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sábado, 28 de junho de 2014

O homem que não ofendia ao próximo

A Coluna Prestes surgiu de um movimento, entre os anos de 1924 e 1927, contra o governo de Artur Bernardes. 
Organizada nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, a Coluna Prestes atravessou o Nordeste Brasileiro, internando-se no interior do Mato Grosso. 

No seu itinerário pela região nordestina, algumas cidades tentaram resistir aquele movimento de revolta, levantado por militares, com mais de mil soldados do Exército Brasileiro, com armas de guerra. 
Apodi não fugiu à regra: e tratou de preparara reação, convocando seus habitantes e distribuindo armas, para mostrar que esta terra não concordava com aquela ameaça. Por sorte a Coluna Prestes não passou em Apodi. 

Dentre os apodienses convocados, para defender os brios da pátria e a integridade do regime, estava a figura popular de Chico Brabo, músico na época, um dos pistonistas de sopro mais forte que a região já conheceu. 

Colocado numa das trincheiras da cidade, juntamente com outros, o altivo voluntário aguardava momento de perigo, como patriota, pronto para cumprir o seu dever – entrar em combate. 
Certa noite houve uma tropelia de animais perto da trincheira, motivando disparos por parte de atiradores, menos avisados. Assustado com o tiroteio, Chico Brabo resolveu abandonar a trincheira, numa autêntica prova de medo, receoso de que algo grave pudesse acontecer-lhe. 

Ao apresentar-se ao Capitão Jacinto Tavares, comandante daquela operação de guerra, Chico Brabo manifestou aquele militar, o desejo de manejar uma arma menos pesada, no que foi prontamente atendido. Diversas armas lhe foram apresentadas, mas nenhuma lhe agradou. 
Notando que o Capitão estava conhecendo os motivos de sua presença ali, Chico Brabo tentou justificar-se usando esta expressão: “Não é falta de coragem, seu capitão. Tenho coragem até para emprestar! Mas não posso contrariar um sentimento que possuo desde â infância: não ofender o próximo! Por isso, não volto à trincheira”. 

Era noite alta. O militar achou graça da desculpa de Chico Brabo, e, virando-se para um soldado, ali presente ordenou: “Vá deixar este homem em casa!”. 


Fonte: Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985). 

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