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domingo, 15 de junho de 2014

PATATIVA DO ASSARÉ -- Um poeta imortal - Manoel Georgino

No vale do cariri
Surge um poeta imortal
Pertinho de um curral
Entre oiticica e espinho
Lá no amado Assaré
Terra do grande sertão
Onde se ouve o trovão
E o canto do passarinho

Mil e novecentos e nove
No seio da classe pobre
Nasceu um poeta nobre
Que tinha um bom coração
Viram no sítio crescer
Sem condições de estudar
Quem na frente ia falar
Pelos pobres do sertão

Mistura de um lugar
Com nome de passarinho
Logo arrumaram um jeitinho
Pra dar um nome ao artista
O pássaro é patativa
A vila é Assaré
Pertinho de Canindé
Viveu o bom repentista

Entre inúmeros poemas
Destaco “A TRISTE PARTIDA”
Que é o reflexo da vida
Do camponês sofredor
Que prá fugir de uma seca
Que castigou este chão
Resolveu deixar o sertão
E nunca mais retornou

Patativa do Assaré
Poeta politizado
Merece ser respeitado
Por sua contribuição
Em favor desta pobreza
De um Nordeste sofrido
Que sempre foi esquecido
E vítima de exploração

Patativa, “o virtuoso”
Personagem brasileiro
É visto no mundo inteiro
Como fonte de cultura
É crítico, claro e sincero
No que ele deixou escrito
E o seu passado é bonito
Pra nossa literatura

Ele é uma fábrica de versos
Dispersos pelo país
E dele eu sou aprendiz
Como muita dedicação
Desse mundo ele partiu
Deixando tudo em papel
Mas controla lá do céu
Toda a nossa inspiração

Sua alma sempre brilha
Como taça de cristal
Da nossa terra ele é o sal
Que está presente na escola,
No seio da educação
Pra nos fazer cidadão
Sem o seu nome esquecer

Tu és símbolo do folclore
Fincando em nossa cultura
Com rica literatura
Em todo o imenso sertão
Como fruto do esforço
Que mostrou sabedoria
Na prosa e na poesia
Em favor do cidadão

Sua mensagem é forte
E define a descrição
De quem aqui no sertão
Leva uma vida explorada
Como ele estou prá ver
Alguém mais inteligente
Que mais dedicou sua mente
A esta terra sagrada

Seus vários livros são belos
Enriquecem a nossa vida
E determinam a saída
Para a melhor produção
Sempre coloca o Nordeste
Como fonte de riqueza
Pra ter comida na mesa
Através da plantação

Só quis morar no sertão
Respirando o puro ar
Vendo o bicho escramuçar
Em volta do seu terreiro
E conversando com amigos
Simples na comunidade
Do sítio e da cidade
Como qualquer brasileiro

Escrever sobre um poeta
De tamanha dimensão
Como esse cidadão
Que lá pro céu já partiu
É mesmo que receber
Um milagre lá de cima
Através da luz divina
Que envolve esse Brasil

Ele é todo cearense
É um pedaço do chão
A alegria do sertão
Gravada em nossa memória
Pois já está na lembrança
De quem adora a leitura
Da nossa literatura
Cravada em nossa história

Desde o tempo de criança
Suas canções eu escutava
Luís Gonzaga as gravava
Em ritmo de baião
Eram poemas espalhados
Por todo esse Brasil
Igual assim não se viu
“Ele é o melhor do sertão”

Patativa conquistou
Atenção nacional
No campo educacional
Na história da nação
Gente de todas idades,
Sem distinção cultural,
Econômica e social
Respeita o pai do sertão

Ele é mais uma artista
Colado na nossa mente
Porque todo o Brasil sente
Pela sua despedida
Mais repito várias vezes
Patativa não morreu
Pra quem já leu e entendeu
O valor da tua vida

Ele é mais que um poeta
É algo intelectual
Poeta profissional
Compositor refinado
Da história de um Brasil
De porte continental
Teu nome é internacional
No mundo civilizado

Seu cérebro ganhou abrigo
Na música do brasileiro
Todo o artista e mensageiro
Das obras que ele deixou
Fincadas na inteligência
Dessa nova geração
Que toma conscientização
De um sonho que não acabou

Seu passado é o presente
Pois quase nada mudou
A miséria não acabou
Nesse Brasil de riqueza
Assim vale dividir
A riqueza acumulada
Entre a nação explorada
Pra engordar nossa mesa

Na escola, o seu poema
Tá no olhar de uma criança
Num jovem de esperança
Na pele de um professor
E pode está num abrigo,
Na vida de um favelado,
Num menor abandonado,
Num coração sofredor

Nele está a alegria,
A pura felicidade,
A grande diversidade
Da cultura nacional
Por isso vale entregar
A ele o melhor troféu
E ainda tirar o chapéu
Pra esse poeta imortal

O mundo saiu ganhando
No ramo da sociologia
Por sua biografia
Primando pela defesa
Do nosso desenvolvimento
Sem afetar a nação
Ajudando ao cidadão
Conviver com a natureza

Que isso sirva de exemplo
Pra “elite cultural”
Investir no social
Com o saber que conduz
E tirar do sofrimento
Essa massa explorada
Que teve a chance roubada
Na terra de santa cruz

Sua obra está no campo,
Na rua, na Universidade
Trazendo a diversidade
Pra nosso meio cultural
Também está no teatro
No palco da utopia
Tornando-se hegemonia
Nesse país tropical

Ele está num viaduto,
Num prédio abandonado,
No doente, no explorado,
Na vida de um pescador
E ainda está num mendigo
Na banca de um calçadão,
No rosto de um ancião
No verso de um sonhador

Decifro as suas obras
No canto do sabiá,
Bem-te-vi, maracajá,
Vem-vem, nambu, gavião
Asa branca do Nordeste,
Porco do mato, tatu,
Canário, tijuassú
E o carcará do sertão

Posso sentir tua presença
Na sombra de um juazeiro,
Timbaúba, cajueiro,
Angico e cumaru
Também no cipó de moita,
Jatobá, jucá, emburana,
Pereiro, cana caiana
E flor de mandacaru

Escuto tuas palavras
No ribombar do trovão,
Igreja, rua, procissão,
No imenso azul do mar
No sol, na paz do horizonte
Em todo o céu, no infinito
Em tudo o que há de bonito
Prá sempre vou te escutar

Dorme em paz Patativa
Os anjos vão te adorar
Ouvindo sim, recitar
Todo o poema do chão
Que daqui vamos lembrando
A sua voz adorada
Ultimamente cansada
De arrebentar coração

"Ensaios Poéticos" - Manoel Georgino do Carmo 

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