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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A derrocada política da família Pinto - Por Marcos Pinto

Quando o português Alexandre Pinto Machado pisou o fértil solo apodyense, oriundo da cidade de Mirandela (Portugal), já o fez investido da patente de Capitão-Mór da Ribeira do Apody. Nascia com ele a que seria a maior oligarquia política do Estado do RN. 

Afirma a tradição que o capitão Pinto Machado teria fixado residência em Apody por volta do ano de 1780. Tal assertiva encontra arrimo em vetusto inventário, onde encontra-se o testamento do velho Pinto, esclarecendo haver comprado (em 1780) data de terras no lugar denominado Ponta, ao sesmeiro baiano Christovão da Rocha Pita. 

Nos mais ricos habitantes da Capitania do RN, manifestava-se a tendência de procurar o quanto possível a união com família semelhante, formando-se clãs poderosos. Daí o capitão Pinto Machado ter casado com Dona Francisca Barbosa D’Amorim, filha do português João Barbosa Correia, natural de Ponte de Lima. 

Afirma-nos o historiador Raimundo Nonato, em sua célebre obra “A Zona do Por do Sol” que em 1822 o capitão Vicente Ferreira Pinto (1º deste nome e pai do 2º), filho de Pinto Machado , comandava o Partido Conservador no Apody, e o  capitão José Ferreira da Mota comandava o Partido Liberal. 

Por mote do capitão Vicente Ferreira Pinto, em 1847, foi elevado a chefe do Partido Conservador o seu filho Sebastião Celino D’Oliveira Pinto, deputado eleito até ser proclamada a República, em 1899, por mote do capitão “Tatão”, como era conhecido, sucedeu-o o seu sobrinho paterno o coronel Antônio Ferreira Pinto, pai do também Cel. Luís Colombo Ferreira Pinto, político militante em Mossoró, tendo sido sucessor de Rodolfo Fernandes (em 1927). 

Falecendo o Cel. Ferreira Pinto a 04/08/1909, sucedeu-o o seu filho Cel. João de Brito Ferreira Pinto, tendo este falecido em 1915. Com o prematuro falecimento de João de Brito, foi-lhe suceder o seu tio materno Cel. João Jázimo D’Oliveira Pinto (filho do capitão Tatão). 

Em 1924 é eleito presidente da Intendência Municipal, o Cel. Francisco Ferreira Pinto, apoiado por seu mentor político, sogro e primo em 2º grau o Cel. João Jázimo. Em rápida ascensão, é Chico Pinto eleito deputado estadual, trajetória de envergadura interrompida por seu assassinato a 02 de maio de 1934, quando contava a idade de 39 anos. 

Teve o Cel. Lucas Pinto o honroso dever de suceder o irmão covardemente assassinado, com o mesmo determinismo herdade dos ancestrais. 

Observe-se que a família Pinto de Apody para Mossoró (Luis Colombo, Jorge Pinto e Luiz Pinto), sendo certo que em 1927 o Cel. Francisco Pinto comandava Apody e Luiz Colombo comandava os destinos de Mossoró, por falecimento de Rodolfo Fernandes. 

Em 1870 a cidade de Portalegre era comandada pelo capitão Antônio Gomes Pinto, estendendo a oligarquia Pinto naquelas paragens até o ano de 1920, quando o seu neto, o Cel. Laurino de Paiva, chefiava os destinos políticos daquela cidade serrana. 

De Apody para Caraúbas seguiu o capitão Alexandre Magno D’Oliveira Pinto, disseminado a oligarquia, proporcionando a investidura de um Pinto no cargo de governador do Estado do RN – o seu bisneto Walfredo Gurgel sucessor de Aluízio Alves. Alexandre Magno era filho do capitão Vicente Ferreira Pinto (primeiro deste nome). 

Até o pouco tempo encontrávamos um representante da família Pinto investido na função de prefeito municipal de Viçosa –RN, o Sr. Francisco Gomes Pinto, conhecido como Chichico Pinto. 

A derrocada política da família Pinto deu-se por radicalismo político do Cel. Lucas Pinto. As atuais cidade de Itaú e Felipe Guerra pertenciam ao município Apody. Em 1962 houve a emancipação política daquelas duas cidades. Nos embates eleitorais Itaú sempre dava maioria aos Pinto, enquanto Felipe Guerra, sob o comando dos Gurgéis, dava maioria aos adversários dos Pinto. 

Usando de seu prestígio político junto ao governador Aluízio Alves, eis que Lucas Pinto consegue derrubar a emancipação política de Felipe Guerra, e a cidade acirrou, mais ainda, os ânimos contra os Pinto, impondo fragorosa derrota (em 1962 – 0u 1963?) ao então candidato a prefeito Dr. Newton Pinto, que perdeu para Isauro Camilo por uma maioria superior a 200 votos. 

Isauro fora candidato à vida pública pelas mãos do Cel. Lucas Pinto, a quem traiu levando-o ao ostracismo político. Como espécie de castigo divino, eis que Isauro morreu no mais completo ostracismo político. 

Por Marcos Pinto – historiador, advogado e Presidente da Academia Apodiense de Letras.

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