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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Índios da Ribeira do Apodi sob a ótica do historiador Nonato Mota

A historiografia indígena potiguar reserva expressiva participação do profícuo historiador conterrâneo NONATO MOTA, o que nos faz ufanar o peito e nos sentirmos regozijados em sermos Apodienses. O seu relato histórico nos insere numa compreensão compartilhada e numa leitura temporal do passado constitutivo de nossa vasta cultura histórica. Como o nobre historiador conterrâneo não dispunha de recursos econômicos suficientes para publicação de seu vasto acervo pesquisado, encaminhava seus apontamentos extraídos de documentos oficiais para publicação em jornais da cidade de Mossoró, dentre eles o "COMMÉRCIO DE MOSSORÓ", em sua edição de 12.07.1914 com o tópico "NOTAS HISTÓRICAS", nas quais traça perfís dos indígenas que dominavam a Ribeira do Apodi. A lagoa Itaú é a nossa atual lagoa. A nação era Tapuias e as etnias eram Paiacus, Payins, Janduís/Janduins, Icós, Icosinhos, Caborés e Pegas. Vejamos:

" OS PAIACUS - Esta poderosa tribo de Tapuias cor de chumbo habitava nas margens do rio Podi e Lagoa Itaú, onde tinham as suas aldeias. Em 1682 quando Manoel Nogueira fundou o Apodi era chefe dos Paiacus o indômito guerreiro Itaú. Apesar da resistência de Manoel Nogueira, os Paiacus foram senhores da Lagoa Itaú.

OS PAYINS - Esta tribo de Tapuias habitava na lagoa do "Apanha-Peixe" e nas margens de um braço de rio que mais tarde teve o nome de Rio Umari. Gonçalo Pires de Gusmão, sócio de Manoel Nogueira, não podendo situar-se na lagoa do "Apanha-Peixe" por causa dos Payins vendeu a "Data do Apanha-Peixe" a Mathis Nogueira, pai de Manoel, e retirou-se para o Jaguaribe. Esses Payins aliaram-se aos Paiacus e deram combate aos Nogueira na célebre batalha de 09 de Agosto de 1688, onde tombaram mortos os bravos João Nogueira e Balthazar Nogueira.

Queixando-se os Nogueiras ao Governo mandou o Capitão-Mór da Capitania do Rio Grande o Paschoal Gonçalves de Carvalho, no ano de 1688, o Ouvidor Marinho retirar os Payins e seus agregados Caborés e Icosinhos, do Apanha-Peixe para a lagoa Itaú, onde vilou-os com os Paiacus. Os Payins, Paiacus, Caborés e Icosinhos foram depois vilados, a 08 de Dezembro de 1762 pelo Dr. Caldeira na serra de Portalegre.

Em 1825 tendo eles por Chefe o Cacique João do Pega revoltaram-se contra as autoridades da Vila de Portalegre, havendo combate entre os moradores da mesma Vila e os índios. Neste embate foi morto à flechadas o Capitão Bento José de Bessa. 
Presos os revoltosos foram estes fuzilados no sopé da serra de Portalegre a 03 de Novembro de 1825, tendo escapado milagrosamente o cabecilha João do Pega, cujo crime foi perdoado pelo governo, e o resto dos índios internou-se para o centro do Cariri, não voltando mais.

OS PEGAS - Estes selvagens habitavam nas margens dos rios Mossoró e Upanema, estendendo-se para as serras do João do Vale e do Patu. Em 1686 o Capitão-Mór Paschoal Gonçalves de Carvalho mandou o bravo Capitão Manoel de Abreu Soares com 120 homens de ordenanças e índios do Camarão para na Ribeira do Assu fazer guerra aos Tapuias Janduins. A 07 de Maio de 1687 Abreu Soares levantou um Arraial no sítio "Olho D'água", levantando outro sítio por nome Santa Margarida no dia 20 do mesmo mês (Hoje cidade do assu) onde demorou-se alguns dias, e depois seguiu em perseguição aos mesmos índios até as cordilheiras das serras de Leandro Saraiva , hoje conhecidas com os nomes de serra de João do Vale e Patu.
Em 1740 os portugueses Carlos Vidal Borromeu e Clemente Gomes de Amorim auxiliados pelos Paiacus expulsaram os Pegas da serra de Portalegre, indo eles habitar na serra de João do Vale.

A 19 de Novembro de 1761 o Coronel João do Vale Bezerra, fazendeiro no Upanema (Campo Grande) arrematou a serra, que depois passou a serra de João do Vale, por 420$000 (Quatrocentos e vinte mil réis). Neste mesmo ano o Dr. Miguel Carlos Caldeira de Pina Castelo Branco retirou os Pegas para São José de Mipibu onde vilou-os.
OS CABORÉS E OS ICOSINHOS:
Estes selvagens eram tribo de índios errantes. O Ouvidor Marinho vilou-os com os Payins na lagoa do Apodi no ano de 1688.

Artigo enviado por Marcos Pinto - historiador apodiense

3 comentários:

jeova disse...

excelente artigo enho curiosidade se payin , é a tribo da minha vó india, pois meu pai era conhecido como antonio painha (payin?)

Lucia Maria Tavares disse...

Acho incrível como os livros de história dotam os Paiacus como "Bárbaros" , mais esquecem de falar que os Paiacus apenas lutaram por suas terras. Eles amavam nosso querido Apodi e seria injusto deixarem ser vencidos por invasores. Quem gosta de ver sua casa sendo invadida ??? Então, porque os Tapuias deveriam ficar calados enquanto suas terras eram tomadas??? Bárbaros, assassinos eram eles que fizeram esse estrago todo.


Nós estamos aqui ! e os Paiacus Tapuias não acabaram.

Anônimo disse...

Muito bom o comentário de Lúcia Tavares.

Gilmar Henrique Tavares.