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sábado, 31 de maio de 2014

Coração menino - Manoel Georgino

Mata virgem, no topo sabiá cantando
Expressão em coro de orquestras mil
Junta-se a milhares dispersos gorjeando
Aplaudindo, o inverno floresce o Brasil

Do alto vem o brilho, o precioso cristal
Que, em gostas, afagam os escuros fios
A face morena abre o matinal
Correndo, os pingos vão enchendo os rios

Ereta desfila bela adormecida
Resmungando afronta singela beleza
Ao longo a imagem foge desvalida
Tentando apagar a real tristeza

De fronte centenas em lágrimas se afundam
Iludidos em sermões que escutam calados
E os outros depressa em sono aprofundam
Alegres festejam corações alados

Ao som de atabaques se juntam facetas
Em arte se expressam somando alegria
Em cores passeiam belas borboletas
Dando à natureza a pura harmonia

Brilhante escorrega transparente e fina
No rosto macio os cílios regando
Coração em brasa ferve Amaralina
Mas quieta resmunga de longe olhando

No pátio ovelhas, caminham pastando
No lago os cisnes flutuam serenos
Enquanto nos bosques uns vão escutando
Poemas que encantam seus olhos morenos

Nas noites em círculos formando ciranda
Bonecas não escondem a real beleza
De cima os aplausos envolvem a varanda
Que saem das mãos de toda a nobreza

Por isso eu quero a paz natural,
A viva alegria na brisa sonhando
Com raios em outro abrir o matinal
Acordando ao coro de vozes soando

Eu quero à luz do azul cintilante
Olhar os faróis que à noite clareiam
E poder repousar em sobra mutante
Ao claro dos olhos que mais me encandeiam

Em volta de um lago, de braços vagando
Ouvindo canções de pássaros a voar
E a sede de amar, em fim, saciando
Desejos noturnos no campo e no lar

Ao lado ruínas vão denunciando
Resquícios de um tempo que marcam passagens
De vidas que aos poucos morreram chorando
E nas pedras deixando bonitas mensagens

Não quero arder em angústia vazia
Que corta a paixão em temerosos lados
E nem mergulhar na real fantasia
Que junta dois corpos, embora isolados

Manter esperanças em sonhos combina
Com o amplo sentido da imaginação
Poder ver de perto a paz de menina
Desafoga o peito, salva o coração

Prefiro lutar em plena efusão
Esquecer fracassos que a vida tonteia
Vitória incansável que impõe explosão
Do verso e da fala que os aos poucos semeia

Provar todo o líquido da bile sagrada
E invadir por dentro expulsando a dor
Da tamanha emoção já encarcerada

Se impor ao tempo que passa correndo
Sair das alcovas por flancos zombando
Gritar na montanha virgem esquecendo
O cume da dor de um amor acabando

Repousar sereno em sono profundo
E as minhas poesias poder recitar
Num bosque encantado e distante do mundo
Viver mais feliz, sem nada espreitar

Inflar o meu peito com real certeza
Rendendo prazer nos pântanos se amando
Como passarinhos que mostram a beleza
Deixando seus ninhos e bem alto voando

Encontrar na alma a paixão desejada
Brilhando alegria – refúgio do amor –
Crava na ideia não fantasiada
Guardada no meu coração domador

Chamar-te de pérola com o mais puro brilhante
Tornando a lembrança nunca esquecida
Nem o tempo apaga teu rosto infante
E vai ser sempre a jovem paixão merecida

Verei sempre em ti sinal de grandeza
De fêmea e do mito do alto sertão
Por dentro a doçura, por fora a beleza
Tal qual a uma princesa de flores na mão

Mostrarei ao mundo formosa moldura
Em nuas paredes sem luz multicor
E verão a real doce formosura
Brilhando nos olhos de quem tem amor

Cantarei à sombra das verdes palmeiras
Mil versos, elogios, canções inspiradas
Em prosa, mulheres lindas brasileiras
Viverão de paixões loucas, desvairadas

És pura no amor, na norte, na alma,
Mostrando o perfil que sempre modela
Teus olhos morenos instalam a calma
Teu sorriso dócil te faz mais singela

Vem me envolver. Imploro em apelos
Com o corpo colado, em noites caladas
Me embriagar no aroma dos longos cabelos
Enchendo o vazio das ilusões passadas

Viver a liberdade, barreiras rompendo
Vencendo os portões de cárceres privados
Renovando vida de amores morrendo
E cantar a alegria dos últimos amados

Debruçado à varanda, lentes vigilantes
Almejando a cena antes planejada
Ao longe surgindo tais olhos brilhantes
Anunciando o fim da ilusão criada

Na primeira vez em encontros, isolados
Estimular a gula em tom de igualdade
Tocar o seu corpo e ficar abraçados
Jogando pra fora a eterna saudade

Mostrar que na vida a beleza está
Na paz do horizonte, no seu coração
Cheio de emoção e capaz de amar,
Que vai encontrar no seio da paixão

"Ensaios Poéticos" - Manoel Georgino

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