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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Meu juazeiro

Meu juazeiro fica ali no começo da Ladeira de Canto de Varas, no Sopé da Chapada do Apodi. Ele, uma árvore frequente nas caatingas do Nordeste, pertencente à família das ramnáceas, nasceu ali, de uma maneira que não sei explicar. Só sei que o conheci por aí por 1926, já crescido e com o mesmíssimo aspecto que se observava em 1976, quando o vi pela última vez. 

Eu o chamo de “meu juazeiro”, não porque me considere seu proprietário, e sim por ter sido ele o confidente-testemunha das minhas canseiras de menino pobre. Era junto ao seu tronco que eu, todos os dias, parava na sua sombra tentando descansar um pouco para, logo depois, enfrentar o resto da marcha rumo à cidade, pelo areal do Taboleiro Grande, com o sol já esquentando. 
Invariavelmente, aí pelas nove horas da manhã de cada dia de trabalho, nós nos encontrávamos, quando eu voltava a pé para a cidade, de mais ou menos uma légua de distância, em direção ao Sabiá, de José Medonça, ou à Soledade. 

Com profunda saudade, guardo do “meu juazeiro” as mais ternas lembranças, apesar de magoado pelo fato de jamais o ter visto carregado de juás, embora algumas vezes chegasse a florir. 
Todavia, continuo acreditando na amizade que nos unir por muitos anos, e estou certo de que não foi por maldade que ele nunca me deu juás, e sim devido ter ele nascido ali, no meio daquelas pedras da ladeira, tão secas que se torna difícil acreditar como foi que o pobrezinho chegou a sobreviver até agora. 

Aliás, a própria sombra do “meu juazeiro”, devido ao diminuto vigor dos seus galhos, só era encontrada junto ao seu tronco e por acomodação. 
Mesmo destas lonjuras onde vivo, ainda espero o dia de abraçá-lo novamente, meu querido juazeiro da Ladeira de Canto de Varas. 

Fonte: Flagrantes das Várzeas do Apodi - José Leite(Separata de Pré-Lançamento) 

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