nas terras da antiga MISSÃO JESUÍTA DA ALDEIA DO LAGO PODY (1700-1709), primeira denominação dada à aldeia indígena que daria origem a atual cidade de Apodi. Para quem segue com destino aos sítios "Barra", "Córrego", e "Ponta" e demais sítios daquelas terras que margeiam a lagoa, é o primeiro declive/ladeira, e para o viajante que vem destes sítios em direção à cidade é o último aclive ou alto para entrar no perímetro urbano. Contam os antigos habitantes que até a década de 50 (1950-1959) existia um cruzeiro feito em madeira no baixio, situado logo após o alto/ladeira de Teodora Beltrão, simbolizando o lugar onde os padres Jesuítas fixaram-se inicialmente para desempenharem seus trabalhos de catequese indígena.

Infelizmente, o Cruzeiro foi deteriorado e destruído pela ação do tempo, sem que os Padres que passaram pela Paróquia de Apodi tivessem a iniciativa de mandarem fazer um novo cruzeiro em madeira e edificarem a base feita com tijolos, resgatando assim a história da religião católica em terras Apodienses. A referência toponímica à dona TEODORA BELTRÃO encontra-se vinculada ao fato de que neste alto ou colina situa-se em terras da mesma, aliado ao cenário de que até a década de 60 (1960-1969) a única casa existente naquele trecho era a de dona TEODORA BELTRÃO. No contexto geográfico, pode-se afirmar que ficava no subúrbio da cidade. Esta humilde casa feita em taipa ainda encontra-se edificada, resistindo à especulação imobiliária. O sítio do Sr. CHIQUINHO DE OLINTO, de saudosa memória, fica encravado neste alto/colina.

Casa onde morava Teodora Beltrão
                                                                                                                                                        
Dona TEODORA era exímia costureira, tendo sido uma das mais requisitadas pela população Apodiense, durante a década de 50 do Século passado. Nasceu no ano de 1888 no sítio "Pé-de-serra", no sopé da serra de Apodi. Era filha legítima de Luiz Manoel de Rosário e de Maria Vicência de Jesus. Quando solteira, dona Teodora tinha o nome civil TEODORA MARIA DE FREITAS. Era tia materna de sêo Antonio dos Reis Magos da Costa - Sêo ANTONIO DO CASADO, pai de Simão Nogueira Neto, ex-prefeito de Apodi, como também tia materna de Toinha de Guilherme, antiga professora de Datilografia, e de Zé de Guilherme. 

D. TEODORA casou no dia 14 de Outubro de 1914 com JOÃO BATISTA DE ALMEIDA, popularmente conhecido como "JOÃO BELTRÃO", filho natural de Joaquina Maria da Conceição, por sua vez filha natural da escrava GERMANA, pertencente ao Sr. Francisco Ferreira Lima. JOAQUINA casou com Vicente Ferreira da Silva, vulgo Vicente Beltrão, filho natural da escrava SABINA, pertencente ao Professor pernambucano radicado em Apodi Joaquim Manoel Carneiro da Cunha Beltrão. Era comum os escravos adotarem o nome familiar de seus donos/amos. Vicente Beltrão era irmão de Lúcio Agostinho da Silva, pai de Tião Lúcio,por sua vez pai do Prof. Raimundo Pereira e Auxiliadora Silva Maia (Dodora de Tião Lúcio). Como se depreende pelos apontamentos genealógicos citados, houve o casamento entre os filhos de escravos JOAQUINA e VICENTE, sendo certo que constituíram famílias afrodescendentes. João Beltrão era antigo Carteiro dos Correios e Telégrafos, tendo sido o primeiro carteiro da Agência dos Correios, fundada em 1914. 

De tempos em tempos João Beltrão era acometido por acessos de debilidade mental, quando ficava andando à esmo pela zona rural, geralmente pelas terras dos sítios que margeiam a lagoa de Apodi. Era-lhe sempre dispensada atenção caridosa da alimentação, pelos proprietários dos sítios. Dispensado do emprego nos Correios, João Beltrão passou a trabalhar como porteiro do Grupo Escolar "Ferreira Pinto", cargo em que foi aposentado. João e Teodora foram pais de uma única filha, que ainda vive e cujo nome me foge à memória.                 
                                                                                                                                                    Atualmente, este ALTO DE TEODORA BELTRÃO encontra-se compondo a zona urbana de Apodi, recebendo o nome de RUA MOÉSIO MAIA HOLANDA, cujo homenageado patronímico era filho do farmacêutico Francisco Holanda Cavalcanti - NENEN HOLANDA, e dona Maria do Carmo Maia. Moésio era Acadêmico de Medicina, tendo falecido aos 17 anos de idade, acometido por leucemia. Era irmão das médicas Dras. Marize Maia Holanda, Aparecida Maia Holanda e Yolanda Maia Holanda.

Por Marcos Pinto - historiador apodiense 
Copiado do blog Potyline

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