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domingo, 25 de maio de 2014

A luta de uma guerreira contra a ditadura - Por Veríssimo Sousa

Historiadora Dodora Maia

Maria Auxiliadora da Silva Maia, conhecida popularmente por “Dodora”, nasceu na cidade de Apodi-RN, no dia 04 de janeiro de 1951, filha dos apodienses Eugênia Pereira da Silva e Sebastião Lúcio da Silva (Tião Lúcio). Criou-se na Rua Adrião Bezerra. Foi casada com João Pereira Maia (João de Dão Velho), hoje é viúva, seu marido faleceu há cerca de sete anos. Chegou a mudar-se para o centro da cidade de Apodi, e atualmente mora novamente na Rua onde nasceu localizada no Bairro Timbaúba do Campo. Dodora é Formada em Direito, atuou como advogada, poetisa, escritora, historiadora, professora e atualmente é uma encantadora “contadora de histórias”. Quando criança gostava muito de estudar, principalmente de ouvir as histórias e estórias de seu pai, pessoa de quem herdou a sua inspiração. 

No ano de 1978, iniciou a sua luta na preservação do Sítio Arqueológico do Lajedo de Soledade, ela lutava pela institucionalização do sítio e contra a exploração indiscriminada da região. Dodora se engajou na política, em 1980, década em que se candidatou a vereadora, mesmo sabendo que não ganharia, insistiu em sua candidatura. Fundou uma Associação de Mulheres e teve que lutar contra o machismo bastante presente no interior. Nesse mesmo período militares do Estado da Bahia foram destacados para a cidade de Apodi. Ela, a partir de então, tinha a difícil tarefa de lutar contra aqueles homens muito rudes e truculentos, que a difamavam chamando-a de negra chata, atrevida e muitos outros apelidos. Com a chegada daqueles homens os moradores de Apodi começaram a ficar com medo, se escondiam e muitas vezes não saiam de casa com receio das atrocidades que os militares poderiam fazer contra eles. 

Com muita segurança Dodora nos conta que: “nunca fui torturada, embora fossem homens fortes e bravos, nunca torturam a mim e nem a nenhum apodiense. Entretanto algumas vezes pessoas foram pressas por se oporem ao regime da ditadura, eu inclusive cheguei a me envolver em brigas contra os militares. Teve outras vezes também que me arrisquei muito ao tocar em uma radiola músicas que eram censuras pelo Regime Militar, músicas de Caetano Veloso, como “É Proibido Proibir, Geraldo Vandré “Caminhando e Cantando”. Meu pai ficava muito preocupado ao ouvir que eu estava desafiando os oficiais militares, me pediu muito para parar de tocar e eu parei”. Por todos esses motivos Dodora foi espionada, perseguida e chamada para dar satisfação sobre suas ações por oficiais ligados ao exercito que estavam na cidade de Apodi. 

Como Apodi é uma cidade bastante rural a luta de Dodora esteve sempre bastante ligada às questões do campo ela fundou várias associações rurais. Ajudou muitas pessoas, inclusive uma alemã, que aqui chegou para trabalhar como assistente social. Ensinando as pessoas a como se “virar” contra as opressões da ditadura em nosso município. Na época da Anistia, já no fim do regime militar, foi surpreendida com a notícia de que havia um processo contra ela arquivado, durante a conversa ela foi buscar o documento, datado de 1987, em seu cofre e disse: “o que é importante para mim eu guardo no cofre”. 

Foi Dodora quem proporcionou a primeira reunião do núcleo do Partido Comunista do Brasil – PC do B, em Apodi e por isso chamada de “comunista” pelos repressores. Hoje, com 63 anos de idade, Dodora nos conta com muita alegria a sua luta para defender os apodienses dos militares, pois ela diz: “Minha tarefa foi muito difícil, pois tive que lutar contra os militares, pois sou pequenina, mas sou destemida”. 

Foi assim que nos recebeu Dona Maria Auxiliadora, Dona Dodora, mulher forte e destemida, mas acima de tudo encantadora. Ela nos ajudou a compreender como a Ditadura Militar também pôde ser experiênciada pelas pessoas simples do campo da nossa cidade de Apodi.

Por Francisco Veríssimo de Sousa Neto

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