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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Lúcio Fogueteiros

Lúcio Agostinho da Silva, Seu Lúcio ou simplesmente Lúcio Fogueteiro, descendia de uma estirpe de mulatos, aqui mesmo da ribeira do Apodi. Faleceu aos 85 anos de idade, depois de haver criado uma numero família – 21 filhos. Calmo, honesto, respeitador, nunca teve maiores vexames com a vida. Sempre foi uma pessoa bem humorada. 
Como soltador de fogos, esteve tradicionalmente ligados aos festejos religiosos tributados aos padroeiros do Apodi, durante mais de sessenta anos. 

Relembrar as festas dos padroeiros da terra, sem evocar a figura de Seu Lúcio, não tem sentido. Em todos os momentos, nas missas, novenas, procissões, alvoradas, lá estava o velho fogueteiro, ponta, prazeroso, pronto para o perigoso serviço, animando as festividades, nos bons tempos, quando os costumes e as diversões era menos profanos. 
Evocar esse passado longínquo, provocado de tantas recordações, é ter presente aquelas figuras que, intimamente estiveram ligadas aos acontecimentos da terra, que viveram os mos momentos marcantes da nossa história. 
Num desses dias de festa do padroeiro, animada, cheia de alegria, era enorme a quantidade de fogos aos redor da velha timbaúba, ao lado da igreja. Seu Lúcio era o vigilante atento daqueles explosivos, ali colocados perigosamente, como de costume, para serem queimados dentro de instantes. 
Em dado momento dá-se uma terrível explosão. Um fumante imprudente teria atirado, involuntariamente, um cigarro nos fogos ali guardados. Momentos de pânico, gritos de medo, enquanto uma densa nuvem de fumaça cobria toda a praça. 

Calmamente, impassível, Lúcio Fogueteiro observava o lamentável acontecimento, do qual resultava, pela primeira vez, uma missa solene sem animação de fotos, em festa de São João Batista. 

Emocionado, nervoso, o vigário da paróquia corre até seu Lúcio, e pergunta: “Como aconteceu isto? Quem é o responsável pela tragédia?”.
Calmo, sereno, o velho fogueteiro pediu para repetir a frase, pois era surdo. Após entender as palavras do padre, respondeu: “Não sei como aconteceu nem quem é o responsável, seu vigário, Sei que os fogos e foguetões se foram antes do tempo. Agora, só outros”. Não havia mais tempo.  

Fonte: Histórias e Vultos de Minha Terra - Válter de Brito Guerra(1985)

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