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segunda-feira, 7 de julho de 2014

Emídio Dias - um vulto do passado

EMÍDIO DIAS DA CUNHA nasceu na cidade de Apodi, no dia 09 de agosto de 1894. Era filho de Hermínio Tolentino Alves e Petronila Pastora do Patrocínio. Casou-se com Dona Joana de Paiva Silva, do casal houve cinco filhos. 

Seu pai, o velho Hermínio, era prático em homeopatia, sistema de tratamento das doenças, com pequenas doses de remédio. Era o médico procurado na região, caridoso e experiente. 
Emídio não herdou do pai aquela profissão. Para enfrentar a vida andou por outros caminhos. Foi pequeno agricultor, sapateiro, comerciante ambulante, sempre enfrentando situação dura e difícil, conseguindo entretanto criar os cinco filhos, obedientes à sua lei e ao seu estilo de vida. 

Quando jovem, Emídio foi um espírito inquieto, alegre, folgazão, cheio de vida. Participou de quase todos os acontecimentos sócio-recreativos de sua época. Promovia festas dançantes, organizava grupos teatrais e ganhou gama como exímio marcador de quadrilha. 
Farejador de festas, percorreu toda a ribeira do Apodi. Desde à zona serrana às terras do vale. Dançando bailes, marcando quadrilhas e fazendo serenatas, enchendo com sua voz, as noites enluaradas da velha cidade. 
Homem forte, de físico avantajado, Emídio Sapateiro também andou metido em brigas pelos sertões onde pisou, nunca se separando de sua arma predileta, uma pistola Mauser FN, da qual falava com viva recordação. 

Contava-nos Emídio que, certa vez, para garantir uma festa na casa de um amigo, cuja realização estava ameaçada por um valente da localidade, que havia jurado acabar com a brincadeira, viu-se obrigado a aplicar no desordeiro severo castigo, adiantando que “depois o cabra desapareceu”. 
Espiritualmente Emídio não envelheceu. Aos oitenta anos de idade conservava o espírito alegre da mocidade, o entusiasmo, o júbilo. Não experimentou os achaques da velhice, resistindo com ânimo e glória de herói ao peso dos anos. 

Durante logos anos, viveu na pequena renda de sua oficina de sapateiro, onde trabalhava, já velho, recordando o passado, cantando as melodias de outrora. 
Emídio Dias merece um lugar na nossa história. É justo trazê-lo na memória, pois, ele teve presença marcante e permanente nos acontecimentos que animaram a cidade. No dia 10 de setembro de 1976, morria Emídio Dias, um homem de bem. 

Fonte Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985). 

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