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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Política e cidadania - Manoel Georgino

Em terra de coroné
Política é sempre assim
Só no dinheiro tem fé
Com tanta gente ruim
Com uma quantia qualquer
Enganam a qualquer Mané
Pra ter vantagem no fim

Compra o voto, a clemência
Por intermediação
A troco de inocência
Tem maioria na mão
Quando perde a paciência
Compra até consciência
De quem se diz cidadão

Vale um par de chinela,
Um óculos, uma dentadura,
A dança da Gabriela,
Farinha, pão, rapadura
Lampião, pote, panela
Cimento, telha, janela
Caixão para a sepultura

Usa a palavra correta
Na hora de enganar
Personalidade coberta
Que é prático pra disfarçar
Trocando o voto em promessa
A maioria cai nessa
E ele torna a ganhar

Diz que “político não presta”
Falam o mesmo ditado
Se todos fazem promessa
“Farinha do mesmo saco”
Pra comprar voto interessa
Assim a coisa começa
Pra ter um bom resultado

Escolhe a peça correta
Confiando na ação
Do político que acerta
Contra o pobre cidadão
Desta vez inclui na meta
Catracas de bicicleta
Pra ganhar mais uma eleição

Vender o voto machuca
A vida do cidadão
É como tirar o açúcar
De toda alimentação
Do beija-flor que na luta
Chega primeiro que a fruta
Pra fazer fecundação

É como tirar a pupila
Dos olhos de quem olha
É como tomar a mochila
Daquele que pede esmola
É como alguém que cochila
Na máquina que ali mutila
A mão que usa na escola

É mesmo que arrancar
Da vida o coração
Ou mesmo alguém tirar
Do arrependimento o perdão
Pra sempre vai se lembrar
Que não vai poder mudar
Por que não é mais cidadão

Votar ruim é o mal
Que fere o cidadão
Votar melhor é sinal
Que tem a arma na mão
Pra mudar o edital
E mandar por escambal
Quem está roubando a nação

Votar errado é ficar
Bem ao lado do pior
Votar correto é mudar
De ruim para melhor
E transformar o lugar
Para o melhor conquistar
Perdendo menos suor

Votar melhor é decente
É povo civilizado
É eleito consciente
É cidadão afamado
É ação pra toda gente
Provar que ali alguém sente
Que o povo está educado

“Plantar uma for” é a semente
Que breve vai germinar
E como a vida da gente
Que nasce pra se educar
É como um rio perene
Que por mais que armazene
A água vai transbordar

E como o nascer do sol
Que surge pra clarear
É o canto do rouxinol
Pra nossa vida alegrar
É como aves de um atol
Que cantam a luz de um farol
Pra um novo dia raia

É como se o saber
Abordasse a maioria
Das pessoas que ao nascer
Ganhassem sabedoria
Pra neste mundo fazer
Toda planta florescer
E recitar poesia

A flor que abre é o clarão
Que breve vai clarear
O mundo pra esta nação
Muito poder abraçar
As causas do cidadão
De política à educação
Pro social aflorar

Política é ação
Vontade de transformar
Ação é transformação
Educação é avançar
Mudança é o clarão
É força da nação
Pra poder se libertar

Libertação é a vida
Nunca mais amordaçada
É a união merecida
É coisa nunca esquecida
Das flores é a margarida
Cada vez mais perfumada

Cidadania é direito
Emprego, saúde, um lar
É nunca viver sujeito
A quem quer atrapalhar
É fazer tudo bem feito
Sem precisar desmanchar

É algo que está por dentro
Daquele que vai sentir
Que está na alma, no centro
De quem poder dividir
Nunca é tristeza. É momento
Da alegria, é alimento
Na mesa pra alguém sorrir

É a liberdade sentida
No verso – põe a chorar,
Fazendo parte da vida
Nunca se pode abafar
É a paixão merecida
É a emoção esquecida
Na hora de trabalhar

A expressão é sucesso
Quando se pode usar
Mistura prosa e verso
Para a mensagem enfeitar
É um sinal de progresso
No momento em que me expresso
Para melhor explicar

A mensagem é uma alerta
Ou uma forma de enganar
Pode ser a coisa certa
Quando se quer conversar
É uma ação sempre aberta
Precisa de gente esperta
Para não se atrapalhar

O discurso é a semente
Que pode vir a nascer
Se estiver no presente
A planta vai florescer
Basta alguém consciente
Para entender que é a gente
Quem pode desenvolver

Se alguém planta uma flor
É por que quer puro ar
Se você planta amor
É por que quer um bom lar
Só ter medo, pavor
Na vida pra desfrutar

Plante mudança e harmonia
Nunca ódio nem rancor
Plante beleza e simpatia
Nunca um rosto de dor
Plante paz e alegria
Pra sociedade um dia
Reconquistar o amor

A nova sociedade
Não deve ser dividida
Em raça, classe ou idade
Entre a pessoa querida
Queremos a humanidade
Na mesma universidade
Valorizando a vida

Conquista é mundo novo
Pra gente poder aguardar
Na memória de um povo
Sorriso no rosto a olhar
É como a gema do ovo
Redonda como um globo
Mas faz a vida chegar

Aluno, corpo discente
Comece logo a pensar
Escola, corpo docente
Precisa mais trabalhar
Pra tornar mais consciente
O povo que de repente
Está pensando em mudar

Escola é fundamento
Assunto novo a ensinar
É povo, descobrimento
De novo artista a lançar
A força do pensamento
Que escrevi no momento
Em que parei pra pensar

Defendo povo estudado
Como forma de vencer
Com um mundo atrasado
E pra poder defender
O estudante esforçado
Que dar um duro danado
Para alcançar o saber

Faculdade e um bom mestrado
É sonho pra todo aluno
Que sempre procurado
Dar nova ordem ao mundo
Tornar o povo letrado
Capaz e conscientizado,
Irreverente e profundo

Se o povo pressiona
Esses políticos daqui
Irão se envergonhar
De tanto alguém pedir
Pra deixarem de enganar
E dessa vez aprovar
Faculdade pra Apodi

"Ensaios poéticos" - Novembro de 2002 - Manoel Georgino 

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