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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Conferência discutirá Plano Municipal de Educação na próxima semana


Educadores, estudantes, pais, gestores e representantes de todos os segmentos educacionais reunirão no próximo dia 05 de maio (terça-feira) às 8:00h na Escola Estadual professor Antonio Dantas para participarem da 1ª Conferência sobre o Plano Municipal de Educação de Apodi. O objetivo da conferência é discutir e planejar ações e novas formas de pensar a educação a partir do contexto nacional, da legislação educacional e das inúmeras necessidades e desafios que constantemente são apresentados pela sociedade contemporânea. 

Sobre o PME
O Plano Municipal de Educação de Apodi – PME, fundamentando-se na edição do Plano Nacional de Educação, Lei Federal nº 10.172/2001, que determina que cada município construa seu Plano Municipal a partir dos pressupostos, diretrizes e metas do PNE, este Plano se constitui não apenas no cumprimento da lei, mas na necessidade do município, haja vista que a elaboração permitirá repensar a trajetória da educação de Apodi na sua totalidade e projetar a década da educação, coerente com os anseios da população, alicerçado na conjuntura social, política, econômica e cultural nas esferas governamentais do país como um todo.

Existe uma comissão que já vem discutindo o plano de ações para a educação para o período de 2015 a 2024 . Na conferencia será a vez da sociedade participar. 

O plano está em fase de elaboração. Clique para baixá-lo. Analise, faça suas considerações e participe da conferência para ajudar na construção deste plano. .

domingo, 26 de abril de 2015

Vou-me embora pro passado - Uma pessoas, umas histórias e umas saudades(I)

Em meio à agitação dos dias atuais agradeço, todos os dias, ao DEUS todo poderoso e de infinita bondade, por ter me proporcionado a felicidade de ter nascido em Apodi, e de fazer parte da sua geografia humana, caracterizada por inconfundível senso de solidariedade humana. Transfiguro-me em menino, todas as vezes que volto à terrinha amada e nunca esquecida. Minha saudade se espraia num estuário de recordações, como a divisar entre os silêncios do mundo o desfilar das emoções antigas, cheias de fidelidade evocadora. 

Diante o desenrolar dessa fita da saudade, passada no CINE ODEON do meu passado, vejo a inconfundível figura de Sêo JOÃO DE QUINCA, com seu corpo rechonchudo, desempenhando seu ofício como componente da BANDA DE MÚSICA DA FUNDEVAP (Fundação Para o Desenvolvimento do Vale do Apodi) tocando num bombo - isto lá pelos idos dos anos de 1966 a 1969. Integrante da tradicional família NORONHA, gozava da elevada estima de seus conterrâneos, com também daqueles que vinham de outras cidades para cumprirem alguma meta na então tranquila cidadezinha do interior. 

Quando Sêo João de Quinca enviuvou e, passado o período lutuoso de um ano, passou a frequentar, quase que diariamente, a casa de uma senhora que "ganhava a vida" na salutar prática do meretrício, Essa deliciosa prática do sexo fazia com que Sêo João gastasse dez Cruzeiros por cada investida. Certo dia, após cumprido o prazeroso exercício, Sêo João de Quinca perguntou à fogosa amásia quanto é que lhe devia, no que ela respondeu que importava em Quinze Cruzeiros. Desapontado e com cara de surpresa, o famélico João perguntou o motivo do aumento do preço do "programa". Qual não foi o seu espanto ao ouvir que o aumento dera-se pelo fato de que o preço do botijão de gás butano havia subido para Quinze Cruzeiros. Como o ato já havia sido consumado, só restou ao fogoso João pagar o preço cobrado - mesmo que a contragosto. Depois deste susto monetário, Sêo João de Quinca deixou de frequentar a casa da libidinosa amante. 
Decorridos cerca de três meses, eis que Sêo JOÃO DE QUINCA depara-se, surpreso, frente à frente, com a ex-amante, exatamente na porta que dá acesso ao açougue público municipal, ocasião em que esta dirige-lhe, à queima-roupa, a instigante pergunta: 

- Ô João, por quê você não foi mais lá em casa ?
Sem "arrodeios", o desasnado idoso respondeu-lhe:
- Enquanto o seu "Tabaco" for à gás butano, não boto os pés lá!.
Visivelmente envergonhada, só restou à mesma sair de fininho, vermelha "que nem" tomate. Imagine-se o quanto foi difícil para os circunstantes manterem-se sérios, sem dispararem em largas gargalhadas. O certo é que o o fogoso João faleceu depois de dois anos, em forçoso jejum da saborosa fruta da sua amada Dulcinéia.

Quando tenho o prazer de encontrar-me com meus conterrâneos e com tempo para "tirar um dedo de prosa", costumo afirmar que nossa Apodi (cidade) é pródiga quanto à existência de pessoas espirituosas e gaiatas. Quem, em Apodi, não conhece o carrancudo TETÉIA DE ADEMAR CAVEJA, irmão de Fãico, do Bar "Canto das Almas", alí vizinho ao Cemitério São João Batista?. Pois bem: Em um dos dias do carnaval desse ano, eis que uma conterrânea, residente em Natal, metida a rica e com ar e pose de muito importante, parou o seu imponente e luxuoso carro em frente à mercearia de Tetéia, que se encontrava muito bem sentado em uma "cadeira de balanço", na calçada. Se fazendo de desconhecida/turista e fazendo de conta que não conhecia o Tetéia, sapecou a pergunta:

-O Senhor tem pão de Hambúrguer ?

O "cabreiro" Tetéia, se fazendo de besta e também fingindo não conhecer a boçal conterrânea, respondeu, sereno e calmo:


Ainda encontra-se na mercearia de Teté 
artigos não muito comum nos dias de hoje

-Tenho não, senhora! A Senhora só vai encontrar PAU DE BURRO em Mossoró, na Loja "Curral Veterinário".

Mercearia Frei Damião de Teté de Ademar

Diante tão inusitada resposta, a orgulhosa conterrânea engatou a marcha do veículo e saiu "ciscando" os pneus, mastigando sua incontida raiva.

Ora, o Tétéia lá sabia o que diabos era PÃO DE HAMBURGUER ?. Criado nos moldes sertanejos, assim como eu, comendo cuscuz de milho zarôlho, moído naqueles antigos moinhos de marca "Mimoso", e de vez em quando saboreando "pães d'água" (Pães franceses) ou então "Pães doces" recheados com coco, comprados nas padarias de Zé Bolacha, Raimundo Sena ou de Josué Marcolino, jamais saberia o que era pão de hamburguer.

Blog Potyline  de Antonio Praxedes Filho
Por Marcos Pinto.

Beto


VICENTE BENIGNO NETO, mais conhecido como “Beto”, natural de Apodi – RN, nasceu no dia 09 de janeiro de 1975, filho de Antonia Benedita Torres(Dona Toinha)  e Manoel Sabino de Morais(Seu Nenêm). Nasceu no “Sítio Pé de Serra”, onde morou até os 07 de anos de idade. Em 1982, mudou-se para o Sítio Córrego, localizado à 12 quilômetros da sede do município.

Aos 10 anos de idade, começou a estudar na Escola Estadual Isolada do Córrego I, como no seu tempo havia muitas dificuldades, estou somente até a terceira série do ensino fundamental.

Em 1997 casou-se com Genilma Souza Tôrres de Morais, com quem teve os filhos: Francisco Veríssimo, Genília Maria  e Vicente Gilmar .

Fez o curso de Informática Básica na antiga Mini Estação Virtual do Córrego,  no ano de 2009. Depois de anos sem ir a escola, voltou a estudar, concluindo o seu ensino fundamental através do Supletivo na Escola Estadual Professor Antônio Dantas.
É filiado da AMPC – Associação de Mini Produtores de Córrego e Sítios Reunidos, onde atualmente  exerce o cargo de 2º Tesoureiro. Atualmente mora no Sítio Lagoa Amarela onde trabalha como agricultor, e continua sendo sócio da AMPC.                                


sábado, 25 de abril de 2015

Toió - 1ª mamulengueiro de Apodi


Francisco Xavier de Lima, Toió, como é carinhosamente chamado, descendente dos índios tapuias paiacus e de escravos, nasceu no dia 15 de Abril de 1938 na rua Marechal Floriano Peixoto, na cidade de Apodi-RN, filho de Valeriano Ferreira do Nascimento e Francisca Maria da Conceição. Aos dois dias de nascido, foi adotado pelos  irmãos: Manuel Praxedes de Lima e Maria Catarina de Lima. Viveu toda sua infância  trabalhando na roça, plantando arroz, feijão, algodão e milho, no sítio Boa Vista, município de Apodi-RN. Aos 15 anos iniciou a profissão de  barbeiro, e por curiosidade depois de encontrar uma calunga no lixo, aprendeu a fazer bonecos, os quais viraram os personagens da sua história, nomeados de: Benedito, Quitéria, João Redondo, a Cobra, Maroca, a viúva Filó, Felipe e a Alma, formando o grupo de teatro OS CALUNGAS DE TOIÓ, que fazia a alegria da criançada aos domingos.

Somente aos 67 anos Toió se alfabetizou no projeto "Lendo e Aprendendo". Viveu toda sua vida na roça limpando terras com enxada e cortando árvores. O seu relógio era marcado pelos rinchos do jumento e o canto do galo. Quando a estrela Dalva aparecia as três da madrugada, Toió e seu pai, Manuel, selavam o jumento e seguiam para serra do Apodi para colher a  macambira e alimentar os animais. A noite, quando voltava do trabalho, sentava na latada de sua casa e ficava ouvindo  seus familiares que contavam histórias dos seus antepassados. Dentre tantas, aprendeu o nome do sino grande da Igreja Católica do Apodi, que fora batizado de Emanuel, e o sino menor, que era chamado de Benedito.

Aprendeu também as brincadeiras de congo, pastoril e papangú. 
Toió é um ser múltiplo. Exerceu a função de agricultor, pedreiro, barbeiro, mamulengueiro, pescador e caçador.

Aos 25 anos de idade mudou-se do sítio Boa Vista para a cidade de Apodi, onde iniciou uma nova vida e conheceu sua amada mulher, Dona Francisca Santana de Moura e Lima, com quem casou-se em 19 de março de 1959 e formou uma prole de nove filhos: Neuza, Pedro, Lourival, Zé Maria, Eider, Conceição, Antônia, Auzenir e Jesiedina, vinte e três netos, catorze bisnetos e um tataraneto. 
Atualmente, Toió é aposentado e  está resgatando o teatro de mamulengos para a Escola Estadual Ferreira Pinto. A Diretora Dilma Viana  prestará homenagem a esta personalidade da cultura apodiense, denominando o grupo de teatro de fantoches da referida escola de "Mamulengos do Toió".
Seu maior prazer é conviver com sua família, frequentar a Igreja Evangélica do Novo Tempo e ir a feira apodiense aos sábados acompanhado de sua esposa Francisca.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

IPHAN realiza vistoria visando resgatar historia indígena de Apodi


Representantes do instituto do patrimônio histórico e artístico nacional – IPHAN estiveram recentemente em Apodi, com a finalidade de fazer uma vistoria em demanda do Ministério Publico Federal, para averiguar impactos em uma área originalmente indígena da cidade, denominada de “Córrego das Missões”, localizada próximo a Lagoa do Apodi.

Iago Medeiros, representante do IPHAN, frisou que a vistoria visa analisar se área de trata de fato de um sitio arqueológico indígena, para assim dá encaminhamentos às questões demandadas pelo Ministério Publico.

Lucia Tavares representante indígena e presidente do centro cultural tapuias paiacus, que acompanhou a visita, afirmou que a presença do órgão a cidade é vital, e que resgatará a historia perdida do povo indígena. “Não estamos querendo tomar terra de ninguém, apenas que nosso direito seja reconhecido”, disse ela.

O representante do IPHAN disse ainda que o trabalho será de vistoria, para averiguar se algum tipo de degradação afeta a área, para assim realizar um relatório, e encaminhar aos órgãos competentes. 


Associação cultural em Apodi promove evento beneficente

Da Redação / SOS Notícias do RN
Foto: Ari Oliveira

A Associação Raimunda Dantas (ARD), realizou na manhã deste domingo (19), uma feijoada beneficente com o objetivo de arrecadar fundos para a restauração da sede da associação. Localizado na Casa de Cultura Popular, na zona central da cidade.

Fundada em novembro de 2011, a associação é formada por 120 jovens entre crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. 

A associação desenvolve atividades ligadas à arte, como música, dança e teatro. Todos os membros da associação são voluntários. 

Uma das exigências para os jovens permanecerem na associação é estar regularmente matriculado na escola. A associação ainda possui um trabalho de parceria com as escolas.


Em entrevista ao SOS Notícias do RN, o presidente da ARD, Alex Cassiano, relata que a entidade sempre teve a necessidade de se ter um espaço e foi na Casa de Cultura Popular que eles encontraram. O apoio financeiro é ainda a principal dificuldade, segundo Alex. “O apoio financeiro não é por falta de vontade, é pela falta de costume. Apodi é uma cidade que as coisas demoram a acontecer, mas aos poucos a gente vai conseguindo. É um trabalho de formiguinha!”, explica.

Alex se emociona em contar sua história de vida que chegou a abandonar a faculdade para se dedicar ao teatro. “Eu, particularmente, cheguei a ser expulso de casa. Abandonei a faculdade de Jornalismo e escolhi a arte por amor”, disse.


O ator e diretor artístico, Luís Marinho, enfatiza que a Casa de Cultura foi como um berço para os artistas locais. “Dizem que a gente se apropriou da Casa de Cultura, mas não é o termo correto. Abrigamos aqui porque ela é a única fundação que se vive de cultura, nada mais justo que acolher os artistas da terra”, diz. 

A parceria com a COSERN foi como um divisor de águas, o patrocinador exclusivo da associação foi fundamental no suporte para o desenvolvimento de oficinas de teatro. O valor repassado no final do ano passado, no auto de São João Batista, foi o pontapé inicial na culminância dos projetos. Porém não existe nenhum repasso mensal, a associação sobrevive de donativos como doações do comércio além da própria comunidade que abraça a causa.

Para o estudante Euriandes Jales, 14 anos, a associação possibilitou caminhos diferentes, passando a ver a vida com outros olhos e a desenvolver habilidades que até ele mesmo desconhecia. “Eu mudei de vida após entrar na associação, seguia um estilo de vida que estava me destruindo e aqui tomei um choque de realidade”, conta.

Na ocasião, o evento contou com a presença do secretário municipal de educação e cultura, Caubí Torres. Além da animação do cantor Danilo Nikson.

Durante a noite de sábado (18), os atores apresentaram no auditório da Casa de Cultura Popular, uma espécie de festival de cenas curtas de teatro amador, denominado “FestCurta” onde, na oportunidade, homenagearam de maneira brilhante o dia nacional do livro infantil.


Por Ari Oliveira - Portal S.O.S Notícias do RN

Associação Raimunda Dantas realizou o I FESTCURTA

A Associação Raimunda Dantas através da Companhia Teatral Casarão realizou neste último sábado, 18/04, o I FESTCURTA - Uma homenagem ao Livro Infantil. (Festival de Cenas Curtas de Teatro Amador da Associação Raimunda Dantas) – Edição 2015.

“O festival surgiu da necessidade dos alunos da oficina de teatro da Associação Raimunda Dantas – Cia. Teatral Casarão, estarem mostrando seus conhecimentos aprendidos dentro das aulas ministradas. E serviu também como forma de avaliação por parte dos monitores das oficinas. ” Nesta primeira edição, ele foi planejado e executado em forma de homenagem ao Dia Nacional do Livro Infantil – 18 de Abril – com isso, foram elaboradas três peças teatrais em formato curto, sendo elas: A magia de contar estórias; Os três irmãos e Mundo mágico. 

“A Magia De Contar Estórias” foi dirigida pelo ator e monitor de teatro da Associação-ARD, Luis Marinho e teve como objetivo principal disseminar a literatura infantil e o consumo literário através da arte milenar de contar histórias. 
“Os Três Irmãos”, foi dirigida e adaptada pelo ator da Associação-ARD e Companhia-CTC, José Neto, que adaptou a histórias dos três porquinhos de Joseph Jacobs, no formato de uma comedia – farsa.
Já o espetáculo “Mundo Mágico”, foi concebido pelo ator e monitor Rafael Silva, e perpassou várias metalinguagens teatrais, tais como: clowns, ópera e farsa.    

O festival lotou o auditório da Casa de Cultura Popular – Palácio Soledade em Apodi, com cerca de 200 pessoas, familiares e país dos alunos das oficinas. Todos os 50 alunos devidamente inscritos e com frequência regular nas oficinas e nas suas devidas escolas educacionais, puderam participar da iniciativa que culminou no I FESTCURTA – 2015 (Uma Homenagem ao Livro Infantil).  

Após todas as apresentações a Cia. Teatral Casarão apresentou um trecho de seu espetáculo “Improvisa-Cena” que usa de jogos teatrais para animar, divertir e interagir com a plateia presente. Os jogadores/atores: Dayana Moreira, Luis Marinho, Marcelo Plínio e Rafael Silva fizeram durante trinta minutos de apresentação todos gargalharem até chorar.  

Parte do cerimonial e recepção ficou a cargo de Dayana Moreira, que tocou, cantou e animou o público durante os intervalos de cada espetáculo. Já o cerimonial apresentado ficou por conta de um sarau poético organizado por Luis Marinho e Dayana Moreira com um grupo de alunos.
O festival contou com a produção da equipe técnica da Associação-ARD, nas pessoas de Fernando Luiz Calixta que assinou os cenários, Marcelo Plínio assinando a iluminação, Luis Marinho a produção executiva e Marcos Magalhães a coordenação de projeto, com o apoio cultural da empresa apodiense: TJ Empreendimentos na pessoa de Theodoro Junior.

Veja abaixo algumas fotos do evento: 





Fotos: Ari Oliveira 

domingo, 19 de abril de 2015

Feliz Dia do Índio para a Nação Tapuia de Apodi!

19 de Abril - Dia do Índio 

Naquele mundo cheio de pedras, serras semi-aridas, garranchos, vales e rios ou sazonais, habitados por gente de grande resistência, alegre, feliz, amiga e hospitaleira. Tivemos um acontecimentos que se projetou em toda Europa: festa ao ritual da passagem, realizada pelos índios Tarairius, em junho de 1647, ali reunidos pelos seus caciques chefiados pelo maioral JANDUÍ. (...) Os indigenas reuniram-se numa aresta estreita e comprida, que mede, aproximadamente 10 quilometros por 1.500 metros, onde estavam preparados as suas festas, no final de junho, sob todo o rito.(...) localiza-se o açude Marechal Dutra - ex Gargalheiras, município do Acari, desmembrando de Caico, da antiga região do Serido por onde viviam os índios chamados Tapuias chefiados por Janduí e outros caciques valentes, poderosos, corredores e destemidos.

O Cacique Janduí, homem forte, valente poderoso, destemido o VERDADEIRO REI do Nordeste Brasileiro. Nossos caciques valentes que andavam ao lado povo: Canindé, Caracará, Jenipapuassú e cacique Itaú dos Paiacus do Apodi.

Orgulho de ser Tarairiu, orgulho de ser Nordestino, orgulho de ser Tapuias Paiacus !

Cada peça encontrada é como se fala-se, estivemos aqui, fizemos historia. Contra fato não argumentos. Nosso povo não morreu!!!









Fotos e texto: Lúcia Maria Tavares - Remasnecente da Nação Tapuia de Apodi e Presidente do Centro Histórico-Cultural Tapuais Paiacus da Lagoa do Apodi

Dia de Índio no Brasil - Mônica Freitas

Dia de tintas, de fotos, de lembranças
Dia de quase nada, ou nada admirável
De nada satisfatório a este povo
A este personagem de guerras
A essa gente abominável
A esse animal selvagem que tinha,
Mas não precisava de terras.

Dia de homenagens poucas
De lutas, de gritos, de sonhos
Que saem espremidos de vozes roucas
Dia de interrogações intolerantes
De discriminações exuberantes,
Alarmantes, mirabolantes
Quase todas loucas.

Ah! Dia de índio no Brasil é de nem lembrar
Que um dia aqui havia um pomar natural,
Um paraíso escondido do outro lado do mar
Que alguém chegou, lisonjeou-se em desejos maus
Sentados na proa de suas naus
E logo em seguida a ação da tomada do lar.

É... dia de índio no Brasil é assim
Uma lembrança aqui, uma revolta ali
Um traço da história que quase ninguém quer
Ou que ninguém sabe contar
Seja em Brasília, seja em Apodi
Algo que muitos desejam o fim.

Mônica Freitas 

O dia em que Jesus puxou uma faca - Por Marcos Pinto

Seu Chico de Domingos Tito

Semana Santa chegando e eu me lembrando deste cômico “causo”. Parece estranho e estapafúrdio, mas foi verdade. Só que o acontecido deu-se em espetáculo circense. Não é à toda que toda cidadezinha que se preza(diminutivo com conotação lírico-sentimental) tem os seus presepeiros, e, em assim sendo, a minha querida Apody não poderia escapar de tal evocação. 

É costume, neste sertão de meu DEUS, referir-se a alguém chamando-o pelo nome seguido pelo nome do genitor, que às vezes também é seguido pelo nome do pai do pai do referido. Por exemplo, sou conhecido em Apody como Marcos de Geraldo de Aristides Pinto. Poartindo dessa típica lembrança de costume tradicional, é que chego ao personagem central deste artiguete – o esquálido CHICO DE DOMINGOS TITO, por sinal meu parente. 

A chegada de um circo em cidades interioranas constitui-se, não raro, em motivo de alegria para o povo, em especial para a criançada, sempre pronta em acompanhar o palhaço com pernas de pau, à troco de entrada gratuita no espetáculo noturno. Há cerca de 30 anos, não é que o Chico entendeu de acompanhar o circo que saia de Apody rumo à Felipe Guerra/RN. o referido circo exibia uma peça teatral que tinha como título “PAIXÂO, VIDA E MORTE DE JESUS CRISTO”. 

Ocorre que o levou Chico a seguir o circo como um dos seus integrantes fora o fato de que o mesmo enamorara-se com uma moça que trabalhava no elenco da peça teatral e que, aliás, antes de namorar Chico, nutrira amores com o ator que desempenhava o papel do soldado que açoitava Jesus, rumo ao calvário. Pois não é que na hora exata de Jesus entrar em cena, verificou-se que o mesmo encontrara-se nocauteado por um homérico porre. De imediato lembraram-se de substituírem-no por Chico, talvez devido a sua magreza. 

Espectadores atentos e emocionados ante a cena comovedora em que Jesus era crucificado para a seguir carregar a cruz. Nesse momento houve inicio à tragicomédia. O ator que fazia o papel de soldado, revoltado porque perdera a namorada para Chico, transferiu sua ira para o chicote. Logo na primeira chicotada o Chico retorceu-se todinho, seguindo-se nova lapada no espinhaço, provocando novo retorcimento. Percebendo que o ator-soldado exacerbava como vingança, eis que, não mais que de repente Jesus jogou a cruz no chão e, incotinenti, puxou uma faca que trazia na cintura. Plateia em completo alvoroço, exclamando em uníssono – Vixe! Jesus puxou uma faca!
Desnecessário dizer que o corre-corre foi geral, ante o inusitado, culminando por Chico ser contido pelos colegas de circo, isto após correr atrás do soldado. Ainda hoje dizem que foi o melhor circo que “baixou” em Felipe Guerra. 
E assim desvirtuaram a comovente histórica bíblica. 

Mossoró, 31.03.98
Por Marcos Pinto 

sábado, 18 de abril de 2015

Poesia para Vilmaci Viana - Deusinha

EU VOU TRANSFORMAR EM RIMA
A BIOGRAFIA DE VIVI
DA ZONA RURAL DE APODI
LÁ DO SÍTIO SANTA ROSA
PESSOA MARAVILHOSA
MEIGA, DOCE COMO O MEL
É PRA VILMACI VIANA
QUE EU DEDICO ESSE CORDEL.

O PAI DELA ESTÁ NO CÉU
QUEM MORA LÁ NÃO RECLAMA
VALDEMIRO PEDRO VIANA
JÁ FOI PREFEITO DE APODI
O NOME DA MÃE DE VIVI
MARIA FERNANDES, UMA RAINHA
TAMBÉM GRANDE ARTISTA PLÁSTICA
CONHECIDA POR MOZINHA.

DESDE O INÍCIO TEVE SORTE
CURSOU O PRIMÁRIO NA ESCOLA FERREIRA PINTO 
TERMINOU O GINASIAL NO COLÉGIO ANTÔNIO DANTAS
EM SEGUIDA DECIDIU
IR EM DIREÇÃO A CAPITAL
FOI PARA O HIPÓCRATES COLÉGIO E CURSO NA CIDADE DE NATAL
TERMINAR O SEGUNDO GRAU COM GARRA E DEDICAÇÃO
FEZ POR LÁ AUXILIAR DE ESCRITÓRIO
E APÓS FOI EXERCER SUA FUNÇÃO. 

PRESTE ATENÇÃO COMPANHEIRO
EM 1985 SE GRADUOU
E ASSIM EM EDUCAÇÃO ARTÍSTICA SE FORMOU
HABILITANDO-SE EM ARTES CÊNICAS, 
NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
PÓS-GRADUOU-SE EM EDUCAÇÃO ESPECIAL EM MINAS GERAIS
ESSA AMIGA É MUITO FORTE.

COM GARRA E DETERMINAÇÃO
FOI PROFESSORA DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA 
LECIONANDO NO ANÍSIO TEIXEIRA
E ATHENEU NORTE RIO-GRANDENSE
COM AMOR E DEDICAÇÃO
MOSTROU SER UMA PROFESSORA DE MUITA DETERMINAÇÃO


NO ESTADO DE RONDÔNIA ELA CASOU E FOI MORAR
E TEVE SUA FILHINHA
ANABELE VIANA SANTOS,
QUE LEGAL
SEU MARIDO É GENIVAL
UM HOMEM DE GRANDE VALOR
QUE NO CORAÇÃO TEM AMOR
EMPRESÁRIO CERAMISTA E ENGENHEIRO
VIVI É MULHER DE SORTE
AQUI E NO BRASIL INTEIRO.
ONDE VÁRIAS FUNÇÕES POR LÁ ELA EXERCEU
SEMPRE SUPERANDO O SEU EU
COMO EDUCADORA DA DIVISÃO DE ENSINO ESPECIAL
PRESTANDO SERVIÇOS AS APAES, SENSACIONAL
SOCIEDADE PESTALOZZI E ESCOLAS AFINS
FOI ASSESSORA DE PREVIDÊNCIA DO ESTADO DE RONDÔNIA
SEMPRE VITORIOSA ASSIM.


SUA HISTÓRIA NÃO TEM FIM
VEJAM QUE GRANDE FIGURA
VILMACI, FOI SECRETÁRIA DE CULTURA
DO ESTADO DE RONDÔNIA, MINHA GENTE
ELA ME DEIXA CONTENTE
POR ISSO QUERO RIMAR
PARA UMA MULHER INTELIGENTE
E CULTA DO MEU LUGAR.


POETISA PRA ORGULHAR
A NOSSA SOCIEDADE
É A MULHER DA CIDADE
É A NOSSA FORTE GUERREIRA
DA AAPOL ELA É CONFREIRA
ESCRITORA MEMORIALISTA
AUTORA DE VÁRIOS LIVROS
EU SOU FÃ DESSA ARTISTA.


AGORA BOTO NA LISTA
OS LIVROS QUE ADMIRO
TRAJETÓRIAS POLÍTICAS DE IZAURO E VALDEMIRO
PAISAGENS FEMININAS DE APODI
PUBLICA MAIS UM LIVRO AQUI
AS CANÇÕES DA LAGOA DOURADA
ONDE CONTA SUA HISTÓRIA DE VIDA
ESSA POETISA AMADA.


FICO IMPRESSIONADA
COM A SUA HUMILDADE
VILMACI É FELICIDADE
É VIDA É ALEGRIA
É VIAGEM EM POESIA
É O DESLUMBRE DAS EMOÇÕES
É A SEMENTE BELA QUE BROTA
NOS MAIS SINGELOS CORAÇÕES.



DEUSINHA
POETISA POPULAR
SÍTIO CÓRREGO
APODI- RN


Feijoada Cultural da Associação Raimunda Dantas


A Associação ARD, Associação Raimunda Dantas, estará realizando a feijoada cultural domingo dia 19 de abril. A arrecadação será para restauração da sede da Associação Raimunda Dantas na Casa de Cultura Popular. Não percam!!!
Dia: 19/04 - Domingo
Local: Em frente a Casa de Cultura Popular
Hora: A partir das 11:00 h.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Primitivas famílias dos sítios da região da Areia - (Apodi)

Região da Areia de Apodi, mas precisamente no Sítio "Barra", observando-se ao fundo a Lagoa de Apodi.(foto:Francisco Veríssimo)

Abordagens sobre o português ELISIÁRIO ANTONIO CORDEIRO (Pág. 47.), e como num relance de cunho genealógico lembrei-me de que em Apodi existe uma vetusta família conhecida como sendo dos ELISIÁRIO, proprietários de vasta extensão de terras situadas na margem da lagoa de Apodi, nos sítios "Barra", "Córrego" e "Ponta". Pois bem: Recorrí às minhas anotações de assentos de óbitos do 1º Cartório Judiciário de Apodi, livro 01, e lá encontrei o assento de óbito de ELISIÁRIO ANTONIO CORDEIRO, que vem a ser neto paterno do português. Dentre os filhos de ELISIÁRIO e ANTONIA SILVÉRIA DE OLIVEIRA (que vc. acha ser filha do CApitão SILVÉRIO MARTINS DE OLIVEIRA) você menciona o JOÃO, que vem a ser o JOÃO BATISTA DE MACEDO, que radicou-se inicialmente na ribeira do Panema, e depois em Apodi. Vejamos o seguinte esboço genealógico:

ELISIÁRIO ANTONIO CORDEIRO (Português).
. Casou com ANTONIA SILVÉRIA DE OLIVEIRA.
. Foram pais de:

F.01- JOÃO BATISTA DE MACEDO:

. Casou com LEONOR FELÍCIA BATISTA PERPÉTUA, que é a mesma LEONOR FELÍCIA DE MACEDO,ou ainda LEONOR MARIA DA CONCEIÇÃO, filha de Manoel Pereira do Canto e de Cipriana de Jesus Barreto, esta falecida em Apodi, no seu sítio "Mina" (Margem da lagoa de Apodi) a 09.11.1833, filha que era de João Pereira da Costa e de Vicência Maria. Observação: Leonor tinha um irmão de nome Manoel Antonio Torres.

. Foram pais de: (Dentre outros):

N.01- ELISIÁRIO ANTONIO CORDEIRO.(Repete o nome do avô paterno):
. Nasceu em 1835, na ribeira do Panema.
. Casou com MARIA JOAQUINA DA PENHA,falecida a 27.04.1916, de lesão cardíaca, aos 86 anos de idade, filha de Manoel da Silva Pereira e Joana Caé das Dores.
. Faleceu no sítio "Córrego" (Margem da lagoa de Apodi) a 15.11.1890, aos 55 anos de idade.
. Foram pais de:

BN.01- FRANCISCO GOMES DA SILVA - viúvo de Liberalina de tal.
BN.02- ANTONIO ÂNGELO DA SILVA - Casado com Herculana Maria da Conceição.
BN.03- ALEXANDRE BATISTA DA SILVA - Casado Maria Joaquina do E. Santo.
BN.04- MARIA OLÍMPIA DA PAZ - Casada com Joaquim Felício de Moura.
BN.05- JOANA MARIA DA CONCEIÇÃO - Casada com Eloy Jardim Torres.
BN.06- FRANCISCA MARIA DA CONCEIÇÃO - Casada com Joaquim Marcolino da Costa.
BN.07- PORFÍRIO PEREIRA DA SILVA - Casado com Sabina Cândida da Conceição.
BN.08- JOÃO CHRISÓSTOMO DA SILVA - Casado com Fca. Luzia da Conceição.
BN.09- MANOEL MARIA DA SILVA - Casou com Maria Fca. da Conceição, filha de José Ferreira Lima e Joana Fca. da Conceição.
BN.10- HERMENEGILDA MARIA DA CONCEIÇÃO - Casada com Phelipe Néry de Alencar.
BN.11- CÂNDIDA ÁGUIDA DA SILVA - Casada com Manoel Fernandes da Silva Norte.
BN.12- DELFINA DELMIRA DA SILVA - Casada com José Marcolino da Costa.
BN.13- CASSIMIRO ALVES DA SILVA - Casado com Ana Briolanja de Oliveira.
BN.14- ANTONIA BATISTA DA SILVA - Casou com Pedro Ferreira Lima, filho de José Ferreira Lima (Zé Amor) e de Joana Fca. da Conceição.
BN.15- LEONOR SÁTIRA DA SILVA - Celedonio Barbosa de Lima.

OBSERVAÇÃO: JOÃO BATISTA DE MACEDO foi pai, também, de JOÃO BATISTA DE MACEDO JR, e de PAULINO CABRAL DE MACEDO.

Por Marcos Pinto - historiador e advogado apodiense. 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Imagens da saudade - Por Marcos Pinto


A nostalgia da saudade mexe e remexe todo o território da alma, afastando-me do rebulício caseiro, como se me envolvesse inteiro em fome de solidão. Como num filme, surgem as imagens de uma vida marcada por contrastes de alegria e tristezas, de êxitos e decepções. de dias serenos e felizes sucedidos de outros sobressaltados e atormentados. A remota reminiscência traz matrizes vivas do avanço implacável do tempo, delineando um cenário em que me sinto rodeado, como que, num diálogo silencioso, dos vultos já tão distantes, diáfanos e impalpáveis pela morte que os levou, mas vivos na minha perene saudade. 

Tento esboçar ou tentar esboçar qualquer retrato evocativo das pessoas que fizeram parte de minha geografia humana. Se me fosse facultado por DEUS a vivência dadivosa daquelas pessoas e daqueles lugares que me proporcionaram momentos sublimes, assim gostaria de: ver o rio de Zé Bico descer em grandes cheias, com suas águas impetuosas vencendo a solidez dos barrancos; de banhar-me no Coaçu e na inconfundível “Crôa”; entrar na Igreja Matriz e orar a N. Sra. da Conceição e São João Batista; de fazer lances no leilão da Paróquia comandado por Lalá de Seu Domingos Freire; Descer e subir pelas velhas ruas que formam o “Quadro da Rua”, onde há de cada um de nós um pouco; De ficar atento em meu silêncio de criança. ouvindo as conversas noturnas por conhecidos e costumeiros frequentadores; De voltar ao 1º dia de aula, sendo recebido afetuosamente pela Professora Carmelita Ferreira, luz do saber que compunha o quadro docente do velho Grupo Escolar “Ferreira Pinto”, situado onde hoje encontra-se funcionando o Ginásio Prof. Gerson Lopes; De ir ao “Cine ODEON”, onde momentos antes ouvia-se “Seu” Altino Dias anunciar o filme em Tecnicolor, intercalando os anúncios com músicas de Nelson Gonçalves e Vicente Celestino; Deixar-me estar diante de uma velha casa, onde a alma da gente povoa de ilusões a solidão encantada; De acompanhar as procissões e as novenas do padroeiro e da padroeira do Apody; De comprar rosários de coco catolé nas festas paroquiais; Ir à feira aos sábados; ler no cemitérios os nomes de quantos viveram para servir à terra; De pegar uns “trocados” e ir até à casa de Cotó de Lúcio Fogueteiro saborear apetitosos e irresistíveis suspiros e doces de leite; De ir até a fazenda “Quadra” sentado no carroção do trator, que chamávamos “reboque”-trator de fabricação inglesa e que tinha o nome de marca “ALLIS CHALMERS”, de propriedade do meu avô paterno Aristides Pinto, e que tinha Expedito Inglês como tratorista, como também motorista do Jeep Toyota, também deste meu avô; De ir com o meu saudoso pai até o Sítio “Soledade”, ladeando-o juntinho no bando do Toyota para, aqui e acolá, poder “aprumar” a direção do mesmo na estrada carroçável, atitude facultada atentamente por meu pai; que sentia alegria em dar-me imensa sensação de realização de menino, naquela hora investido no perfil de adulto. 

Retornando a fita do tempo, gostaria, ainda, de deleitar os olhos da alma acompanhando a subida dos balões nas festas paroquiais, feitos por “Seu” Chico Guarda; De correr no meio da multidão para pegar os cartuchos queimados dos foguetões soltos por João de Benvenuto; De acompanhar a banda de música pelas ruas da cidade, ouvindo os seus inconfundíveis dobrados, numa mistura de sonos rítmicos da minha alegria; De acompanhar de forma saliente – o palhaço da perna de pau, aumentado o grupo da criançada que exercia esse ofício de segui-lo em troca de entrada grátis para o anunciado espetáculo circense; De reviver as noites recreativas de rapazote de 14 anos, na Associação Recreativa dos Jovens Apodienses – ARJA, que funcionava somente durante as férias escolares, oportunizando, assim o reencontro dos estudantes que frequentavam colégios em Mossoró e Natal; De reviver minha inauguração sexual nos braços de Estelina aos 12 anos de idade, secundando encontros semanais com Toinha de Felizardo, expert no ramo da lubricidade; De acompanhar meu pai ladeando-o no trato, em sua afanosa faina de arar a terra com a grade de discos, e às vezes com o “arado”, proporcionando-me assim o bafejo do orvalho da madrugada a beijar-me a face de menino de 7 a 8 anos de idade. Nessa faina respirava solfejando a alma com a mistura do cheiro da terra molhada ao do mufumbo triturado pelos discos da grade. 

Como se de novo fosse menino, e tudo voltasse por um feitiço de algum Deus oculto e adormecido, que de repente acorda para fazer do homem adulto quase uma criança em busca do seu destino. 
No meu passeio sentimental, gostava de ouvir com venerando respeito os bate-papos matinais de Zé Cabral, Tião Lúcio, Tião Pinto, Sebastião Paulo, Gregório de Chicá e de Robson Lopes, na calçada da Agêncis dos Correios e Telégrafos, numa miscelânea de assuntos de fazer inveja aos intelectuais polivalentes; De ir à  “perca do mercado”, comprar, à mando de meu pai , uma “palha” com tucunaré e curimatã ovada, peixe de preferência paterna. Diz-se “palha de peixe” pelo fato de que os pescadores usam palha de carnaubeira para pendurar os peixes, juntando em cinco ou seis, dependendo do tamanho em uma só palha, para serem expostos e vendidos na famosa “pedra do mercado”. 

Bate-me a lembrança de que eu sempre  me dirigia até a farmácia de “Seu” Nenem Holanda para “beber” um pouco de sua conhecida intelectualidade polivalente, encetando diálogos sobre temas históricos de Apody e região. À lembrança acolita a vontade de banhar-me nas paragens do “Zê Porrête”, que hoje denomina-se balneário. O batismo de “Zé Porrête” fora feito pelo caridoso médico Dr. Hamilton, oriundo da cidade de Cascavel-CE, e que casara no Apody com uma filha adotiva do Cel. Lucas Pinto, de nome Alaíde. 

Como eram paradisíacos os finais de semana no sítio de Tia Celcina, irmã de minha avó D. Nicinha. Dormíamos reparadores sonos sob o ranchinho de taipa coberto com palhas de carnaubeira. Os festivos dias eram preenchidos pelo banho na lagoa do sítio, como também em ir pegar passarinhos com alçapões, que chamávamos de “saplans”. 
As airosas tardes eram perlustradas durante a semana, em empinar papagaio, que os ricos chama de pipa, lá pras banda da casa do meu tio Mumundo, que tinha calçada alta, facilitando assim o lance de fazer subir a pipa. 

Lembro a praça com o seu coreto – palco dos meus primeiros amores, com a topografia em descaída, como se quisesse caminhar para a lagoa. No patamar da Igreja – onde penso que estão para chegar os que chegavam de outras épocas, costumava, em criança, deitar-me com os braços abertos e olhos fitos no céu acompanhando o voo das andorinhas, voo de andorinhas antigas cujas asas se imobilizaram no tempo da suave saudade. 
Aos pés de Nossa Senhora, pelo-lhe, em oração, que receba os meus que já se foram, igualzinha como está no altar. A palavra é humilde, mas o coração vem aos lábios numa prece recôndita. 

23.10.2002
Por Marcos Pinto