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terça-feira, 10 de setembro de 2013

A marcha do ensino

As coisas do ensino nesta cidade sempre andaram devagar. Atividade básica do desenvolvimento, a instrução em Apodi manteve-se estacionária durante longos anos. O historiador apodiense Manoel Antônio de Oliveira Coriolano, teve o cuidado de anotar as datas de inicio do ensino em Apodi. 

Em 1780 foi criada a primeira escola pelo então vigário da paróquia, padre Manoel Calheiros Pessoa. Em 1783, o Cônego Joaquim José Pereira instalava um colégio de latim. Em 15 de outubro de 1827, uma lei do governo criava a prima escola pública, para qual foi nomeado o Professor Inácio Francisco Dantas. A lei nº 309 de 03 de agosto de 1855 instituía outra escola primaria em Apodi para o sexo feminino, tendo sido nomeado por concurso, a Professora Ana Emília Rosa. Em 1966, 139 anos depois, foi criado o Ginásio Estadual “Professor Antonio Dantas’’, pelo decreto nº 4.478, de nove de junho de 1966. A distância que separou um acontecimento do outro, a criação da primeira escola pública e a instalação do ginásio revela o atraso da educação no estado e no município.

Com relação ao ensino médio em Apodi, é indispensável lembrar se fazer referência a um movimento surgido em 1957, nesta cidade, com a finalidade de dotar o Apodi de uma escola para ser ministrado o curso ginasial. Os senhores Lázaro Tôrres e Robson Lopes. Após extraordinário esforço, contando com pequeno apoio, conseguiram fundar e fazer funcionar o sonhado estabelecimento que tomou o nome de Ginásio Comercial “Felinto Alves.’’

Aquela unidade de ensino particular funcionou, regularmente, durante alguns anos, a partir de 1958. Por falta de recursos e ajuda, o ginásio paralisou suas atividades, até que o governo do Estado, em 1966, criou o Ginásio Estadual Professor Antonio Dantas. Teve o primeiro diretor o Dr. Francisco Alc-van Pinto. O curso de 2º grau foi criado em 1976. A partir desse ano, o ginásio criado em 1966, passou a ter a seguinte denominação: Escola de 1º e 2º grau “Professor Antonio Dantas’’.

O Grupo Escolar “Ferreira Pinto’’, foi criado em 25 de novembro de 1911, pelo decreto nº 257, do governo do Estado. No dia 10 de janeiro de 1912 realizou-se sua inauguração, em prédio adaptado. Posteriormente, foi construído prédio próprio na Rua João Pessoa, onde passou a funcionar. No inicio da década de 40 foi transferido para um edifício dotado de melhores requisitos para o ensino, rua Padre João C. Paiva, especialmente edificado para esta finalidade. No “Ferreira Pinto’’ lecionaram professores de grande méritos culturais e pedagógicos. Pessoas que depois se destacaram nas atividades literárias, na política, na administração e em outras atividades importantes.

O primeiro nome a figurar na relação do corpo docente do “Ferreira Pinto’’ foi o do Professor Laurenço Gurgel de Oliveira, iniciando suas atividade em 1912 até 1919. Era um mestre de valo excepcional, pelos elevados conhecimentos que tinha, das matérias que ministrava aos alunos. Deve ter sido o primeiro diretor.
Raimundo Nonato da Silva, professor, depois magistrado e escritor de renome nacional, também figura entre os professores do antigo estabelecimento de instrução.
João Batista Guerra, filho da terra, assumiu no ano de 1934, uma cadeira no tradicional grupo escolar. Possuía diploma da Escola Normal de Mossoró, educandário que se impôs na época, como exemplo de eficiência no setor de ensino e da educação. O jovem professor, de inteligência admirável e capacidade comprovada, não se demorou muito na missão para a qual fora designado, desistindo para exercer outras atividades. Chegou a ocupar na região Amazônica, alguns cargos federais, também de governador.

Outro nome, surgido por volta de 1940, para prestar serviços no mesmo estabelecimento, foi o do professor Moacir de Lucena. Este mestre deixou seu nome na memória de quantos acompanharam de perto o seu trabalho como dirigente e professor do “Ferreira Pinto’’, pela sua dedicação, pontualidade e espírito de patriotismo, no cumprimento dos seus deveres. Possuidor de invejável inteligência e de vastos conhecimentos literários, Moacir de Lucena prestou à juventude estudiosa de Apodi, os mais assinalados benefícios. Pertenceu ao quadro da Magistratura do Rio Grande do Norte, como Juiz de Direi-to. Fez vestibular, foi aprovado e nomeado Juiz.

Maria de Lourdes de Aceto Mota, lecionou durante 22 anos no Grupo Escolar Ferreira Pinto. Foi o maior exemplo de dedicação e amor ao ensino, nesta geração, em Apodi.

Hilda Lopes, Antônia Filgueira e Maria do Carmo Maia, são nomes que figuram com destaque, entre outros, na relação do corpo docente do “Ferreira Pinto’’. Pelo elogiável grau de conhecimentos de que eram portadoras, e a elogiável dedicação que dispensaram à causa do ensino e da educação. O nome “Ferreira Pinto’’, ao estabelecimento, é uma homenagem ao antigo político Antônio Ferreira Pinto.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra 

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