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domingo, 10 de novembro de 2013

Subsídios para a história da toponímia apodiense (zona urbana - I) - Por Marcos Pinto

A toponímina das cidades, tanto nos contextos das zonas rurais e urbanas, constitui um imensurável valor histórico, no que diz respeito aos referenciais contidos em suas denominações. Ora apresenta referencial a um símbolo cristão, como é o caso dos lugares denominado de "CRUZ DE ALMAS" e "SANTA CRUZ", ora faz ligação do lugar com um fato ligado ao espírito, no caso do Sítio denominado de "MALASOMBRADO", que é uma corruptela de mal assombrado, ora faz menção aos santos que foram canonizados pela Igreja Católica Apostólica Romana - como no caso dos sítios SÃO LOURENÇO, SÃO SABINO, SÃO JOSÉ, SÃO VICENTE e SÃO LUÍS.

Partindo do princípio de que "UMA CIDADE SEM MEMÓRIA É UMA CIDADE SEM ALMA", é que resolvi enveredar pelo resgate histórico de alguns topônimos, que já não mais existem nos documentos oficiais da contemporaneidade, nem é do conhecimento dos jovens. Restam apenas guardados nas memórias dos que já ultrapassaram o último quartel da vida material.

No famoso "QUADRO DA RUA", que compreende as ruas São João Batista e N. Sra. da Conceição pegando até o Banco do Brasil e a parte que engloba o Colégio "Gerson Lopes", até a Loja de tecidos do Sr. João Lucas existiam seis becos (onde está a ACDA era só um terreno) que compreendem as ruas transversais. No sentido Cemitério-Lagoa, o primeiro beco da rua N. Sra. da Conceição era conhecido como sendo o 'BECO DE ANÁLIA DO HOTEL", cuja denominação toponímica era conhecida até o ano de 1960. Anália nasceu em 1896 e tinha o nome civil de Anália Gomes de Oliveira, e era prima do Coronel Lucas Pinto, como também genitora da Professora Dra. MARIA GOMES DE OLIVEIRA, Apodiense que se destacou e se destaca no cenário histórico-educacional como tendo sido a PRIMEIRA REITORA DO BRASIL, como gestora da então Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN), atual UERN.

Delineando o outro perfil toponímico do primeiro beco da rua São João Batista, no sentido Cemitério-Lagoa, era conhecido como sendo o "BECO DE LUZIA DE  PURANA", posto que ela residia no antigo casarão senhorial que depois sediou o famoso "Bar Satélite", nas décadas de 60 e 80 (1964 a 1980). Este casarão senhorial foi demolido no ano passado pelo seu atual proprietário Sr. Erivan Marinho.

A Sra. Luzia de Purana tinha o nome civil LUZIA FERREIRA LEITE, prima de Sêo Vicente Leite, e era casada com o Francisco das Chagas Barros (Chico Vitor), sendo sido este respeitável casal os genintores do Sr. ANTONIO DE PÁDUA LEITE, mais conhecido como Antonio de Luzia de Purana, que é o patrono da nossa banda de música municipal. Seguindo o roteiro da Rua N. Sra. da Conceição, no mesmo sentido Cemitério-Lagoa existe um casarão senhorial que, inclusive, foi o primeiro imóvel residencial de Apodi construído totalmente em alvenaria, e que constituía o segundo beco do "QUADRO DA RUA", e que era conhecido como sendo O "BECO DE COTÓ", em referência à doceira e boleira mais famosa de Apodi, que tinha o nome civil de MARIA PETRONILA DA SILVA, e que era tia paterna do saudoso professor RAIMUNDO DE TIÃO LÚCIO. Esta casa faz esquina com a casa do famoso dentista BURG, casado com dona Sulinha e pais de numerosa prole. Seguindo no mesmo sentido, temos o terceiro beco, que é o que passa ao lado da Agência do Banco do Brasil, cujo beco era conhecido como sendo o "BECO DA MATANÇA", antiga denominação que se dava ao matadouro municipal, cujo beco dava acesso ao lugar onde eram abatidos os animais que eram vendidos no açougue público municipal.

Façamos o retorno à Rua São João Batista, onde encontramos o seu segundo beco, que era conhecido antigamente como sendo o "BECO DE JOÃO DE BRITO", posto que no casarão senhorial que dava início ao beco residia o Coronel JOÃO DE BRITO FERREIRA PINTO. Este casarão foi vendido em 1940 ao Sr. JOSÉ BRAZ DE OLIVEIRA, mais conhecido como ZÉ DE CÂNDIDO, sendo certo que a partir daí ficou este dito beco conhecido como o BECO DE ZÉ CÂNDIDO, cujo casarão senhorial foi demolido pelo seu proprietário Raimundo da Cantina.

Este beco é que dá início à Rua Dix-Sept Rosado. Durante muitos anos o Sr. Raimundo de Rodolfo (Pai de Roberto de Leila Carla) possuiu um bar e mercearia na esquina deste casarão. Depois de Raimundo, o Cutruco instalou seu bar no mesmo local. O terceiro e último beco da Rua São João Batista (No que diz respeito ao "Quadro da Rua") era conhecido como o  BECO DA PADARIA DE ANTONIO DUARTE, em referência ao Sr. ANTONIO DUARTE DÓRIA, cujo beco dá  início à Rua Coronel João de Brito, e onde é instalada a loja de tecidos do Sr. João Lucas, pai do  Vereador Nilson Fernandes. Com o passar do tempo, esta padaria (panificadora) foi adquirida pelo Sr. ZÉ BOLACHA (José Ferreira da Costa).

Com estas abordagens históricas, que terá continuidade no próximo domingo, resta configurada a necessidade das escolas da cidade, por seus dignos docentes de história, elaborarem calendários de visitações à estes logradouros e antigos prédios e casas, para que não tenham suas histórias entregues à faixa silente do esquecimento.

Blog ApoDiário
Por Marcos Pinto - Historiador apodiense. 

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