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domingo, 18 de maio de 2014

LAJEDOS DE SOLEDADE - Manoel Georgino

A Chapada do Apodi
Lugar nobre e milionário
É a mais rica a existir
Em fósseis, gesso e calcário
Por isso vamos subir
Pra você ver e ouvir
Falar de um grande cenário

Essa imensa chapada
Tem a madeira de lei
Está sendo desmatada
O objetivo eu sei
Uma parte é exportada
E a que fica é queimada
Precisamos cumprir lei

A flora foi devastada
A fauna já está faltando
A lenha já foi queimada
A madeira está serrando
E a ecologia da chapada
Não sendo mais preservada
Continua se acabando

Existe um lugar importante
Que chamamos SOLEDADE
Precisamos ir diante
E falar com autoridade
Pelo que se vê, num instante,
História, terra gigante
Só vai ficar na saudade

Existe uma gruta notória
Escrituras pictográficas
Calcária, desenho – uma glória
Que são representações gráficas
Ou o símbolo de uma história
De um povo de memória
São figuras bem fantásticas.

Essa antiga escritura
Pictográfica ou rupestre
Tem a bela formosura
Lagarto, corpo celeste
Feitos em forte pintura
Colada em pedra dura
Tais obras de grande mestre

Tem desenhos muito antigos
De animais pré-históricos
Ambos são muito bonitos
De sentidos alegóricos
Mas eles estão em riscos
De virar cinzas ou ciscos,
De fugiram dos históricos

Esses homens primitivos
Que nas grutas habitaram
Faziam vários sentidos
Dos desenhos que pintaram
São muito significativos
Importantes e positivos
As obras que desenharam

Além disso, tem matérias
Muito bem petrificadas
São peixes, ossos, madeiras
E muito bem trabalhadas
“Trate-as com boas maneiras”
com leis agindo ligeiras
pra não serem acabadas

Lá na bela Soledade
Tem a industrialização
Que dá a comunidade
Às vezes, um pouco de pão
Mas isso é raridade
Por que não tem caridade
Quem explora o povão

Brevemente aqui verão
Equipe bem, preparada
Máquinas cavando o chão
Sonda especializada
Barracos, casa, peão
Teodolitos farão
Em linha reta a estrada

É petróleo ali guardado
Bem no fundo da chapada
É minério interado
Sob essa rocha danada
Pelo estudo está provado
Que o solo está minado
Dessa riqueza avançada

Mas é preciso pensar
Em descobrir energia
Alternativa a somar
Com o combustível que um dia
Acabará por faltar
No solo que faz jorrar
Riqueza, fama e alegria

É preciso minha gente
Nossas obras conservar
Seja bem mais consciente
Se não, vai se acabar
A história dessa gente
No futuro, o que no presente
Precisamos respeitar

Não só tem a Soledade
Para nos representar
Em obras de muita idade
Que precisamos guardar
Olhem bem para a cidade
Pense com sinceridade
“É preciso conservar”

"Ensaios Poéticos" - Novembro de 2002 - Manoel Georgino do Carmo. 

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