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domingo, 16 de junho de 2013

A construção e as restaurações da Igreja Matriz (II) - Por Marcos Pinto



A paciência e a resignação de alguns sacerdotes que passaram pelo pastoreio da Paróquia de Apodi constituíram-se em fiéis aliados à indiferença dos governantes do RN, diante a precária situação da estrutura física da Igreja-Matriz, numa saga que teve início em 1760. 

Alguns padres tiveram caráter mais resoluto e perspicaz, abrindo listas para subscrições dos paroquianos que reuniam condições pecuniárias para o contributo necessário para a realização das restaurações do templo espiritual. 

É certo que, devido as minguadas contribuições, as restaurações deixavam sempre a desejar, posto que feitas com material de pouca qualidade. Analisando-se a lista dos sacerdotes que passaram pela paróquia de Apodi, depreende-se que cerca de 90% curaram a Paróquia por apenas um ano, o que talvez teria suscitado nos mesmos uma certa indiferença ou comodismo. Os anais históricos revelam que as principais restaurações foram empreendidas por vigários que ficaram à frente da paróquia durante longos períodos, como é o caso do Padre FAUSTINO GOMES DE OLIVEIRA (1813 a 1856), que tinha como coadjutor o Padre FLORÊNCIO GOMES DE OLIVEIRA. 

Assim é que, no relatório apresentado à Assembléia Legislativa Provincial do RN, a 07 de setembro de 1839, no ítem "Culto Público", informa o Presidente da Província: "Que pelas informações do Pároco da Freguesia eclesiástica do Apodi, consta que a Igreja-Matriz encontra-se bastante deteriorada, em tal estado que virá a cair em breve, se por ventura não lhe acudir com pronto reparo. Pouco circunstanciadas são as informações que hei recebido de Párocos, e os orçamentos mal podem habilitar-me para calcular a despesa que com este ramo de serviço público é mister fazer-se".

(FONTE: Vide livro "FALAS E RELATÓRIOS DOS PRESIDENTES DA PROVÍNCIA DO RN" - 1835-1859 - Coleção Mossoroense/Fundação Guimarães Duque - Série G - nº 08 - Abril de 2001). 

Baseado nesta informação, depreende-se que a reconstrução do templo, que veio a ruir no ano de 1784, fora efetivado de forma precária e com material de baixa qualidade. As doações feitas por paroquianos desprendidos do materialismo, representavam pouco, diante as prementes necessidades estruturais do templo espiritual. Em 25 de outubro de 1831 o pernambucano GASPAR DA COSTA, radicado em Apodi, onde residia no seu sítio "Estreito", fez doação de parte de terras no sítio denominado "Garapa", no valor de 50 mil réis para Nossa Sra. da Conceição da Matriz das Várzeas do Apodi, tendo como testemunhas à lavratura da escritura de doação os Srs. José Sebastião Maia (Avô paterno de Sêo Vicente Maia) e Antonio Alves de Araújo Maia. 

Em 08 de outubro de 1853, o Padre Faustino Gomes de Oliveira vendeu ditas terras, para arcar com as despesas destinadas à restauração, cujo leilão foi realizado em primeira e segunda mora neste mesmo dia, finalmente vendida em terceiro lance, no dia 13 de novembro de 1853, com lance final ofertado pelo Sr. FRANCISCO MANOEL DE OLIVEIRA COSTA (Pai do Padre Joaquim Manoel de Oliveira Costa - Conhecido como Padre Barra, ordenado em Olinda-PE em 1845), na quantia de 285 mil réis.

Quase todas as restaurações feitas na estrutura da Igreja-Matriz não passaram de arremedos. Observe-se que ela desabou sobre as campas no ano de 1784, tendo sido reconstruída de forma rústica. Somente no ano de 1839 é que se tem notícia oficial da solicitação do Pároco de Apodi ao Presidente da Província, em que fez exposição do acelerado processo de deterioração em que se achava a Igreja-Matriz. Há um longo hiato na história da construção e das reconstruções da Igreja-Matriz. Do ano de 1760 os relatos históricos dão um salto para o ano de 1784, para dar vez a outra lacuna que vai até o ano de 1853, quando o Padre Faustino vende em leilão parte do patrimônio (terras) para arcar com despesas da restauração. 


Os Presidentes da Província do RN sempre demonstraram uma indiferença doentia para com as necessidades de restaurações da Igreja-Matriz. Depois do ano de 1839, somente no ano de 1861 o então Presidente da Província, fez a avaliação das necessidades da restauração da Igreja-matriz de Apodi, nos seguintes termos: "Com o reboco das paredes, conclusão da obra do átrio, soalho da torre e corredores, poder-se-á gastar a soma de 900 réis a 1:000 réis (Um Conto de réis), segundo informa o Pároco. O cofre provincial não despendeu ainda qualquer quantia com os reparos daquela Matriz"

(FONTE: "FALAS E RELATÓRIOS DOS PRESIDENTES DA PROVÍNCIA DO RN - CM/ FGD - Série G, nº 05 - Abril de 2001).

Surge nova lacuna nos anais históricos, no ítem história das restaurações da Igreja-Matriz, compreendida entre o período do ano de 1861 até o ano de 1906, quando o dinâmico e profícuo Padre LÚCIO GOMES GAMBARRA (1904-1907) empreendeu uma cruzada junto aos Apodienses que se destacavam como opulentos comerciantes na praça de Mossoró, os quais abriram uma lista de subscrições com recursos que arcaram com as despesas de cerca de 80% da restauração e da implantação das arcadas e do oratório do Senhor Bom Jesus dos Passos. Esses bravos Apodienses foram os Srs. JOÃO FERREIRA LEITE, LUIS COLOMBO FERREIRA PINTO (Tio de Alice Pinto), Coronel VICENTE FERREIRA DA MOTA (Pai do Padre Mota), FRANCISCO RICARTE DE FREITAS (Dono do Grande Hotel), Prof. FRANCISCO ISÓDIO DE SOUZA e IDALINO GOMES PASCOAL, que angariaram mais subscrições junto aos mossoroenses. O renomado jornal mossoroense denominado "O COMÉRCIO DE MOSSORÓ", em sua edição de 12 de agosto de 1906, dá enfoque especial ao júbilo dos Apodienses, com o título "MATRIZ DO APODY":

"Escrevem-nos daquela cidade, e movido pelo sentimento de amor à religião e à pátria amada, que nos evangeliza o santo evoluir das ideias grandes e sublimas, resolveu o nosso Vigário Padre Gambarra empreender indispensáveis reparos em nossa Igreja-Matriz. O nosso tempo edificado em sistema antiquado é por demais imperfeito. Urge agora que o melhoremos, levando-o à arquitetura moderna. Nesta resolução está fortemente empenhado o nosso Vigário, à cujo lado acha-se todo povo apodiense auxiliando-o na altura de suas posses. O trabalho está confiado ao hábil e provecto artista Francisco Paulino, de Mossoró, que tem nos prendido sobremodo pela correção do seu serviço e pelo trato lhano e jovial. O distinto Coronel Queiroz tem se destacado com o espírito forte e trabalhador, auxiliando com louvável empenho ao digno e incansável Vigário. Todo povo satisfeitíssimo, aguarda o termo dos reparos, para ficar possuindo um templo belo e majestoso. Louvamos este santo empreendimento e damos um brado de avante a tão bom povo e tão trabalhador Vigário".

A referência ao Coronel Queiroz: Trata-se da pessoa do comerciante ADELINO JOSÉ DE QUEIROZ, martinense radicado em Apodi, onde residia neste casarão senhorial onde durante muitos anos residiu a boleira e doceira dona Cotó. Neste casarão faleceu Adelino,em 16 setembro de 1912, que fora casado com duas filhas do Prof. Joaquim Manoel Carneiro da Cunha Beltrão, a segunda núpcias em estado de viuvez. Um filho de Adelino, de nome THOMAZ BELTRÃO DE QUEIROZ foi Prefeito da cidade de Caxias do Sul-RS, sendo patrono de uma das principais avenidas daquela cidade do Sul do país.

Por Marcos Pinto - historiador apodiense

Matéria copiado do: Blog Potyline

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