Pesquisar neste blog

terça-feira, 1 de julho de 2014

A missa que não terminou

As missas nos dias de sábado em Apodi, por causa da grande feira que se realiza, são bastante freguentadas pelos moradores da zona rural. 

Católico praticante, devoto de Nossa Senhora, Joaquim de Cândida foi assíduo frequentador dessas missas, quando morava no Sítio Baixa Fechada. 
Certo dia, assistindo ao Santo Ofício, Joaquim passou por desagradável vexame, tentando responder ao vigário, o que teria entendido da leitura do Evangelho. 
Os serviços da paróquia estavam sob a direção do Padre André, recém-chegado, holandês, moço, de quem já se falava, haver ensaiado namoro com moça da terra. 

Exigindo rigorosa participação do católico nos trabalhos evangélicos, o moderno vigário imprimia um novo modelo de desenvolvimento dos atos religiosos da paróquia. 
Lido o Evangelho, naquela missa, da qual participava Joaquim de Cândida, Padre André olhou os presentes, com um número superior de mulheres, como de costume, e falou: 

“Ouviram a explicação do Evangelho de hoje. Devem ter compreendido tudo. Espero que não se repita o fracasso do domingo passado”. E concluiu: 
“Quem foram os coríntios? O que sabem dizer sobre eles?”. 
Ninguém respondeu. O vigário tornou a pergunta. Nenhuma resposta. Silêncio na igreja. 
“Não é possível – uma vergonha! professoras, catequistas, zeladoras aqui presentes e ninguém responde?”. Argumenta consigo mesmo Joaquim de Cândida. Ajeitou-se no banco onde estava sentado, suspirou, pediu coragem a Deus, levantou-se, e respondeu interrogando: 

“Padre, os Coríntios somos nós?”. 

O jovem vigário fitou o seu interlocutor, riu ironicamente, soprou as velas que estavam sobre a mesa do altar, apagando-as, e disse: “Por hoje basta”. E retirou-se do altar sem terminar a missa. 
Um pouco magoado, Joaquim levou pra casa a decepção da resposta errada. 

Pouco tempo depois, o padre casou-se. 

Fonte: Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985). 

Nenhum comentário: