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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Discussão no cemitério

O fato aqui narrado aconteceu na cidade de Apodi, na década de 40, quando aqui era vigário o Padre Renato de Menezes, homem de vasta cultura, orador dos melhores que eu já vi. Possuía qualidades dignas de elogios, inclusive a de ter fama de pessoa caridosa, distribuidor de esmolas aos pobres. Tinha também qualidades detestáveis, criticadas por pessoas que o conheceram de perto. Era um tipo de personalidade diferente. Pernambucano valente e temperamental, cujo pai foi amigo do cangaceiro Lampião, diziam que seria mais fácil faltar-lhe o breviário do que um revolve calibre 32 no bolso da batina. 

Antonio Moreira de Souza, foi figura da velha guarda. Homem de palavra, sério, viveu mais de 60 anos no Sítio Água Fria, onde trabalhava nas atividades agropecuárias, ao lado dos filhos, todos criados sob rigorosa disciplina. 

Sua diversão predileta era de andar montado em cavalo de sela. esquipador. Na cidade de Apodi, com outros pares de sua época, o Moreira fez bonitas exibições, chamando a atenção dos que admiravam esse tipo de esporte. 

Certo dia, numa cerimônia religiosa no cemitério de Apodi, Antônio Moreira se desentendeu com o vigário da Paróquia, Padre Renato de Menezes, a quem já nos referimos, acostumado a agredir pessoas com palavras grosseiras e, às vezes, apelava para a agressão física. 

Em meio à discussão, já acalorada, cujo motivo é para nós desconhecido, o vigário atacou Antonio Moreira com termos pejorativos, dizendo: “Antonio Moreira, você pra animal só falta o rabo”. 

Fitando o padre, e num repente providencial, assim respondeu o Moreira: “Então, para eu ficar completo, seu vigário, empreste-me o seu”. Destemido, respeitado, não tinha medo de cara feia. 

As pessoas que presenciaram a cena se entreolharam, riram bastante e ficaram admiradas da resposta do velho Moreira, que não se curvou  diante do arrogante e temperamental  vigário. 
Desajeitado, padre Renato retrucou: “Antonio Moreira, com você ninguém pode”. E saíra em paz do cemitério. 

Fonte: Misturas de Frases e Palavras - Válter de Brito Guerra(1998). 

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