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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Água - Aluísio Barros

Gota
poça
fonte
rio
mar
onda
ar
chuva
no rosto
gosto de sal

II

A gota d’água da chuva
rola no asfalto.
A gota com gosto de sal
desfigura o rosto
em forma de lágrimas
dor
ardor
amor & saudade
A gota que rola
é a gota que falta
para os sabores anis desta festa
que se projeta por entre frestas
dentes
que se fecham
com raiva dos olhos
que lhe negam – na lágrima,
o medo de parece frágil.

A gota é a coragem que falta
que brada
alma entregando-se
soltando-se
livrando-se
do sufoco que a garganta
quis sufocar.

A gota é a vida nascendo
brotando
por entre lágrimas


III

Rola a lágrima feito doída
nas calçadas ruas praças
sobe no bonde
trepa no ônibus
e desce na parada
A lágrima doida que rola na rua
encontra um bêbado-poeta
e muda o tom eloquente de seu discurso.
transfigura
tortura
dilacera
amargura-se
entontece
se tortura
e molha os olhos
e mancha o rosto
e lambe os lábios vermelhos e sedentos
de amor.
Vira dor; deixa de ser lágrima doida.
É doída, agora.
Mistura-se com álcool
se embriaga
fica tonta e vai nem sei para onde
bailando feito borboleta
em seu voo de começo de estação.

Acorda, a lágrima, ressacada, ressentida,
sóbria de dor e cansaço,
reclamando da poetisa
que não a quis em seu epigrama nº8.

Anjo Torto - Aluísio Barros de Oliveira 

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