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sábado, 4 de outubro de 2014

João Batista Guerra - professor

JOÃO BATISTA GUERRA – UM APODIENSE GOVERNADOR 


João Batista Guerra nasceu na cidade de Apodi, no dia 6 de dezembro de 1914.  Era filho de Carlos Borromeu de Brito Guerra e Maria Bezerra Guerra. 

Iniciou seus estudos no grupo escolar de Apodi. Ainda muito jovem transferiu-se para Mossoró-RN, onde fez o curso de professor na Escola Normal daquela cidade, um dos melhores estabelecimentos de ensino do Estado na época. 

Muito inteligente e bastante dedicado nos estudos, foi aluo de destaque durante todo o curso. 
Ao receber o diploma de professor, em 1933, voltou ao Apodi, para ensinar no Grupo Escolar Ferreira Pinto, e em seguida casar-se com a professora Francisco Lopes, também diplomada pela Escola Normal de Mossoró. Desse casamento houve dois filhos. 
Em plena juventude e com entusiasmo, João Guerra dedica-se à política partidária. logo intrigou-se com os chefes políticos que dentro de pouco tempo passaram a dominar a situação em Apodi, triunfando em duas eleições seguidas. João Guerra atraiu para si a ira dos coronéis adversários. Perseguido, foi transferido para a então vila de Vitória, atualmente Marcelino Vieira, no alto Oeste Potiguar Ali ensinou um ano. 

Retornando à sua terra, deixou o Magistério para se dedicar ao comércio, no qual não obteve êxito. Valendo-se de sua inteligência ingressou na advocacia, como advogado rábula. Nesta profissão não lhe faltava clientes. Trabalhou dois anos nas atividades agrícolas plantando algodão, feijão e milho na Chapada do Apodi. Mais por passatempo do que por necessidades de sobrevivência desenvolveu esta atividade em Apodi.

Continuou participando da agitadíssima campanha política que se alastrava por todo o Estado do Rio Grande do Norte, quando já se tornavam frequentes as arbitrariedades e crimes de morte, com a cobertura do próprio governo, a cujo partido o João estava ligado. 
Considerado um bom orador, João Guerra participava dos comínios e reuniões ao lado do coronel Benedito Saldanha. Homem perigoso e violento, vindo de outra região para comandar o partido do governo em Apodi e noutros municípios desta zona. Em Apodi o tal coronel deixou marcas profundas de sua violência. 

Em 1935, foi deflagrada a Intentona Comunista no Rio Grande do Norte. Abafado o movimento, muitos políticos foram presos. João Guerra foi denunciado como subversivo, refugiando-se para não ser preso. 
Graças a interferência do seu sogro, Antonio Lopes Filho, homem de prestígio e correligionário do governador eleito, Dr. Rafael Fernandes, João Guerra conseguiu voltar ao Apodi, sem coação. 
Não vislumbrando nenhuma perspectiva de futuro para ele, no Apodi e no Rio Grande do Norte, marcado pelos adversários, e observado a pequenez do ambiente para um jovem inteligente, cheio de ideias e esperança, resolver deixar o Apodi. 

Dentre os seus projetos para mudar o rumo de sua vida, aceita o convite de um norte-rio-grandense ilustre que assumia importante cargo no Território Federal do Acre. No ano de 1942, viaja com a família para assumir o cargo de diretor de um grupo escolar na cidade de Cruzeiro do Sul, Acre. A mulher não se deu no ambiente e dois anos depois estava de volta ao Apodi. 
Com a mudança de governo, no Território do Acre, João Guerra é obrigado a deixar o Cruzeiro do Sul, indo para Manaus, trabalhar no Serviço de Profilaxia da Amazônia durante algum tempo. Ai conheceu Ivanyr G. Farias, com quem manteve um relacionamento de compreensão até o fim de sua vida. Dessa união houve cinco filhos, todos residindo atualmente em Manaus. 
Daí em diante esteve ligado ao Território de Rio Branco, depois Roraima. Ali assumiu diversos cargos no serviço público federal. Através de cursos conseguiu os títulos de Técnico e Bacharel em Administração, o que lhe permitiu importantes funções. 
Dentre os inúmeros cargos que ocupou na Amazônia, destacamos as seguintes: 
1 – Diretor de um grupo escolar na cidade de Cruzeiro do Sul, Acre. 
2 – Funcionário do Serviço de Profilaxia da Amazônia. 
3 – Secretário do Serviço de Administração Geral de Roraima.
4 – Diretor titular do Serviço de Administração de Roraima. 
5 – Diretor do Curso de Aperfeiçoamento dos Serviços Territoriais de Roraima e professor do mesmo Curso. 
6 – Secretário Geral do Território de Roraima. 
7 – Governador, em substituição do Território de Roraima. 
8 – Representante dó Território de Roraima em Manaus. 
9 – Chefe da Secção Pessoal de Administração. 
10 – Diretor de Segurança e Guarda do Território de Roraima. 
11 – Professor de Pedagogia e Psicologia. 
12 – Assessor Técnico do Governador. 
13 – Assessor Técnico da Câmara Municipal de Manaus ao VII Congresso Nacional dos Municípios. 

Indo residir em Manaus, ao encerrar suas atividades em Roraima, e juntamente com outros profissionais, instala um escritório de prestação de serviços – SERVAM , abrangendo os ramos de Direito, Engenharia, Economia, Administração, Contabilidade e outros. 

Uma das características de João Guerra, muito admirada, era sua popularidade e sua maneira cativante de fazer amizade. Aliada ao seu espírito de aventura, estava sua coragem para enfrentar desafios. A prova maior disso foi a sua trepidante trajetória pela região amazônica, enfrentando sérios obstáculos, inclusive em lutas políticas. 

Suas atividades literárias limitaram-se a artigos, crônicas e reportagens para jornais. Escreveu algumas teses sobre assuntos administrativos, sociais e econômicos da região. 
João Batista Guerra foi o apodiense que, pelas suas qualidades chegou ao importante cargo de governador, no Território de Roraima, em 1951. Sem dúvida, um exemplo admirável de talento e capacidade, para atingir altas posições na vida pública, sem ambições, pois, o exemplo marcante de sua personalidade era a modéstia. 

A notícia de sua morte, quando ainda não tinha completado 60 anos, a recebi com espanto e certo cepticismo. Isto pelas circunstâncias em que sua vida se extinguiu, fulminada por um colapso, contra o qual não teve chance de lutar, e quando muito ainda teria a realizar. Enfim, um fato para mim inesperado. Curvou-se diante do terrível imprevisto, o homem que eu conheci na intimidade do nosso lar e da nossa família, na plenitude de sua vigorosa juventude esbanjando saúde. 
Em Apodi, sua terra natal, foi o professor iniciante, o comerciante, o político afoito, agricultor e advogado. Lutando, porém sem esperança de conquistas compatíveis com o seu preparo intelectual e com os seus ideais. 

Depois, a grande aventura e o sonho com os tesouros minerais escondidos na vastidão das florestas sem fim, da natureza generosa e cruel ao mesmo tempo. Uma ameaça constante ao home, exposto a riscos e perigos que podem comprometer a sua saúde. 
Com dificuldades João Guerra, enfrentou batalhas e conquistou vitórias que o consagraram como um verdadeiro herói, nas terras distantes que ele tanto admirava, amou e constituiu família. Morreu quando não esperávamos, no dia 9 de setembro de 1974.

Fonte: Mistura de Frases e Palavras - Válter de Brito Guerra - 1998.

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