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domingo, 26 de outubro de 2014

O dia em que nos chamarem saudade - Por Marcos Pinto

A contumaz observação às cenas do quotidiano, colhidas pela retentiva dos sentimentos, deriva pelo espírito inquieto num desfiar de conjectures intermináveis. Esboçam-se dramas em que o doloroso e o irônico se confundem. 

Com todos os visos de realidade chego a cruciente conclusão de que a vida reflete uma repugnante dança em torno do amor, da cobiça, da inveja, do ciúme, do ódio, da sensualidade, dos apetites mais baixos. Contudo, a minha incomensurável fé faz ponto de apoio à procura de motivos inibitórios, numa ponderação cada vez mais penosa às condições normais do ambiente, onde geralmente despontam efêmeras singularidades individuais. Antes essa análise quedome impassível, alheio à ansiedade. 

A indagação acerca de como estou indo respondo que estou somando os dias do tempo e contando os dias da vida. Tinha razão o Dr. Euclides da Cunha quando disse que “a terra é o exílio insuportável, o morto um bem=aventurado sempre”. A nossa geografia sentimental revela que temos um pouco de cada pessoa que convivemos no dia a dia. São personagens que deixam incrustadas n’alma observações que penetram fundo em nossos corações. Algumas apresentam uma tendência constante à imobilidades e a quietude. 

Gosto da vida agitada pelo fato dela não me dar tempo para pensamentos pessimistas. No auxílio incondicional a todos em todas as conjunturas está o segredo da vida que consiste em ser útil, ser alguém para alguém, numa interação de corpo e alma. 

Não adianta orgulho, bazófia, ufanismos, vaidades e egoísmos se o caminho natural é uma cova medida. Quando o nosso último sol se pôr caminharemos inexoravelmente pelo bairro da eternidade, percorrendo as ruas da saudade. Sou uma dessas pessoas que procuram tornar a loucura da vida alguma coisa de suportável. 

A súbita morte do meu único irmão deixou-me a impressão indefinível de uma imobilidade no tempo, um gosto amargo. Era um mediador de primeira ordem ante as intempéries da vida. Não tinha tempo para vaidades. Era um homem encarrilhado nas linhas inextensíveis do dever, de uma comiseração profunda e geral no anonimato de suas nobres atitudes, fecundas, generosas e dignas. 

Há poucos dias a família Pinto ficou novamente enlutada com o falecimento de Tia Lili Pinto, exemplar rato de uma espécie quase desaparecida – a matriarca sertaneja. Exerceu o cargo de professoras durantes as décadas de 30 a 50, iluminando com o saber muitos que hoje galgaram elevados degraus da vida. Percorria longas distâncias em lombo de cavalo para alcançar as escolas situadas na zona rural. onde a aguardava seus humildes e aplicados alunos. Nesse ofício veio a conhecer o Sr. José Barra do Nascimento, de tradicional família do brejo das Pedras de Abelhas, com quem convolou núpcias. 

Como verdadeira matriarca sertaneja, conduziu os destinos dos filhos com uma devoção e um zelo sem precedentes. Ao lado do seu esposo também conhecido como Zé do Mato Verde, educou a todos dentro dos princípios que sempre nortearam os destinos da família, ou seja, honradez e dignidade humana. 

Maria Zenóbia Pinto Barra(Lili Pinto) era filha do Capitão da Guarda Nacional Miguel Ferreira Pinto e dona Isabel Zenóbia D’Oliveira Pinto. Neta pelo lado paterno do Coronel Antonio Ferreira Pinto e dona Maria Luiza de São Braz Beltrão, e pelo lado materno do Capitão Sebastião Celino D’Oliveira Pinto e dona Josepha Zenóbia D’Oliveira. Nasceu no dia 24 de dezembro de 1905 e faleceu em 19 de outubro de 1990. 

A sua honrosa descendência é composta dos seguintes filhos: Raimundo Pinto Barra, Miguel Pinto Barra, José Pinto Barra, Paulo Pinto Barra, Pedro Pinto Barra(Pedroca), Pacífico Pinto Barra, Francisco Deassis Pinto Barra(Didi), Genoveva Pinto Barra, Yolanda Pinto Barra, Francisca das Chagas Pinto Barra(Chaguinha), Maria das Graças Pinto Reinaldo. 

Por Marcos Pinto – historiador e advogado apodiense. 

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