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terça-feira, 5 de agosto de 2014

A botija dos besouros dourados

Certo dia do ano de 1928, ao amanhecer, eu me dirigia para o Taboleiro de Vicente Baldino, e para o meu trabalho de limpador de enxada no nosso cercado de plantação e, depois de tomar banho no meu açude, da Baixa do velho Luiz Garantizado, cheguei ao meio do caminho, ali junto ao cercado de Possidônio Alves e tive uma promissora surpresa e uma desagradável decepção. 

O Sol estava despontando e os seus raios já atingiam o chão do Taboleiro, molhado pelo sereno da noite, que aparecida pontilhado de brilhantes focos luminosos. Eu, sempre olhando para o lado do Poente, divertia-me com a luminosidade da manhã, quando divisei um intenso brilho, junto ao tronco de uma moita de marmeleiro, uma verdadeira tocha. 

Muito ansioso e pensando tratar-se de uma botija, corri para perto da coisa e descobri que se tratava de um litro de vidro branco enterrado no chão, com o gargalo de fera e no qual os raios solares incidiam e causavam um grande reflexo. 
Desconfiado e esperançoso, olhei para dentro do viro e vi um brilho de puro outro, que chegava aos dois terços do recipiente. 

Fiquei muito animado e na certeza de que realmente se tratava de uma botija de peças de outro, tratando logo de arrancar o vidro, com inusitada ansiedade e na confiança de que aquela riqueza era um presente que Deus me havia reservado. 
Qual não foi a minha decepção ao verificar que o conteúdo do viro era um monte de besouros dourados como outro e muito comunis no Apodi do meu tempo. 

Fonte: Flagrantes das Várzeas do Apodi - José Leite(Separata de Pré-Lançamento). 

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