Pesquisar neste blog

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Bronzeado, um dos bandidos que atacaram o Apody a 10 de maio

10 de maio de 1927

O Jornal “O Nordeste” de propriedade do apodyense jornalista Martins de Vasconselos, em edição deste dia, traz enfoque especial sobre o ataque a Apody ocorrido a 10 de maio, com o título: 

Bronzeado , Um dos Bandidos que Atacaram o Apody a 10 de Maio 

“Deste dias de julho findo chegou a este cidade, o prisioneiro Manoel Ferreira, por alcunha “Bronzeado”, que fez parte do bando chefiado por Décio Holanda e Massilon Benevides, que atacou a cidade de Apody a 10 de maio deste ano. Capturado em Martins, ao subir a ladeira da serra onde demora aquela cidade, o bandido fez revelações que aclararam o processo instaurado em Apody contra os mandantes do assalto. 

Diz, como o ouvimos, que é natural de Lavras, tem 27 anos, solteiro, filho do agricultor Vicente Ferreira e Maria Raimunda da Conceição. Disse que trabalhava ao Sr. João Cardoso, que mora em uma fazenda do Sr. Izaías Arruda, chefe de Missão Velha, e do qual o Cardoso é primo. 
Estava ali trabalhando quando chegou a ordem de Izaías de seguirem para o Apody, afim de fazerem o ataque já conhecido, a convite do Sr. Décio Holanda, morador em Pereiro. Ele e outros não queriam ir, mas foram obrigados. 

O portador da carta de Décio fora o conhecido chofer Júlio Porto, também bandido que aqui morou. Ao bandido Massilon que morava naquela fazenda e onde trabalhava de sapateiro, ao Júlio Porto juntaram-se 14 pessoas mais, inclusive ele, Bronzeado. 
Desse pessoal de Izaías, diversos estão no bando de Lampião, como se verá dos nomes seguintes: Vareda, José Roque, Gregório, José Tonheiro, Cajueiro, Rouxinol, Juriti, Nevoeiro ou Nevieiro – 16 pessoas, as acima citadas. 

Insto em dias de abril; e seguiram para a fazenda “Bálsamo”, de Décio Holanda. Dali marcharam para Apody, onde chegaram pela madrugada a 10 de maio, andando à noite e ocultando-se, desde a saída de Missão Velha. 

Em “Bálsamo” juntaram-se mais 4 indivíduos de nomes Vicente Brilhante, outro que este chamava de primo, Vicente de Tal, e mais um morador de Décio. Este acompanhou o bando até 3 léguas, voltando a exigências de Massilon, que presenciou a aflição em que ficara a mulher de Décio, que chorava e pedia que não violassem as famílias. 
Pobre senhora, tão digna de comiseração. Há minudências outras que já nossa impressa relevou”. 

Décio era casado com Francisca Gurgel, filha de Tilon Gurgel, e era conhecida como “Chicuta”. 

Fonte: Datas e Notas para a História de Apody - Marcos Pinto. 

Um comentário:

Wilson Brasileiro disse...

Excelente sua matéria. Sou filho natural de Apodi. Tenho um amigo paraibano que tem um conhecimento profundo sobre o cangaço no sertão nordestino. Ele me reporta muitas invasões do bando de Lampião, principalmente no Rio Grande do Norte e na Paraíba.

Obrigado,
Wilson Diniz Brasileiro.