Pesquisar neste blog

domingo, 7 de dezembro de 2014

A dor sem fantasia - Dodora

Elegantemente vestida ,
Com a bolsa entre as mãos,
entrou majestaticamente no restaurante,
parecendo acostumada com o luxo, a vida.
Entre as mesas, desfilou graciosamente
o seu porte de alteza.
As mãos, manicuradas, seguravam um jornal amarretado,
aliás, o único contraste na sua figura imponente.
Sentou-se à mesa,
mal percebendo as pessoas.
Os da casa acudiram como lacaios perplexos.
Sem a ouvirem balbuciar qualquer palavra,
a viram desabar num pranto comovente.
As lágrimas não cabendo nos olhos.
A dor não cabendo na alma
e o coração, cheio de rugas, explodindo atrás da mascar.
O seu abandono parecia rastejar entre as mesas
agredindo o silêncio que podia ser cortado em fatias.
Cenas de crises de amores desfeitos,
como sofrem os humanos comuns,
ou o invencível desejo de ser uma mulher amada?
A Alteza, dona de todos os súditos,
estava com o coração na orfandade
e a dor bailando desajeitada e sem fantasia.

Nenhum comentário: