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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A família Noronha - Apontamentos históricos - Por Marcos Pinto

Os terrenos que constituem o atual município de Apody foram perlustrados desde o segundo quartel do século XVI, por portugueses que, por laços de fidalguia oriundos da Corte, foram agraciados com concessões das terras férteis que margeiam a lendária lagoa daquela histórica cidade. 

O insigne historiador Ernesto Enes, em sua célebre obra “AS Guerras nos Palmares” – 1º Vol. Col. Brasiliana – evoca as entradas colonizadores feitas nos sertões apodyenses, fato, corroborado pelo historiador, de nomeada, professor Vingt-um Rosado em “Gente do Século XVII na Ribeira de Mossoró” nos seguintes termos: “Em 1689, estiveram no combate aos índios da lagoa do Apody os capitães de Infantaria Manoel da Rocha Lima e Manoel Roriz de Sá, além dos soldados João do Monte e Luiz da Silveira Pimentel. 

Apody, como berço colonizador daqueles sertões, acolheu, em toda sua exuberância natural, os fidalgos portugueses que ocorriam na busca desenfreada pela riqueza oriunda de seu solo fértil, fator primordial para seus currais. 

Dentre estes portugueses, sobressai-se o capitão Carlos Antônio de Noronha(irmão de D. Thomaz de Noronha, bispo resignatário da Sé de Olinda) e sua esposa D. Maria Mendes de Abreu. Inicialmente estabeleceu-se na Freguesia de Russas(CE), onde nasceu seu filho Joaquim José de Noronha. Com  o declínio do “Ciclo das Charqueadas”, passou a residir na cidade do Apody onde faleceu. 

Joaquim José de Noronha é tronco familiar dos Noronhas no Apody, onde cresceu e desenvolveu suas atividades agropecuárias. Casou-se a 21.03.1853 com D. Maria Gomes da Silveira (nascida em  16.12.1798, filha do capitão Manuel João da Silveira e Bonifácia Barbosa de Lucena, que por sua vez era neta do português João Barbosa Correia, natural de Ponte de Lima), Desse matrimônio advieram os filhos Joaquim José Carlos de Noronha e Manoel Carlos de Noronha, tendo ficado a sra Maria Gomes da Silveira em estado de viuvez, convolou segundas núpcias com o capitão Vicente Ferreira Pinto(1ª deste nome, filho do capitão Alexandre Pinto Machado e Francisca Barbosa D’Amorim – origem dos Pintos do Apody), com quem gerou oito filhos. 

Nas sequência genealógica temos: Joaquim José Carlos de Noronha(nasceu a 31.07.1820 e faleceu a 14.09.1908), que casou-se a 1ª vez em 15.06.1840 com D. Maria da Conceição Nogueira (filha do Major João Nogueira da Silveira e D. Joana Gomes Nogueira) a qual faleceu em 31.10.1855, deixando 12 filhos órfãos. Casou-se em segundas núpcias com D. Júlia Dantas de Noronha(de origem paraibana) que faleceu em 31.08.1884, dentre os quais Horácio Carlos de Noronha, sogro de Costinha de Horárcio. 

Horácio e José Carlos de Noronha(sogro de Hermes Mendes, João Rebouças, capitão José Filgueira e maestro Francisco Picado) foram casados com duas moças (ambas também residente em Mossoró). Gaudêncio Carlos de Noronha saiu do Apody, indo fixar-se em Areia Branca(RN), onde casou-se com a Srta Ana Joaquina de Souza Noronha(irmão do historiador Francisco Fausto). Gaudêncio era irmão de José Carlos, casado que foi (José Carlos) com D. Raulina Noronha, também irmão de Francisco Fausto. Gaudêncio faleceu a 21.08.1934 aos 85 anos de idade, deixando os filhos Artur, Silvério, Lídia, Ercília e Laura de Souza Noronha. 

Joaquim José Carlos de Noronha casou-se a 3ª e última vez com D. Maria Dantas de Noronha (em 31.01.1885), com quem teve seis filhos, atingindo em vida 206 pessoas de sua descendência de velho povoador do solo. 
Em Mossoró destacaram-se ainda: Paulo Gutemberg e Renato Costa(primeiro dono da Rádio Difusora de Mossoró). 

Outro filho de Joaquim José Carlos de Noronha povoou os sertões de Pau dos Ferros. Trata-se de Lindolfo Carlos de Noronha, advogado provisionado, ou rábula, disseminador dos muitos Noronhas, hoje entrelaçados com Rêgos, Torquatos, Gameleiras, Aquinos, Bezerras, etc. 

E assim o sangue apodyense a correr nas veias da grei norte-rio-grandense, espalhando o civismo e a bravura daqueles rincões hospitaleiros. 

Por Marcos Pinto – advogado, historiador e Presidente da Academia Apodiense de Letras.

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