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domingo, 8 de setembro de 2013

Lapides tumulares - Sepulcrais memórias do Cemitério São João Batista - Por Marcos Pinto

O nosso vetusto e venerado Cemitério São João Batista do Apodi é guardião de vasto referencial histórico e cronológico, amalgamado nas antigas lápides tumulares, feitas em mármores de alta qualidade, confeccionadas em plagas distantes. Analisando documentos oficiais irrefutáveis, restou-nos a certeza de que, mesmo após a construção do nosso antigo Cemitério São João Batista no ano de 1860, os sepultamentos dos munícipes continuaram sendo feitos na Igreja-Matriz e no entorno do antigo Cruzeiro-Mór.

A ritualidade dos sepultamentos realizados no interior das Igrejas-Matrizes obedeciam a um rigoroso critério social estipulado pela Igreja Católica Apostólica Romana, que estabelecia diferença quanto ao local do sepultamento, configurando as famílias como tradicionais plenamente abastadas e as tradicionais menos abastadas. As pessoas eram sepultadas dentro da Igreja-Matriz, tanto no solo quanto nas grossas paredes, seguindo duas modalidades de localização: Das grades para cima e das grades para baixo. Das grades acima compreendia a parte que fica da metade da Igreja-Matriz até o Altar-Mór, com o pagamento de taxa muito elevada para o competente sepultamento, o que conferia ao defunto uma conotação de nobreza e tradicionalidade. Das grades abaixo compreendia a parte da porta de entrada até o meio da Igreja-Matriz, com a cobrança de sepultamento cerca de quatro vezes menos do que era pago para sepultar das grades acima.

Quando o profícuo e devotado Padre Faustino Gomes de Oliveira mandou construir o Cruzeiro-Mór em 1855, concluído em 1856 por seu sucessor e parente o Sacerdote Florêncio Gomes de Oliveira, os sepultamentos das pessoas de famílias humildes passaram a ser feitos no entorno do Cruzeiro-Mór. No Século XVI estava já bastante generalizada a prática do sepultamento em templos religiosos - Capelas e Igrejas-Matrizes.

Há uma contextualidade histórica impressionante nas antigas lápides do nosso antigo Cemitério São João Batista. Ao visualizá-las, sentimos que elas nos remetem ao sentido das coisas e da vida. Há como que uma emoção contemplativa que suscita êxtase, perplexidade e encantos. Despertam um vôo mental que nos permite dimensionar o nosso lugar no universo da ascensão espiritual. A inscrição lapidar "AQUI JAZ" nos conduz à reflexões interrogativas acerca da existencialidade espiritual, ao liame, o vínculo eterno de amor entre DEUS e a criação. As nossas lápides apresentam um manancial histórico-cronológico de relevante importância para os estudiosos da genealogia. As referências às datas de nascimento e falecimento suprem a inexistência de fontes documentais oficiais, extraviados ou consumidos pelas intempéries. Não fora a existência dessas memoráveis lápides, teríamos lamentáveis hiatos cronológicos nas biografias dos homens e mulheres que fizeram a história do nosso município de Apodi.

A lápide mais antiga existente no Cemitério São João Batista é a que está afixada ao primeiro túmulo construído, onde está sepultado o segundo mais antigo Professor de Apodi JOAQUIM MANOEL CARNEIRO DA CUNHA BELTRÃO, cujo epitáfio tem a seguinte inscrição: Aqui jaz o Professor Joaquim Manoel Carneiro da Cunha Beltrão, natural da Freguesia de Tracunhaém, Província de Pernambuco. Nasceu no ano de 1811 e faleceu em Apody a 20 de Novembro de 1892.

Em termos de antiguidade, sobressai-se como segunda a do túmulo do Coronel Antonio Ferreira Pinto, falecido a 09 de Agosto de 1909. A terceira e a quarta estão afixadas, respectivamente, nos túmulos do Coronel João Jázimo de Oliveira Pinto , (irmão de Claudina Pinto) falecido a 30 de Março de 1927, e do Coronel João de Brito Ferreira Pinto, falecido a 15 de Setembro de 1934. Temos, ainda, a quinta lápide mais antiga, afixada no túmulo do patriarca da honrada e tradicional família BARRA o Sr. JOSÉ RAIMUNDO DE SOUZA BARRA, do antigo povoado denominado de "Pedra das Abelhas", atual cidade de Felipe Guerra-RN, que nasceu a 24 de Agosto de 1838, e faleceu a 26 de Março de 1934, aos 95 anos de idade.

Conclamo o Sr. Prefeito e Professor de História Flaviano Monteiro a determinar ao Secretário competente para que realize serviços de mapeamento e cadastro de todos os túmulos existentes no Cemitério São João Batista, evitando assim que ocorram vilipêndios e profanações aos túmulos, posto que está existindo esses atentados cometidos por alguns dos construtores de túmulos.

Esses antigos túmulos constituem patrimônio histórico, que significa Memória e Identidade Cultural

Por Marcos Pinto - historiador apodiense

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