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domingo, 17 de novembro de 2013

Antigas famílias apodienses com apelidos interessantes (I) - Por Marcos Pinto

Todas as cidades tem suas origens históricas ligadas à fatos da geografia humana, associados a lugares que os vinculam no cotidiano dos dias primeiros. A nossa amada terra natal Apodi tem merecido destaque, no que consiste a facilidade que os seus munícipes tem em dar apelidos à famílias, pessoas e lugares. Há cerca de 30 anos venho compilando fatos da história de Apodi que ainda não foram objeto de publicação em livros, resgatando-os de documentos oficiais empoeirados e esquecidos nos arquivos mortos dos dois Cartórios Judiciários da cidade.

O título que encima este despretensioso artiguete, constitui um capítulo de um livro que pretendo publicá-lo, que tem o título "MEMORIAL PODY DOS ENCANTOS - TRÊS SÉCULOS DE HISTÓRIA". Garimpando subsídios históricos com antigos Apodienses, como Sêo Chico Paulo, Sêo Emídio Dias, Chico Piaba, Novo Baité (Irmão de Belchior Dantas), Maria de Abília, Edmilson Morais, Dona Rosa Guerra, Valter Guerra e outros nomes não menos dignos de nota, pude cadastrar os nomes de 77 famílias apodienses com apelidos mui interessantes. Hoje farei abordagens históricas sobre as famílias AMOR, BAITÉ e BANDA.

A família AMOR é muito antiga e tradicional, tendo como feudo territorial o sítio "Córrego", espalhada naquelas belas paragens como areia no deserto. O primeiro componente a adotar o apelido AMOR foi o Sr. PEDRO AMOR DE PAULA, que era casado com ANTONIA PAULA DE LIMA, e que constituem o tronco principal de onde vieram todos os AMOR. Deste honrado nasceu:

F.01- JOSÉ FERREIRA LIMA:
       . Era popularmente conhecido como "ZÉ AMOR".
       . Nasceu no sítio "Córrego", no ano de 1834 e faleceu no mesmo sítio a 23.04.1916, aos 82 anos de idade.
       . Era casado com JOANA FRANCISCA DA CONCEIÇÃO, falecida a 11.03.1920.
       . Foram pais de:

N.01- FRANCISCO MARCOLINO DE LIMA - Casado com Francisca de tal.
N.02- MANOEL SANTIAGO DE LIMA - Casado com Maria Rosa.
N.03- JOSÉ FERREIRA LIMA (Repete o nome o pai).
N.04- SABINA FRANCISCA DA CONCEIÇÃO - Casada com Porfírio Eliziário da Silva.
N.05- ANTONIO MODESTO DE LIMA - Casado com Maria Bezerra de Carvalho.
N.06- LUÍS FERREIRA LIMA - Casado com América Veneranda da Silva.
N.07- PEDRO FERREIRA LIMA - Casado com Antonia Batista da Silva.
N.08- MARIA FRANCISCA DA CONCEIÇÃO - Casada com Manoel Maria da Silva.
N.09- PRIMO FERREIRA LIMA - Casado com Maria Romana de Carvalho.
N.10- ANTONIA FRANCISCA DA CONCEIÇÃO - Casada com Antonio Lúcio de Lima.

Esta laboriosa família tem um expressivo descendente na pessoa do Prof. ANTONIO FERREIRA LIMA, popularmente conhecido como "Antonio de Zuza", casado com a abnegada e profícua Professora CONCEIÇÃO MAIA, filha de Pedro Possidônio e de Francisca de Oliveira Pinto (Dona Moleca). Conceição é minha parente próxima tanto por parte de pai (Pedro Possidônio era sobrinho materno de minha avó Dona Nicinha) e dona Moleca era prima legítima de meu avô paterno Aristides Pinto. Outro membro dessa família bastante conhecido é o Sr. BATISTA AMOR, que, segundo Dodora de Tião Lúcio, foi o primeiro morador do sítio "Córrego" a possuir um veículo de marca JEEP, da indústria automobilística Wyllis. Batista tinha um irmão por nome Antonio Amor.

A família BAITÉ é muito conhecida em Apodi, principalmente pela particularidade de que, dentre os filhos do casal JOSÉ TENÓRIO DE OLIVEIRA, conhecido como ZÉ BAITÉ, e JOAQUINA AMÉLIA DANTAS, três filhos repetiam os nomes dos "Três Reis Magos: Belchior, Balthazar e Gaspar. Balthazar era conhecido como "Batinha", e Gaspar (Que é vivo, lépido e fagueiro aos 87 anos de idade), que é conhecido como "NOVO BAITÉ", residente em Mossoró, e que a história de Apodi registra como tendo sido o dono da primeira sorveteria instalada em Apodi, no ano de 1956, instalada na Rua N.Sra. da Conceição, naquele imóvel onde Lulú de Alfredo instalou, depois, o  seu Escritório Contábil. A esposa de Zé Baité era irmã legítima do antigo Sacristão Manoel Dantas, avô materno de dona Maria Coeli, que por sua vez é avó materna de Regina do Cartório. O velho ZÉ BAITÉ faleceu a 19 de Abril de 1933 aos 57 anos de idade. Era filho  natural de Maria Luíza da Conceição. JOAQUINA era filha de José Dantas Furtado e de Joaquina Dantas da Conceição.

ZÉ  BAITÉ e JOAQUINA DANTAS foram pais de:

F.01- GASPAR DANTAS (Novo Baité). Casou com Antonia Maria da Conceição (Toinha, natural de Caraúbas).
F.02- BELCHIOR DANTAS - Casou em primeira núpcias com FRANCISCA, filha do velho Anastácio Pereira, e segunda vez casou com outra FRANCISCA, filha do velho Luís Sapo.
F.03- BALTHAZAR DANTAS (Batinha Baité) - Residiu no estado do Amazonas durante 40 anos.
F.04- RAIMUNDO - Faleceu em Recife-PE.
F.05- JOSÉ DANTAS (Dedé Baité) - Casou com JOANA, filha de Antonio Padre. São os pais de D'Arc  Baité.
F.06- JOÃO DANTAS (Dandão Baité) - Casou com JOANA, filha de Luís Cangalheiro.
F.07- MARIA DANTAS - Casou com o soldado-PM Euclides Moura, conhecido como Mourinha. Residem em Natal.
F.08- VICÊNCIA DANTAS - Casou com o Sr. ABEL MEDEIROS, que veio morar em Apodi a convite do Cel. Lucas Pinto, de quem passou a ser motorista. Abel era conhecido como "Abel Pé-de-Quenga", apelido dado pelos apodienses, pelo fato dele ter defeito físico em um dos pés. Era natural da cidade de Remígio-PB, falecido em Natal no ano de 2003, com cerca de 90 anos de idade. Houve um incidente entre Abel e Edite Noronha, sendo certo que esta tinha fases em que era acometida por deficiência mental, e vagava pelas ruas de Apodi, envolta pela escuridão. 

Certa noite o Sr. Abel tinha chegado de viagem à noite, e depois de jantar, sentou-se na calçada de sua residência, até por volta das 11 horas da noite, hora em que viu um vulto se aproximar, tendo perguntado de quem se tratava. Como ele tinha inimigos, e diante do silêncio do vulto que cada vez mais se aproximava, empunhou seu revólver e fez um disparo em direção aos tijolos da calçada (que não era cimentada). Por ironia do destino, a bala ricocheteou e foi alojar-se na parte inferior do ventre de Edite, que era o vulto. Conduziram-na na mesma hora para Mossoró, onde foi cirurgiada e teve franca recuperação. A partir daí os Apodienses passaram a apelidá-la de Edite Pêi-Pôu, o que a deixava irada, momento em que a mesma dava vazão à raiva proferindo palavrões de baixo calão.

Outro expoente da família BAITÉ foi o Sr. JOÃO URBANO DE OLIVEIRA BAITÉ, casado com FRANCISCA MARIA DA CONCEIÇÃO e foram pais de:

F.01- PAULA ANANIAS DE OLIVEIRA:
        . Casou com o Sr. THEÓFILO CARDOSO DE OLIVEIRA, e foram pais de:
N.01 A 05 - MARIA, RANCISCA, JOÃO, JESUMIRA e LUÍS.

Sequenciando esse desiderato histórico-familiar, vamos encontrar a FAMÍLIA BANDA, que tem origem em JOÃO FERREIRA NORONHA, conhecido como JOÃO BANDA, soldado da PM reserva remunerada, filho de MANOEL PEDRO FERREIRA e de ETELVINA NORONHA (Telina Noronha). JOÃO BANDA casou com ISABEL COSTA, filha de João Francisco da Costa, vulgo João de Elias, e de Cristina, cearense da cidade de Camocim.

JOÃO BANDA e ISABEL são pais de:

F.01- ANTONIA NORONHA COSTA (Toinha) - Casou com Pedro de Adália.
F.02- AMÂNCIO NORONHA COSTA.
F.03- JOÃO BATISTA.
F.04- MARIA NORONHA COSTA - Casou com Luís de Zé Galdino.
F.05- MARIA - Casou com JOÃO, filho de João Tito e Maria de Maneco do Carmo.
F.06- FRANCISCO NORONHA COSTA - vulgo Chico Banda. Casou com Maria da Conceição Aires da Costa, conhecida como SULA, professora da rede estadual de ensino, filha de Elísio ires de Sena (Elísio Reinaldo) e de Clotildes Guerra.

. CHICO BANDA e SULA são pais de:
N.01 a 04: SILMA, SILVIA, SÍDIA, e FRANCISCO EDJALSON AIRES DA COSTA.

(FONTE: Livro de Óbitos do Primeiro Cartório Judiciário do Apodi - 1906-1911, e entrevistas concedidas pelos Srs. GASPAR DANTAS (Novo Baité) e CHICO BANDA).

Por Marcos Pinto - historiador apodiense e Presidente da Academia Apodiense de Letras. 

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