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segunda-feira, 23 de junho de 2014

O baile que não se realizou

Manoel Gomes Pinto ou Manoel Paulino foi agricultor dos mais prósperos da região de Melancias. Sabia aproveitar as primeiras chuvas do ano e madrugava no roçado. Razão do seu razoável sucesso nas atividades agrícolas, sem contar naquela época com técnicas agrárias nem financiamento bancário. Possuidor das melhores qualidades morais, caráter firme, Manoel Paulino – o homem que falava alto sem ser briguento, respeitava e era respeitado por todos. 

Desfrutando de um dilatado fruto de amizades, e com auxílio de numerosa família, conseguiu eleger-se vereador pelo Partido Social Democrático – PSD, em 1952. 
Arredio às diversões, desde à infância, por questão de temperamento, sempre viveu equidistante dos folguedos de sua época, principalmente de bailes. 

Certo dia, numa comemoração de casamento, pediram-lhe o salão da casa para dançar um pouco, animando aquele acontecimento. Não houve resistência. O pedido foi prontamente atendido. 
O tocador já havia chegado, momento em que o Paulino chamou os jovens e explicou: 
“O salão está à disposição de todos, porém, com a seguinte condição: rapazes dançam com rapazes; e moças com moças”. 

“Com essa eu vou embora”, queixou-se um rapaz que desejava dançar. “O caminho está aberto”, concluiu Manoel Paulino. 
Se foi grande a surpresa, maior foi a decepção. Manoel Paulino era assim, intransigente no que ele considerava certo ou errado. Não ia admitir na sua casa aquela liberdade, que para ele podia provocar outros desejos. Ninguém dançou. 

Fonte: Livro HISTÓRIAS E VULTOS DE MINHA TERRA  - Válter de Brito Guerra. Coleção Mossoroense. Série C – Volume CCCXIII. Apodi – RN – 1985. 

Um comentário:

Fatima França disse...


Gostei muito! Gostaria de ver uma foto de Manuel Paulino. Era meu tio avô, irmão de minha avó Josefina de Oliveira. Gostaria de ver uma Foto de Tatão Paulino e de todos os seus filhos.

Também gostaria de ver as fotos das casas deles, muitas já estão em ruinas.