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domingo, 7 de julho de 2013

O patriarca de Apodi


O coronel Ferreira Pinto, foi um chefe político entrosado no domínio do poder. Sua influência não era só uma demonstração de hegemonia eleitoral do município do Apodi, pois refletia também a disposição das suas atitudes pessoais. Homem dotado de vigorosa intuição dos acontecimentos e das coisas, quando qualquer sombra anulava o cenário do poderoso partido de Pedro Velho, era ele dos primeiros que se convocava para as altas deliberações da agremiação governamental.

O fato é, aliás, por todos repetido. Pedro Velho, que era um cidadão de aprimorada educação política, não se deixava envaidecer pelas honrarias do poder, e sempre que julgava conveniente, chamava seus amigos dos municípios mais distanciados, e com eles debatia problemas, cujas deliberações poderiam envolver a vida do partido. Nessas reuniões sem precedentes, a figura respeitável de Ferreira Pinto dava, pela vivacidade do seu espírito, a impressão geral da confiança que sua palavra inspirava, meio aqueles homens sob quem pesavam responsabilidade da administração e dos destinos do Rio Grande do Norte.

Deixou, desses encontros, notas e memórias inapagáveis, especialmente, das situações difíceis que criava, para os outros, e de que fugia, habilmente, malgrado as recriminações dos companheiros, com quem formava o alicerce no âmbito municipal da política de Pedro Velho.

Em seu Dicionário Histórico e Geográfico, publicado em 1930, o Desembargador Antônio Soares, registra em verbete, aspectos curiosos da vida desse indiscutível donatário da capitania do Apodi:

“Antonio Ferreira Pinto – Cel. da antiga Guarda Nacional e chefe político no Município de Apodi, sua terra natal. Ferreira Pinto nasceu a 25 de maio de 1838, sendo seus pais, o capitão Vicente Ferreira Pinto e Dona Clara Cavalcante.
Casou-se em primeiras núpcias, a 05 de abril de 1860, com sua parenta em grau remoto, D. Maria Lui-za de São Braz Beltrão, que faleceu a 08 de dezembro de 1864; e, segunda núpcias a 10 de agosto de 1865, com sua prima D. Claudina Maria de Oliveira Neves, a qual faleceu em 31 de agosto de 1902. Ferreira Pinto dedicou-se desde moço, à vida comercial em que conseguiu uma regular fortuna, exer-cer também cargos de nomeação e eleição – delegado de polícia, Presidente de Comissão do socor-ros, Deputado Estadual em várias legislaturas. Espírito alegre e folgazão, inteligente e bondoso. Ferreira Pinto sabia granjear estima contado com inúmeros amigos não só em Apodi, como na Capital e em outros municípios do Estado. Faleceu a 04 de agosto de 1909, na cidade de Apodi, deixando uma descendência de 14 filhos e 51 netos, todos vivos, à data do seu falecimento. Em homenagem à sua memória, o governo deu a denominação de “Ferreira Pinto’’ ao grupo escolar instalado naquela cidade sertaneja, por cuja criação e construção foi um batalhador.’’

A feição patriarcal do Cel. Ferreira Pinto é atestada na sua conduta exemplar de chefe de família, dei-xando uma descendência numerosa, alguns dos filhos com a mesma vocação para a política, e a maioria para o comércio, enquanto outros se davam às lides do campo. De um dos seus netos, Arnóbio Pinto, do alto comércio de Mossoró, recebi o roteiro dessa informação, a respeito do regime familiar do sertanejo da Ribeira do São Batista do Apodi.

Por longos anos, na qualidade de representante das forças políticas do Apodi, foi o Coronel Ferreira Pinto, um dos nomes de projeção nas fileiras do belho Partido Republicano Federal, no Rio Grande do Norte. Sua posição partidária e o potencial político do seu município surgiam nas deliberações mais importantes da agremiação partidária onde, pesavam, consideravelmente, bastando para atestá-lo, as palavras do próprio chefe republicano Pedro Velho, e as atenções com que o distinguiram os seus continuadores no exercício do poder, entre outros os Governadores Alberto Maranhão e Joaquim Ferreira Chaves.

Demais, no balanço das suas atividade, a vida pública, do Cel. Ferreira Pinto pode ser apontada como paradigma de lealdade partidária, cuja constante e convergência era representada por sua disciplina de chefe da comunidade, de homem e princípios e de sertanejo forte, irretratável nas atitudes de cidadão, que tinha um patrimônio moral a defender, do político orientado pelo comportamento partidário dos velhos tempos da Primeira República.
Transcrito do livro “ZONA DO PÔR DO SOL’’ de Raimundo Nonato da Silva.

Fonte: Apodi, Sua História - Válter de Brito Guerra.

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