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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Homenagem a Isabel Aurélia Tôrres - Deusinha

Isabel Aurélia Tôrres
Em 1909 nasceu
Muita coisa aconteceu
Até seu falecimento
Vou contar nesse momento
Um resumo de sua vida
De quando era professora
E por que foi escolhida

Seu nome foi colocado
Na escola municipal
Do Córrego zona rural
Município de Apodi
Foi escolhida aqui
Como a melhor professora
Dessa bela homenagem
Isabel foi merecedora

Filha de Rosendo e Marcelina
Moça muito conhecida
Dedicou a sua vida
No Córrego a ensinar
Começando sem ganhar
Na época não tinha aluguel
Em 7 casas alheias
Passou ensinando Isabel

Tinha amor a profissão
Voluntária com esperança
Ela fez essas mudanças
Ensinando em muitas casas
Ensinava por que gostava
Até organizava fileira
Sentando os alunos nos seus
Banquinhos de aroeira
Bancos grossos de madeira
Cabia 10 em um só banco
Não tinha preto ou branco
Na palmatória entrava
Aquele que bagunçava
Levava um bolinho na mão
Pra aprender a respeitar
E ter mais educação

Outro castigo era a lição
Que soletrava e repetia
10 vezes naquele dia
Até aprender direitinho
O aluno ficava quietinho
E os amigos não zombavam
Ele reconhecia o erro
E a cabeça baixava.

Isabel tinha invenção todo dia
De uma pedra colocar
Na mão de quem se ausentasse
Pra recebê-la ao voltar
Pra ao outro aluno ela dar
E não haver empurrão
Pois se saísse mais de um
Era falta de educação.

Sempre Isabel passeava
Em 7 de setembro feriado
Levando pra outro lado
Do Córrego os alunos marchando
Em fila iam cantando
O hino nacional
A pé andavam dois km
Achando muito legal.

Essa data para os alunos
Era de muito valor
Pois recebiam com amor
Rapadurinha picada
Como balinha enrolada
Oh! que grande alegria
Ainda ganhava presente
Quem declamasse poesia.

A água pra seus alunos
Ia pegar na vertente
Na cabeça o sol tão quente
Trazia a lata cheinha
A água quase branquinha
Na boca do pote coava
E com um caneco de alumínio
Pra o aluno ela tirava.

Era muito organizada
Não gostava de entulho
Pegava papel de embrulho
Cortava em pequenas folhinhas
Transformado em cadernetinha
Que pra o aluno era de primeira
Fazia o encadernamento
Na máquina de costura.

Não recebia dinheiro
Nem aluno nem professor
Prefeito e governador
Transporte escolar não mandava
Mas aluno estudava
Com prazer e alegria
Nesse tempo era difícil
Mas mesmo assim aprendiam.



Conseguia fazer sua casa
Com Antonio Cosme casou
Um sonho realizou
Formou uma família feliz
Filhos só 5 deus quis
Pra forma essa união
Os filhos Pedroca, Salete,
Lôlôia, Nina e Dão.

Com garra e disposição
Isabel se aperfeiçoou
Grande dificuldade encontrou
Mas não deixou a profissão
Por seu amor e dedicação
Em 51 foi chamada e
Por Nenê Holanda, o prefeito
Isabel foi chamada.

Emocionou mais 25 anos
Em 76 parou
Logo que se aposentou
Por Nina foi substituída
A sua filha querida
Foi quem continuou a ensinar
Como professora primária
Ocupando seu lugar.

Seus filhos foram casando
E ela foi ficando sozinha
Daí pegou a netinha
Com 7 anos pra criar
De Selma pode chamar
Foi a sua companhia
Era quem lhe ajudava
Nas tarefas dia-a-dia.

Aos 91 aninhos
Isabel enviuvou
Depois de 1 ano se mudou
Lá em Vânia foi morar
Outra neta pra te amar
Isabel era querida
Passou por lá os 4 anos
Melhores de sua vida

Tratando como princesa
Gostava de se arrumar
Quem ia lhe visitar
Achava mais renovada
Bem servida e amada
Sorridente todo dia
E no seu aniversário
Só era festa e alegria.

Pra ela o povo trazia
Com muito amor presentinhos
Recebia com carinho
Não deixava ninguém pegar
Mandava Vânia botar
As pulseiras e os anéis
Com tudo se enfeitava
Sempre da cabeça aos pés.

Tinha memória tão boa
Todo mundo ela conhecia
De tudo Isabel comia
Suco, peixe, carne, pão,
Sopa, arroz e peixe
Vitamina e picolé
De sobremesa o cachimbo
Que vinha após o café.

Finalizou sua vida
Rodeada de amor
Em 2006 Deus a levou
Seguindo a eterna viagem
Ficou sua imagem
Gravada em nossa memória
Registrei minha homenagem
Contando a sua história.

Poetisa Popular de Córrego
Córrego - Apodi/RN.

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