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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Meninos de rua - Manoel Georgino

Nas ruas sempre morando
Famílias vivem a pensar
Por que há tantos desmando
No triste mundo a rolar
O tempo vai se passando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Menores vivem andando
Sem a um bom destino chegar
Passam a vida lutando
Para um bem conquistar
A coisa vai complicando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Tratados como “cigano”
Crescendo vão alcançar
Um mundo mais desumano
Que vai você explorar
Menores vão se afundando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Pedindo no urbano
Para o pai se alimentar
Crianças vão “esticando”
Sem na escola estudar
Vão vivendo como um bando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Nos becos vão se arrumando
Nas frias noites ao luar
As chuvas vão esfriando
E a pele vai congelar
A vida vai se afogando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Se não estão trabalhando
Comida passa a faltar
Filhos vão atrofiando
Na vida sem estudar
A fome vai lhes matando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Pelas barracas, esmolando
Com sacos passam a apanhar
A sobra que vão jogando
Por que ninguém vai comprar
Miséria vai aumentando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Uma “Etiópia” formando
Neste Brasil a jorrar
Dinheiro só para um bando
Que vem aqui explorar
Crianças vai se atolando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Falsas escolas criando
Nos bairros para ensinar
“Mundo do Crime” – um desmando -
para o menor engajar
O crime vai aumentando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Carteira e joia roubando
Para a droga sustentar
Milhares se viciando,
São dependentes sem lar
Praças e ruas inchando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

É morte se aproximando
Quadrilhas a exterminar
Humildes vidas – o humano
Que vão pra escola estudar
O povo vai se assombrando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Com armas ameaçando
Em esquinas, em qualquer lugar,
Aos poucos vão ocupando
Espaços pra traficar
A droga está matando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Favelas vão dominando
Não tem a quem se apegar,
A droga está ocupando
A escola e também o lar
O crime é quem está ganhando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Nos morros fica o “comando”
Para de longe mandar
Em quem está trabalhando
Pra família sustentar
O medo vai se espalhando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Comércio sempre fechado
Com tantas armas no ar
Inocentes vão se acabando
Sem tempo pra se livrar
Muitas balas vão transitando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Pais e mães vão desertando
Com os filhos a pernoitar
Como vítimas do desmando
De quem só quer enganar
Assim, uns vão enricando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Nas ruas estão pegando
Quem procura se drogar
E na FEBEM vão jogando
Sem nunca se preocupar
É violência aumentando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Famílias que estão lutando
Para poder melhorar
A vida, vão mergulhando
Em fatos que vão mudar
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Panelas vão se amassando
Sem nada pra cozinhar
Crianças se afastando
De fé, do amor e do lar.
Continuam se drogando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Lá na FEBEM, protestando,
Começam a se rebelar
Polícia vai massacrando
Achando que vai salvar
Guerra vai aprofundando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Lá no pátio, transitando,
Com armas vão sequestrar
Como refém vão tomando
Alguém pra negociar
O medo vai se instalando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Já a justiça intimidando
Vai à TV discursar
Diz que está controlando,
Que a paz voltou ao lar
Por dentro “o pau vai troando”
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

É “Praça de Guerra” formando
Por que não vai aceitar
Quem diz que está governando,
Mas jamais vai governar.
Policiais vão matando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Discursos vão triplicando
Tentando o povo acalmar
Pensam que estão enganando
A quem vai se enganar
FEBEM vai superlotando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

São oficinas quebrando,
Escolas sem ensinar,
Menores sempre fumando,
Bebendo e aptos a brigar
O cerco vai se fechando
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Crescendo vão se formando
Na arte de ensinar
Em quadrilhas se engajando
Para os bancos assaltar
É “um prendendo e outro soltando”
Enquanto outros, zombando,
Fazem o Brasil afundar

Com isso não estou falando
Que nada aqui vai prestar,
Pois muitos estão ajudando
Para os mesmos salvar
Sabemos que estão lutando
Mas outros sempre zombando,
Fazem o Brasil afundar

Voluntários se doando
Para menores salvar
Nas escolas se integrando
Com outros para educar
Vão se socializando
Mas outros sempre zombando,
Fazem o Brasil afundar

Se todos vão ajudando
Sem dividendo ganhar
É sinal de que estão pensando
Um dia ver acabar
Com esse negócio de “ANDO”
Enquanto outros, zombando
Fazem o Brasil afundar

Com justiça funcionando
Escola volta a ensinar
Saúde ressuscitando
E vagas pra trabalhar
A paz vai se instalando
E sem ter mais ninguém zombando
Brasil não vai afundar

"Ensaios Poéticos" - Manoel Georgino

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