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sábado, 10 de agosto de 2013

O episódio do Caldeirão dentro do contexto político nacional apontando a situação da igreja católica perante os acontecimentos da região do cariri cearense - Osório Filho

O EPISÓDIO DO CALDEIRÃO DENTRO DO CONTEXTO POLÍTICO NACIONAL APONTANDO A SITUAÇÃO DA IGREJA CATÓLICA PERANTE OS ACONTECIMENTOS DA REGIÃO DO CARIRI CEARENSE¹

José Osório de Lima Filho²

O Contexto político nacional brasileiro na década de 30 apresentou uma crise estrutural sobre o poder oligárquico, ou seja, as oligarquias tradicionais (São Paulo e Minas Gerais), perderam a hegemonia do país. Neste ambiente, a classe média se encontrava em ascensão, porém o poder foi assumido por um populista (Vargas). Assim sendo, o panorama político nacional estava constituído, tanto por ideologias comunistas, como fascistas, estas últimas se imbricaram com as da igreja católica, pois esta era a defensora da ordem e da moral cristã civilizada contra a “desordem’’ e “incivilidade’’ dos “fanáticos’’, desta forma a liga eleitoral católica foi criada para arregimentar forças para a igreja e facilitar a dominação ideológica e política dos fiéis, assim como, várias entidades integralistas foram fundadas com base nos princípios: Deus, Pátria, família e propriedade privada. Com isso, o acordo tácito da igreja com os integralistas, fortaleceram as hegemonias locais contra o comunismo, que segundo estas ideologias supracitadas era uma ameaça para o bem estar dos “civilizados’’. Assim a igreja, os políticos cearenses e nacionais usavam uma justificativa do perigo comunista para implantarem a ordem política, dizendo que àqueles significavam a derrocada da humanidade. Nesta configuração histórica e geográfica, particularmente o caso do Ceará, nós temos o massacre do Caldeirão, este se constituiu ao longo da sua breve história, embora significativa, como um local que se desenvolveu uma economia voltada para o bem estar geral da comunidade, porém as terras usadas por Zé Lourenço (o Beato), pertenciam aos salesianos, estes se revoltaram contra a comunidade, pois estavam perdendo fiéis para a comunidade do Caldeirão, consequentemente, perdendo poder religioso naquela região, somando isso temos os latifundiários (coronéis) que reclamavam a falta de mão de obra nas suas terras, pois o povo, segundo eles, estavam migrando para aquela comunidade e inviabilizado a sua vida econômica. Nestas condições, temos a igreja, membros das oligarquias e outros, que solicitaram do governo uma solução para àquele local que ameaçava a paz social dos “homens civilizados’’. Assim o Estado-Nação conjuntamente com a esfera estadual e municipal, dizimaram àquela comunidade. Para tanto, não podemos esquecer que a justificativa da ameaça vermelha mostrada nos jornais da época oculta o fato de que àquela comunidade já existia bem antes da intentona comunista de 1935. Assim, vemos um discurso obscurecedor para legimitar a chacina. Além do mais, cerca de 75% da população migrou do RN, onde foi declarada a intentona, porém isso não significa necessariamente que os perseguidos políticos foram se refugiar “num ambiente comunista’’, pois segundo Rui Facó, as condições do semiárido cearense eram mais favoráveis do que as dos potiguares, isso os atraía, já que o sul era uma opção mais complicada. Todavia, diante destas versões para o fato, não podemos deixar de lembrar que, muito antes da intentona comunista, famílias potiguares migraram para lá, mesmo possuindo recursos consideráveis para a época. Além disso, temos o caso de Juazeiro que foi governado por Padre Cícero, este por sua vez, teve apoio das oligarquias e da classe média, bem como, dos fiéis. Assim não foi dizimado pela igreja nem pelo estado. Por outro lado, segundo Firmino Holanda, Zé Lourenço dispunha de uma influência muito incipiente, logo não teve condições para resistir a igreja católica e o estado ditatorial de Vargas. Portanto, diante destas diversas formas de analisar os fatos, nos cabe vê a comunidade do Caldeirão como uma resposta ativa a uma realidade histórica do nordeste brasileiro na década de 30. 

  1. Paper
  2.  Professor de História

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