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quarta-feira, 24 de julho de 2013

O preço do radicalismo político e as perdas causadas ao Apodi - Por Marcos Pinto

Compulsando os anais históricos sobre o município do Apodi, resta configurada uma extensa lista de virulentas manifestações de exacerbado e inconsequente radicalismo político. Esse desiderato revela perseguições políticas, açoites, acumpliciamento e acolhida a hordas cangaceiras, saques, depredações e assassinatos. É imprescindível que exterminemos de uma vez por todas esse nocivo comportamento político, emparedando desejos e delírios de comando de grupelhos que se autodenominam de líderes. Decretemos que o prazo de validade do engodo chegou ao final.

Não há como obscurecer a realidade de que esse danoso processo presente na história de Apodi restringe-se ao conservadorismo das forças políticas dominantes, que tem como meta basilar a manutenção dos 
padrões sociais tradicionais do baraço e do cutelo. As flagrantes perdas de oportunidade que alavancariam o progresso de Apodi colidem com as irascíveis manifestações de oposição radical à implantação de obras estruturantes, vistas sob a ótica desarrazoada da oposição, que veste a carapuça da inveja e do infundado temor de que a concretização de uma obra de vulto proporcione dividendos eleitorais à pessoa que logrou êxito na consecução da obra relevante. Agem nesse diapasão com fito único de satisfazer seus insanos egos, reféns do assédio do mandonismo inconsequente, sem atentar para o fato de que o radicalismo constitui um atentado ao bem estar da coletividade.

A persistência desse pérfido mal emblematiza o município do Apodi como o que mais perdeu espaços e 
oportunidades em termos de progresso. Tem formado uma barreira quase intransponível para que o Apodi saia desse famigerado marasmo e atraso em seu desenvolvimento urbano e rural. É bem verdade que essa doentia manifestação de conduta e pensamento atrela-se à inexpressivos grupelhos políticos que tem como meta principal a satisfação de seus interesses pessoais. São reconhecidos como redutos de egos inflados por ódios inexplicáveis e sem referenciais que os justifiquem.

É de estarrecer e causar estranheza o fato de que o município do Apodi, detentor de vultoso potencial de recursos naturais que o alavancaria aos umbrais do progresso, tenha sido entregue à letargia e à indiferença dos seus administradores, ao longo de sua história política e administrativa - 1833 a 2013. Aos conterrâneos
que pretendam fazer uma incursão à esse esquecido capítulo da história do Apodi, sugiro envidar pela pesquisa nos 04 Tomos que tratam da história do RN, que tem o instigante título "FALAS E RELATÓRIOS DOS PRESIDENTES DA PROVÍNCIA DO RIO GRANDE DO NORTE " - Coleção Mossoroense - Fundação Vingt-Un Rosado. 

 Há uma vastidão de informes históricos sobre o Apodi, dispersos em notas abreviadas, mas que juntas em miscelânea, serão de suma importância para nosso conhecimento. Dentre a imensa gama de fatos lamentáveis que macularam a história do Apodi, e que constituíram perdas irreparáveis para o nosso patrimônio material e moral, merecem destaque:

- Importação, via Tilon Gurgel, de elementos dados à truculências, vindos da cidade do Martins e da serra do Pereiro, no Ceará, respectivamente Srs. Juvêncio Barreto e Martiniano de Queiroz Porto e Décio Holanda, que fixaram residência em Apodi no ano de 1915, tendo Juvêncio passado a residir em sua fazenda "Unha de Gato", e Martiniano naquele sobrado onde funcionou o primeiro Cine Odeon, na rua João Pessoa. Já o Décio Holanda fixou moradia no sítio "Brejo do Apodi", em terras do seu sogro Tilon Gurgel. Décio era protetor e pagador de um bando de cabras armados, em número de cinquenta.

- O Desembargador Felipe Guerra trafica influência e indica para assumir a Comarca de Apodi (Ano 1922) o seu amigo íntimo Dr. João Dantas Sales, que assumiu publicamente que cerrava fileiras na oposição ao então Presidente da Intendência Coronel João Jázimo Pinto e seu genro Francisco Pinto, transformando sua residência em valhacouto do chefe de cangaceiros Benedito Saldanha, a quem protegia às escancaras. Para fazer cessar esse acinte ao povo de Apodi, em 1925 o então governador do estado Dr. José Augusto promoveu o Juiz João Dantas Sales para uma comarca de segunda Entrância, o que o fez sair da cidade do Apodi;

- Em 10 de Maio de 1927 a cidade do Apodi é assaltada e saqueada por um bando de cangaceiros, em número de 27, pertencentes ao bando de Lampião, que se achava aquartelado na Serra do Pereiro, em fazenda de José Cardoso, primo e compadre de Décio Holanda, que por sua vez era genro do pérfido e truculento Tilon Gurgel. O bando era comandado por Massilon Benevides. Nesse fatídico dia o bando assassinou o comerciante apodiense Manoel Rodrigues, que deixou a viúva Lúcia, que viria a casar com o Sr. Vicente Maia;

- Em 1931 o Desembargador Felipe Guerra, em manobra sórdida para prejudicar o povo apodiense, retirou a sede da Comarca para a cidade de Caraúbas, rebaixando Apodi à condição de Termo da Comarca de Caraúbas. Essa humilhante situação só foi revertida em 1947, quando o então Prefeito Lucas Pinto elegeu o Telegrafista Cosme Lemos, casado com uma apodiense (Hilda Lopes, tia de Robson Lopes) Deputado Estadual, que apresentou projeto que retornava Apodi à condição de sede da comarca;

- Entre o período de 1920 a 1934 o Des. Felipe Guerra tenta alocar recursos federais via Deputado Federal Martins Veras, para construção da Barragem de Passagem Funda, com o fito único de transformar a várzea do Apodi num imenso lago, expulsando humildes agricultores vinculados às hostes pacifistas da família PINTO;

- Em Janeiro de 1934 o líder político Coronel Francisco Pinto é sondado pelos líderes políticos e ex-governadores José Augusto e Juvenal Lamartine para aceitar a indicação do seu nome como candidato indireto ao cargo de governador do estado, tendo os mesmos recebido a anuência do líder apodiense. O governador era eleito pelos srs. Deputados Estaduais, em votação realizada na Assembléia Legislativa. Ocorre que os invejosos Luiz Leite e Tilon Gurgel, pressentindo a vitória do Partido Popular em maioria de Deputados Estaduais, contrataram a mão mercenária do bandido Itauense Roldão Frutuoso de Oliveira, vulgo Roldão Maia, que assassinou covardemente o líder Francisco Pinto, às 20:30 horas do dia 02 de Maio de 1934. Em Outubro, realmente o Partido Popular, ao qual Francisco Pinto pertencia, elegeu uma bancada de 14 Deputados Estaduais, contra 11 do Partido Liberal, dentre os quais Benedito Saldanha e Felipe Guerra. Apodi perdia, assim, a oportunidade única de ter um seu filho governador do estado;

-Em 2010, 2011 e 2012 o município de Apodi perde, pela desunião e pelo radicalismo político predominante, O Campus da Ufersa, respectivamente para as cidades de Angicos, Caraúbas e Assu.

Diante todos esses infortúnios e mazelas, resta a necessidade de que todos nós APODIENSES nos unamos em um só pensamento e um só objetivo, cerrando fileiras nesse magnífico e profícuo movimento EM PROL DA CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DO CAMPUS DA UERN EM APODI. Que esse movimento represente o marco inicial para a erradicação desse mal que tanto tem atrasado e prejudicado o nosso município. A juventude que comanda o movimento é detentora de imensurável capacidade para conduzir debates, negociações, articulações e formulações, pela eficiência na leitura da realidade apodiense. Juventude com reconhecida densidade cultural para conceber idéias, construir posições, elaborar propostas e projetá-las para o centro do debate, liderando sua repercussão e tomada de posição.

AVANCEMOS conterrâneos ! AVANTE Apodi !.


Matéria enviada por Marcos Pinto - historiador apodiense

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