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quarta-feira, 18 de junho de 2014

O Brasil que eu quero - Manoel Georgino

Eu quero ver alegre o meu novo mundo
Vivendo em paz, saúde e harmonia
Com a natureza em sonho profundo
E a humanidade gozando alegria

Eu quero ver o Sol, que sempre ilumina
Trazendo energia que é fonte de vida
E a estrela-d’alva igual a uma menina
Rendendo mais brilho à noite amiga

Eu quero ver mais forte o clarão da Lua
Pra tornar alegre todo o meu sertão
Clareando o bosque, a cidade, a rua
Trazendo esperança ao velho torrão

Eu quero o Arco-Íris sempre colorido
Mostrando a beleza da imaginação
Pra quem ali sente o coração partido
Caído no mundo da desilusão

Eu quero o azul do imenso oceano
Que vem resistindo à destruição
Fincada na alma do ser desumano
Só para manter viva a exploração

Eu quero as águas claras cristalinas
Preservando a pura biodiversidade
Combater ações brutais assassinas
Que tiram da vida a felicidade

Eu quero o ar puro, nunca poluído,
Tornando mais fácil a respiração,
Não quero ver o mundo sendo destruído
Em nome da “super modernização”

Eu quero a Amazônia linda respirando
Mantendo o Brasil líder do Universo
Com sua floresta brava expulsando
Os males surgidos do homem perverso

Eu quero o aroma da rosa mais forte,
Da flor silvestre quero o tom natural
Eu quero o jasmim nos dando mais sorte
Trazendo o calor do Sol matinal

Eu quero lilás da luz que clareia,
O brilho de estrelas ao longe piscando
Eu quero o farol que à noite encandeia
Olhares noturnos de alguém se amando

Eu quero as águas nos rios correndo
Levando a mensagem da libertação
Eu quero os animais tranquilos vivendo
Nas verdes pastagens da conciliação

Eu quero os pássaros livres voando
E além do horizonte buscar salvação
Para juntos aos milhares viverem cantando
A eterna alegria da libertação

Eu quero as baleias no alto oceano
Encontrando o lar da reprodução
E mil voluntários ali preservando
Inúmeras espécies já em extinção

Eu quero os “Araras Azuis” na floresta
Fazendo os seus ninhos para ali repousar
O casal que bota seus ovos e em festa
Aguardam a espécie se multiplicar

Eu quero os primatas nos galhos brincando
Sem mais precisar o rosto esconder
E o nicho ecológico se recuperando
E assim a natureza volta a crescer

Eu quero ver a Asa Branca alegre cantando
Batendo suas asas no mato fechado
Nos ninhos a espécie se multiplicando
E o mandacaru já todo florado

Eu quero a estampa do “Maracajá”
Brilhando em vida do bravo sertão
E não nas paredes sem poder pular,
Quero ele distante da perseguição

Eu quero o Canário de cor amarela,
Quero o Currupiu mostrando o vermelho
Casaca-de-Coro quase cor de canela
Nunca em gaiola servindo de espelho

Eu quero papagaios, lindos periquitos
Falando a voz da nossa nação
E não em caixotes sofrendo aos gritos
Por causa da trágica comercialização

Eu quero a seriema, a ema, o pavão,
O graúna e o belo galo de campina,
Codorna cantando e voando do chão
Sem ter que fugir da caça assassina

Em quero o sabiá junto ao bem-te-vi
Mantendo o segredo da adivinhação
Anunciando o inverno que está pra surgir
E o homem cuidar de sua plantação

Eu quero a beleza presente na vida
Que te faz feliz e mais cidadão
A via só é bela se for dividida
Entre o sentimento e o coração

Não quero o verde do jeito eu está
Afogado na lama da falsa ilusão
De que este mundo só vai melhorar
Através do progresso da devastação

Não quero a beleza mostrada em faixada
De prédios, viadutos ou coisas assim
Que deixam por fora a gente fascinada
Mas por dentro esconde seu lado ruim

Não quero a tristeza, só quero alegria
Quero está mais perto da transformação
Que deixa sossegada a democracia
E expulsar de uma vez a corrupção

Não quero a sorte trazida de graça
Que mostra o caminho da corrupção
Nascida dos falsos discursos da praça
Para envergonharem o bom cidadão

Não quero projetos presos em gabinetes
Centrando na cobiçada natureza
Golpeando a nação como estiletes
E levando para fora a nossa riqueza

Não quero vitória para a violência
Enraizada em droga, desemprego e fome
Eu quero uma nação rica em consciência
Distribuindo renda e honrando o seu nome

Não quero hospitais faltando doutores
Desde o esparadrapo ao medicamento
Muitos menos doentes pelos corredores
Jogados no mundo do esquecimento

Não quero escolas de portões quebrados
Faltando o caderno, o livro e o papel
Nem mesmo no chão alunos jogados
E ainda calados tirando o chapéu

Não quero crianças fora da escola
Aguardando a futura condenação
Vivendo de bicos ou pedindo esmola
Por não terem ofertado boa educação

Não quero menos jogados na rua
À serviço da droga e da prostituição
Nem autoridades no mundo da Lua
Assistindo a esse filme sem dar solução

Não quero político ferindo os princípios
Usando o meu nome para poder crescer
Se escondendo do Estado e dos Municípios
Com altos salários e sem nada fazer

Não quero um Congresso malhado na Praça
Atolado na lama da corrupção
Mas quero bons homens provando na raça
Que, além de político, é um bom cidadão

Não quero ver “bis” em trágicas manobras
Que mancham a imagem de uma nação,
Que trocar vergonha em restos ou sobras
Que vão acabar num triste listão

Não quero ter laços apertando o pescoço
Como um “Inconfidente” que trai o cidadão
Só quero ver livre a voz do calabouço
Para tornar livre a nossa nação

Não quero pessoas proibidas de emprego
De cargos melhores por causa da cor
Quero vê-las livres, passeando sem medo
Em tom de igualdade, de paz e de amor

Não quero famílias debaixo de ponte
Vivendo de esmolas e humilhação
Quero vê-las sorrindo, ganhando horizonte
Com total saúde e boa educação

Não quero a terra como latifúndio
Servindo de base para a especulação
Quero vê-la dividida só em minifúndio
Para logo aumentar nossa produção

Não quero um Brasil com fama de rico
Mantendo menores na exploração
Nem pais de família vivendo de bico
Enquanto uma “meia dúzia” só rouba a nação

"Ensaios Poéticos" - Novembro de 2002 - Manoel Georgino

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