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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Algumas famílias apodyenses e seus epítetos

Quando os primeiros portugueses pisaram o solo apodyense, ficando os seus currais de gado e disseminando suas estirpes genealógicas, nascia com eles o estranho hábito de implantar apelidos nas famílias que com eles disputavam as datas e sesmarias daqueles inóspitos sertões. 
Pesquisando vetustos inventários existentes no 1º Cartório Judiciário do Apody, deparei-me com alcunhas um tanto quanto esdrúxulas, principalmente sobre as famílias que dominavam as hostes políticas daquele urbe, durante o primeiro e o segundo império. A Família Pinto comandava o Partido Conservador (vinculado ao Imperador), à época sendo alcunhada de família “Prego”, enquanto a família Mota, que dirigia o Partido Liberal, era apelidada pelos “Pregos” como família “Forreca”. 

Nas várias oportunidades em que puder “tirar um dedo de prosa” com o Sr. Francisco Correia Lima (Canário de Antônio Padre), pude compilar, mentalmente, 21 famílias e seus respectivos apelidos, por demais interessantes. A família “Broca” reside nas várzeas do Apody e descente do velho “Zé Broca”, que era casado com Delmira (da família “Foice”). Imaginem uma “foice” brocando (desmatando) floresta virgem na fazenda “Quadra” de Aristides Pinto(de saudosa memória). Os componentes da família “Broca” recebem a denominação familiar Andrade. 

A família “Bruaca” reside no Sítio Soledade, famoso sítio arqueológico, descendendo estes rijos homens do velho “Zé Bruaca”, homem destemido, matador de onças, “acuando-as” nas cavernas do lajedo. Depois vem a família “Bofe”, denominação dada pelo fato de a matriarca Alexandrina Bofe, quando fustigada por qualquer provocação, costuma afirmar “que já estava ficando com os Bofes inchados” de tanta raiva. Nos sertões, o termo “Bofe” designa os pulmões. 

No final do século passado houve grande êxodo habitacional do Apody para o longínquo Estado do Amazonas, em sua maioria de pessoas que empreendiam fuga apocalíptica do flagelo das secas, acolitando do esta realidade de sonhos de riquezas nos mananciais dos seringais. Dentre estes heróis, verdadeiros bandeirantes da época, destaca-se a figura de Otaviano Gama que, de tanto ser “cavaquista”, importunando-se facilmente com qualquer provocação ou insinuação, deram-lhe o apelido de Otaviano Cavaco. Daí a origem dos “Cavacos”. 

As famílias que hoje proliferam como miríades em Apody têm suas origens nos Estados de Pernambuco e Paraíba. Desde último Estado vieram as famílias Alves Maia, Maia de Oliveira e Dantas (do velho Manoel Custódio). 

Os patriarcas Izaías Alves de Oliveira (pai de Osmídio e Raimundo Jovino) e Benjamim Alves de Oliveira e o velho “Zé Raposo”, ambos de Catolé do Rocha – PB, constituíram uma prole que recebeu o apelido de família “Fogo”. Tal denominação deve-se ao fato de que alguns de seus membros apresentam cor muito branca e cabelos amarelados “cor de fogo”, características físicas aliadas ao gênio irascível. É comum ouvir alguém dizer que “pessoa da família Maia é fogo”, isto é, arrojada. 

Os da família Leite recebem o apelido de “Picheques”, afirmativa reiterada pelo historiador José Leite(Dedé de Lino Leite), aquém presto memória póstuma. Esse tronco familiar vem do velho Leornado Ferreira Leite, genitor de Luiz Ferreira Leite, João Ferreira Leite(político em Mossoró) e Pedro Ferreira Leite. Temos ainda os protagonistas de comédicas do riso, nas pessoas do velho Mané Leite e Lino Leite. Em Mossoró temo um legítimo “Picheque”, na pessoa do vereador Pedro Edilson Leite Jr. 

No Sítio “Bico Torto”, localizado às margens da lagoa do Apody, encontramos os descendentes do velho Joaquim Manoel da Costa, conhecido popularmente como Joaquim Inglês, tronco dos muitos “Ingleses” que habitam aquelas paragens – homens honestos e trabalhadores. 

Elencando, temos ainda à família “Pichau”, oriunda do velho Lúcio Fogueteiro, pai de Tião Lúcio, Cotó, Nem e Maria José, dentre outros. E, assim temos: 

- Os “Mendengues” (não confundir com Mezengas!). Descendem do velho João Mendengue, nascido no “Baixio de Nazaré”, serra de Martins. 

- Os Sansão – Descendem dos velhos Amâncio e João Coringa, nascido em Umarizal – RN.

- Os “Tito” – Descendem do Capitão da Guarda Nacional Tito Joaquim de Souza Campelo (do Alto Santo – CE). Casado com D. Maria Gomes de Oliveira (filha do Capitão Vicente Ferreira Pinto – chefe político do Apody em 1817), avós maternos dos coronéis Francisco Ferreira Pinto, Lucas Pinto e Aristides Pinto. 

- Os “Foice” – Vêm do velho “Mané Foice”. 

- Os “Pebas” – Vêm da velha Ana Peba(Melancias). 

- Os “Preás” – Vêm do velho Antônio Preá. 

- Os “Baralhos” – Vêm de Maria Baralho(Sítio Pé de Serra). 

- Os “Padres” – Vêm de Antônio Padre. 

- Os “Vida Mansa” – Vêm do velho pescador Antônio Vida Mansa. 

- Os “Caveja” -  Vêm do velho Ademar Caveja (Ademar Silveira), pai do saudoso Fanhico, do bar “Canto das Almas”. 

- Os “Dino” – Vêm do velho Sebastião de Dino(Sebastião Sizenando Sena e Silva) – homem que tinha a melhor caligrafia do Apody). Era paibano. 

E... assim os sertões quebram a monotonia de suas imagens e diálogos, com a evocação de “causos” e “cousas” trazendo à boca o gosto gostoso da saudade da minha amada cidade do Apody. 

Por Marcos Pinto – historiador e advogado apodiense. 

Um comentário:

jeova disse...

por acaso tens alguma referencia sobre familia painha (payins)?????