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domingo, 21 de setembro de 2014

José Messias, um apodiense de coragem - Por Válter Guerra

Entre os anos de 1925 e 1934, ocorreram acontecimentos políticos bastante agitados em Apodi, com violências e crimes de morte. 

Um chefe político que imperou neste município, vindo de fora, durante parte desse período, sagrou-se campeão da violência na região, tornando-se , ao mesmo tempo, um autêntico e autoritário coronel daquela época. Uma espécie de rei, soberano e absoluto. Sua palavra, a própria leite. Seu nome, Benedito Dantas Saldanha. 

Quando não atendido através do diálogo, usava a força para conseguir os seus objetivos. Exigia o poderoso chefe, dos eleitores, que todos soletrassem pela sua cartilha política. 

Assim viveu, em nosso meio, incomodando e assustando, com o seu arbítrio, a pacata população do Apodi. Até que, em 1934, num pleito eleitoral histórico e conturbado, Benedito Saldanha foi derrotado, despedindo-se do Apodi. 

Levou na sua memória, a lembrança de um episódio que ainda não foi esquecido: a surra que mandou aplicar no cidadão Manoel Virgínio, homem de bons costumes, por questões políticas, em praça pública. 

O acontecimento causou grande indignação aos apodienses. A revolta do povo, entretanto, foi sufocada  pelo medo. Medo de um homem sempre acompanhado de militares e capangas, preparados e prontos para a prática do crime. 

Quem se atreveria, então, protestar o ato arbitrário e violento contra um cidadão honrado, cujo crime era não votar no coronel? Só um apodiense teve a admirável coragem de protestar. Chamava-se José Messias. Um homem do povo, nascido das várzeas do Apodi. 

O Messias foi chamado à presença do temível chefe. Diante do vingativo político, Zé Messias nada negou. E falou com voz firme: “O que eu disse sobre a surra que o senhor mandou dar no Manoel, confirmo agora”. Carrancudo, impassível, o coronel interroga: “Não tem medo que eu mande dar em você, surra igual”? Incontinenti, veio a resposta do Messias: “Não tenho medo, coronel. O senhor tem coragem e poderes. Mas uma coisa lhe peço: quando mandar os capangas para fazer o serviço, avise-me o dia, hora e lugar. Eu espero”. 

A serenidade com que Zé Messias falou, a calma demonstrada diante da ameaça e do perigo, deixaram o coronel impressionado, reconhecendo naquele homem simples e humilde, uma coragem difícil de ser encontrada. Naquele momento, num gesto de admiração, o coronel cumprimenta Zé Messias, aperta-lhe a mão, e tornam-se amigos. 

Quem assistiu a esse encontro, provocado pela insensatez de um político arbitrário, contou-me a história acima narrada. 

Fonte: Apodi no Passado e no Presente - Válter de Brito Guerra, 1995- 3º Edição. 

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