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quinta-feira, 3 de julho de 2014

O caçador forasteiro e a tigre na furna

Contou-me o velho Zezinho Avelino, que em 1915, chegou na Soledade, um homem de nome Chico da Velha. Vinha da Serra do Martins, tangido pela grande seca que assolava a região naquele ano. Fez uma barraca, feita de madeira, coberta de ramos, e aí morava. Tinha como companhia, uma cachorrinha caçadeira. A serra do Apodi, naquela época, era farta de caça. E, como caçador, o forasteiro encontrou, na região, o seu repasto. 

Um dia, nas suas andanças pelos lageiros, caçando, Chico da Velha, deparou-se com uma enorme tigre, que no momento entrava na furna. Demonstrando coragem, colocou uma pedra na boca da furna, Feito isso tomou o destino certo, em busca de meios para matar a terrível fera. Correu até Soledade. E lá chegando, comunicou o achado a Chico Targino. 

Munindo-se das armas, o Targino dirigiu-se ao local, dele já muito conhecido. Tombada a pedra, Chico Targino, entrou na furna, acompanhado de Manoel Costa, homem também de muita coragem e acostumado com aquela perigosa missão. No vasto salão da furna, apenas rasto de onça. Vasculharam tudo e nada acharam. Saindo da furna, o Targino interrogou Chico da Velha, dizendo: “Que história é essa? Percorremos tudo e não achamos onça nenhuma?”. 

“Mas ela entrou aí, eu vi, era uma pintada muito grande”, respondeu Chico da Velha. 
Chico Targino fez uma advertência ao caçador forasteiro, dizendo: “Vou entrar novamente na furna, se nada encontrar,m quem morre é você”. 

Conhecendo o temperamento do companheiro, violento, agressivo, Manoel Costa pediu-lhe calma. 
Instantes depois, Chico da Velha ouvia um estrondo. Era mais uma pintada, que se escondera na parte superior da gurna, abatida pelo certeiro clavinote de Chico Targino. 

Fonte: Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985). 

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