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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Poesia do exílio - Paulo Filho Dantas

“Exilo-me em mim mesmo para
Refazer, repensar os vidados
Acontecimentos letárgicos
Contrários aos meus planos
Onde nem mesmo a solidão
Lunar será capaz de adentrar
O íntimo trancado por cadeados
Jogados nas profundezas do mar

Mas que tolo sou eu
Por acreditar ser capaz
De elaborar projetos futuros
Sonhados por um latino rapaz,
Se entrançara num mundo distante
Longe dos sábios ensinamentos
E troca a beleza da sabedoria
Pelos prezares do desaculturamento

Tudo está contra mim,
Principalmente o meu companheiro
Aquele jovenzinho forte estampado
Num semblante renitente e guerreiro
Que ao meu lado permanece,
Agora preocupado e frio
Antes animado e tranquilo ao olhar
Seu rosto nas águas claras do rio

Que se assusta a exclamar:
Aquele reflexo o meu não o é!
Espectro falso mandado  a comando
Do anjo da morte Ganimé
O mesmo ao rondar meus ouvidos
Negro é falta de uma luz
Que me retome o rumo certo
Ao torto caminho da cruz

Exílio intelecto é mesmo assim,
Os dias não passam, as noites não chegam,
Os meses não voam, os anos não correm,
As paixões não morrem, os amores semeiam
Por toda a terra e em cada canto
Há um poeta escritor exilado
Sendo ele escritor e tão só
Cultiva umbrais do ontem passado

E onde quer que vá
Encontra abrigo e alimento
E onde quer que passe
Observa na paisagem um sofrimento
Não alheio apenas aos poetas
Mas a humanidade como um todo
E é aqui onde dobram os sinos
Num atoleiro de lama, de lodo’’.

"Caminhos do Meu Ser''
Paulo Dantas Magno Filho 

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