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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sítio do Padre

APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DA TOPONÍMIA APODIENSE - SÍTIO DO PADRE.

Antiga denominação toponímica que remonta ao ano de 1795, em que o Padre FRANCISCO CORRÊIA TELLES DE MENEZES, adquiriu por compra três léguas de comprimento por uma de largura. A vendedora foi a Dona MARIA DO ROSÁRIO, viúva do sesmeiro português José Ramalho do Espírito Santo. Este sacerdote era famoso nas plagas da região Oeste potiguar como padre itinerante, posto que varava estes inóspitos sertões conduzindo sempre consigo um altar portátil, que era transportado em lombo de burro, cujo animal era comandado por um escravo ao clérigo. Estas terras situam-se na conhecida "região da areia". 

Inicialmente estas terras eram conhecidas como sendo "SÍTIO DO PADRE FRANCISCO", num referencial ao dito representante da Igreja Católica Apostólica Romana, que assumiu interinamente a paróquia de Apodi, neste ano de 1795. Este Reverendo padre foi o primeiro visitante a divulgar a existência das inscrições rupestres do "Lajedo de Soledade", sobre as quais acreditava tratar-se de mapas e roteiros de tesouros, deixados pelos homens da época pré-colombiana. 
Notabilizou-se nacionalmente por sua vasta erudição, evidenciada em seu renomado trabalho de cunho etnográfico intitulado "LAMENTAÇÃO BRASÍLICA", em que dentre variados temas abordados trata da linguagem travada dos indígenas tapuias paiacus, da nação Tarairiús, predominantes no RN, PB e CE.

Lamentavelmente desconhece-se o paradeiro de tão importante trabalho, sabendo-se que os dois volumes manuscritos foram entregues pelo Padre Telles de Menezes ao seu colega de sacerdócio Francisco de Brito Guerra, natural de Campo Grande-RN, que foi o primeiro Senador do Império pela então Província do RN. Contam antigos caicoenses, que o Padre Brito Guerra possuía um casarão senhorial com sobrado,onde guardava seu vasto acervo de livros, dentre os quais guardava os manuscritos do Padre Telles de Menezes. Após seu falecimento, os familiares venderam dito imóvel.
Conforme antigos historiadores caicoenses, na década de 1930 houve um grande surto de tuberculose naquela cidade, o que levou os proprietários do casarão mencionado, a incinerarem vultosa quantidade de documentos, livros e manuscritos que pertencera ao velho padre, sob a inconsistente e desastrada alegativa de que eram disseminadores do vírus da tuberculose. Credita-se a este episódio a queima dos tais manuscritos. De sorte que o Padre Telles enviou uma cópia para o Rei, em Portugal, cujos manuscritos encontram-se atualmente compondo o acervo dos "Arquivos Nacionais Torre do Tombo", em Lisboa. 

Estas terras foram doadas pelo Pe. Telles de Menezes ao seu afilhado Manoel Félix de Assís, cuja doação foi feita a 28 de Janeiro de 1823, conforme consta em um volume do acervo do 1º Cartório Judiciário do Apodi. As terras tinham as seguintes características: Três léguas de comprido buscando ao poente ou entre este e o Oeste-Noroeste da largura, o que se achar ao Norte conteste com as terras "Lages da Soledade", e da parte do Sul também pertencentes ao padre duas partes ou quinhões de dois herdeiros do dito José Ramalho do Espírito Santo. No instrumento de doação consta a recomendação do Padre Telles, de que o doado nunca proibissem os índios de fazerem caçadas em ditas terras, posto que eles eram os seus primitivos donos, cujas terras foram usurpadas pelo elemento branco colonizador. Com o passar dos anos, os filhos de Manoel Félix venderam estas terras ao Capitão Pedro da Silva Pereira e sua esposa Theodora Maria de Jesus.

O Padre FRANCISCO CORRÊIA TELLES DE MENEZES nasceu em Olinda-PE, no ano de 1745, filho legítimo do Licenciado Manoel Corrêia Telles de Menezes e D. Rosa de Vasconcelos Saraiva. Faleceu em Assu-RN no ano de 1845, aos 100 anos de idade, onde foi sepultado na Igreja-matriz, das grades acima, ou seja, perto do Altar-Mór. Atualmente estas terras estão ocupadas pelos descendentes do patriarca ALEXANDRE DA SILVA ALENCAR, filho do Capitão Pedro da Silva Pereira. 

Por Marcos Pinto - historiador apodiense
No blog de Antonio Praxades Filho - Potyline

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